Papa lembra cardeal moçambicano que serviu a igreja com simplicidade
A mensagem consta de um telegrama enviado pelo Papa à Igreja Católica moçambicana, através de Francisco Chimoio, arcebispo emérito de Maputo e administrador apostólico de Xai-Xai, após a morte do cardeal moçambicano.
"Fiel a Jesus, mestre e senhor, d'Ele aprendeu a arte da proximidade no pastoreio das almas, entregando-se com simplicidade, zelo e perseverança ao rebanho que lhe foi confiado, sem se deixar abater pelas dificuldades, antes vislumbrando a partir delas lugares sedentos da boa-nova, em especial quando se impôs o anúncio do evangelho da paz e da reconciliação para um futuro de fraternidade entre todos os moçambicanos", lê-se na mensagem do Papa.
O cardeal moçambicano Júlio Duarte Langa, que exerceu as funções de bispo de Xai-Xai, no sul do país, durante quase 30 anos, morreu na segunda-feira, aos 98 anos, vítima de doença.
No telegrama, o sumo pontífice apresenta condolências ao episcopado moçambicano e à família pelo falecimento do cardeal Júlio Duarte Langa, destacando o serviço prestado à Igreja e ao país ao longo da sua vida.
"Neste momento, que é de perda mas sobretudo de esperança na ressurreição, ao louvar a Deus pela longevidade de Júlio e pela graça do seu sacerdócio para Moçambique e a igreja universal, concedo a quantos participam nas celebrações exequiais confortadora bênção apostólica", lê-se na mensagem do Papa.
O cardeal Júlio Duarte Langa nasceu em 27 de outubro de 1927, em Mangunze, província de Gaza, no sul de Moçambique. Frequentou os seminários de Magude e Namaacha e foi ordenado sacerdote em 9 de junho de 1957, na então Catedral de Lourenço Marques, atual Maputo.
Foi nomeado pelo Papa Paulo VI bispo de Xai-Xai em 31 de maio de 1976 e, em 14 de fevereiro de 2015, o Papa Francisco criou-o cardeal.
Na segunda-feira, o Presidente moçambicano lamentou a morte de Júlio Duarte Langa, destacando o seu legado de dedicação à Igreja Católica, à promoção da paz, da reconciliação e ao apoio às comunidades mais vulneráveis.
Numa mensagem de condolências dirigida à Igreja Católica em Moçambique, à diocese de Xai-Xai, aos familiares e aos fiéis, o chefe de Estado moçambicano considerou que a morte de Júlio Duarte Langa representa a perda de "uma figura de grande referência espiritual e humana" no país.
O falecido cardeal, refere ainda Daniel Chapo, "dedicou a sua vida ao serviço da Igreja e do povo moçambicano".
Chapo destacou igualmente o contributo do cardeal para a aproximação da religião às comunidades, através da tradução de documentos do Concílio Vaticano II para línguas moçambicanas, valorizando a diversidade cultural e linguística do país.
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