Para Mika Serur, ‘Muito mais que trinta dias’ vai além do romance
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uito mais que trinta dias começou como uma história no Wattpad, cresceu junto com uma comunidade de leitores nas redes sociais e agora chega às livrarias pela Intrínseca com um detalhe especial para quem já acompanhava Julian e Luca pela internet: um final inédito. Em entrevista à CAPRICHO, Mika Serur contou que a trajetória do livro foi uma surpresa até para ela.
“Quando comecei a publicar, eu realmente não tinha muita expectativa, porque não sabia quantas dessas pessoas iam se interessar de verdade pela história”, relembrou a autora, que já acumulava uma base de seguidores nas redes, mas não necessariamente ligada ao universo literário. Antes do livro, seu conteúdo era mais voltado para arte, design e criatividade.
A resposta dos leitores, porém, mudou o rumo da história. “Quando percebi, já tinham milhares de pessoas lendo, e foi aí que comecei a criar esse universo para expandir a história”, disse. Foi assim que Muito mais que trinta dias ganhou ilustrações, músicas autorais e até um clipe.
Na trama, Julian é um garoto brasileiro que está vivendo um momento turbulento: depois de um término traumático e sem saber muito bem qual rumo dar à própria vida, ele recebe dos pais uma sugestão para passar um mês na Itália. A oportunidade surge quando ele consegue um trabalho como fotógrafo em uma escola de música em Roma, onde conhece Luca, um músico italiano que também carrega suas próprias inseguranças.
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Para Mika, uma das forças da história está justamente no contraste entre os dois protagonistas. Julian tem muitas dúvidas sobre o futuro e a vida profissional, mas lida com a própria sexualidade de forma muito bem resolvida. Já Luca aparece em outro lugar emocional. “Ele tem questões parecidas com as do Julian, só que invertidas no sentido do que está esclarecido ou não”, explicou.
A autora também falou sobre a importância de retratar esse início da vida adulta, fase em que muitas pessoas se sentem pressionadas a decidir quem são e o que querem fazer. Esse sentimento de identificação, segundo Mika, ajuda a explicar a conexão dos leitores com histórias young adult.
Quando a gente se identifica com alguma coisa, seja ela qual for, a gente se sente amparado. A gente se enxerga naquele personagem, naquela pessoa, naquele filme, naquele livro, naquela música.
Mika Serur
Uma discussão tem aparecido bastante entre leitores de romances LGBTQIA+: personagens gays escritos por mulheres e a ideia de que alguns deles seriam “irreais”. A autora disse ter acompanhado o debate crescer com a popularidade de Heated Rivalry e defendeu que existe uma diferença importante entre falta de realismo e histórias que escolhem terminar bem.
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“Muita gente acaba associando finais felizes a algo que seja irreal. Sinto que, no meu livro, também existem questões colocadas do mundo real, mas tentei fazer de uma forma em que o final, mesmo sendo feliz, ainda tivesse um pé no chão”, disse.
A ambientação em Roma é outro ponto importante de Muito mais que trinta dias. Mika começou a escrever o livro em 2023 e, depois de já ter criado boa parte da história, fez um intercâmbio na Itália para viver de perto um pouco do universo que tinha imaginado para Julian.
“Quando cheguei lá, vi que, na verdade, tudo o que eu tinha escrito já estava bem redondinho. Eu realmente não tinha o que adicionar nem tirar”, contou. “Toda a ambientação que fiz foi exatamente o que senti quando estava lá.”
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Com o lançamento, a relação com os fãs também saiu um pouco das telas. Mika está realizando sessões de autógrafos e, para ela, ver pessoalmente o impacto da história tem sido uma das partes mais marcantes do processo. “Na internet, a gente não tem tanta noção do tamanho das coisas e de como isso afeta as pessoas”, afirmou.
Saber que meu livro ou algum diálogo que os personagens tiveram realmente acrescentou algo na vida desse leitor, isso, para mim, é a melhor coisa.
Mika Serur
E se Muito mais que trinta dias um dia virasse filme? A autora ainda não sabe quais atores escolheria para viver Julian e Luca, porque imagina os personagens com visuais muito específicos. Mas revelou uma inspiração importante: Luca tem como referência Elijah Hewson, vocalista da banda Inhaler e filho de Bono, do U2.
Por enquanto, a adaptação fica no campo dos sonhos dos leitores. Muito mais que trinta dias já chegou às livrarias, agora com o final guardado por Mika para quem acompanhou Julian e Luca desde o começo e para quem ainda vai conhecer esse romance pela primeira vez.
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