Parque Papa Francisco: Evento cancelado por ações "não cívicas". PSP agiu
A Câmara Municipal de Loures e a promotora Desert Rain decidiram cancelar o concerto previsto para o próximo domingo no Parque Papa Francisco. A decisão surgiu "na sequência dos comportamentos não cívicos registados após o último concerto", a 27 de setembro, quando a Polícia de Segurança Pública (PSP) "teve necessidade de recorrer ao uso da força para impedir a ocupação da linha férrea na estação da Bobadela por populares".
"Cumpre-nos informar que, depois de um concerto no passado dia 27 de setembro, e no decurso da resolução da ocorrência, a PSP teve necessidade de recorrer ao uso da força para impedir a ocupação da linha férrea na estação da Bobadela por populares, diligência que se revelou particularmente difícil, face aos largos milhares de pessoas que utilizaram aquela estação para abandonar o recinto dos espetáculos. Não foram efetuadas detenções", assinalaram as autoridades, em resposta ao Notícias ao Minuto.
A autarquia, por seu turno, asseverou que "a segurança dos participantes e das populações da envolvente é, e sempre será, uma prioridade para o município”, pretendendo continuar a valorizar o Parque Papa Francisco com a garantia de "que a realização de eventos é compatível com a segurança, a mobilidade e a qualidade de vida das populações".
Na terça-feira, a CDU de Loures exigiu a "suspensão imediata" dos eventos no Parque Papa Francisco, lembrando que a "segurança das pessoas não tem preço", e apelou à não realização do concerto previsto para domingo "por não estarem reunidas as condições de segurança para o público, para os utilizadores da EN10 e para os moradores da zona".
A CDU Loures recordou que, no domingo, decorreu "mais um concerto" no Parque Papa Francisco, que resultou em "mais um dia de caos na EN10 na Bobadela, devido ao número de carros aí estacionados".
"E, infelizmente, repetiu-se o que já tinha acontecido no concerto de David Guetta, no início de agosto, com milhares de pessoas a acumularem-se em cima de viadutos e junto à linha do Norte", apontou a CDU Loures, em comunicado, sublinhando que desde o início se opôs à entrega a um promotor privado "sem qualquer taxa aplicada ao mesmo, deste tipo de eventos".
O partido lembrou também ter sido a única força política a votar contra a proposta da câmara, e fez alusão às declarações do autarca, que garantiu que a situação verificada após o concerto de David Guetta não se voltaria a repetir.
"Eis que no passado domingo assistimos a situações ainda mais perigosas que nem a intervenção inglória dos poucos polícias presentes conseguiu travar. Gradeamentos no chão, devido à pressão de milhares de pessoas sem escapatória a tentarem libertar-se da multidão, centenas de pessoas no cais dos comboios da Linha do Norte com risco de queda para a linha e dezenas de pessoas a atravessarem a linha do comboio para conseguirem escapar à multidão como se vê nos vídeos que circulam nas redes sociais", referiu.
Segundo o partido, a promoção do concelho de Loures e do Parque Papa Francisco é um objetivo comum a todas as forças políticas, "mas esta situação é de todo inaceitável e Loures não pode continuar a ser palco deste triste e perigoso espetáculo que é já imagem de marca do nosso concelho, onde a única entidade que ganha com isto é o promotor do espetáculo".
Na página do promotor Desert Rain está publicitado um concerto do DJ alemão Boris Brejcha, que embora não tenha o local, é referido que "será um evento em formato open-air realizado numa localização secreta em Lisboa, que deverá ser revelada pela organização muito perto da data".

Caos em concerto de David Guetta. Multidão presa durante 1h30 para sair
Concerto no Parque Papa Francisco, em Loures, culminou com muitas queixas à organização do evento depois de milhares de pessoas terem esperado mais de 1 hora para conseguir sair do recinto.
Andrea Pinto | 10:04 - 04/08/2026