PCP acusa Governo de "apalpar terreno" para privatizar Segurança Social

🗓️ 2026-08-21 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

"O Governo está a apalpar terreno e, se achar que há condições para avançar, vai avançar [com a privatização da Segurança Social], aliás foi o que fez o verão passado com o pacote laboral, mas correu-lhe mal porque estava à espera de uma passadeira vermelha e levou com 11 meses de luta consecutiva dos trabalhadores que acabou por derrotar o pacote laboral", disse Paulo Raimundo.

Após uma visita à Feira do Livro do Porto, o líder comunista considerou estar em curso uma operação para a privatização da Segurança Social, estando o Governo "apenas à espera" de uma oportunidade para a fazer.

"E o facto do Governo dizer que não vai avançar, que é um dossiê fechado, como dizia ontem [quinta-feira] Leitão Amaro [ministro da Presidência], vale tanto como um cubo de gelo no verão, ou seja, não vale nada", vincou.

"Está a ver se tem algum espaço porque, se tiver algum espaço, vai avançar com uma reforma da Segurança Social, não é uma reforma, é uma privatização, não vale a pena estarmos com rodeios sobre isso, é uma privatização da Segurança Social", frisou.

Paulo Raimundo ressalvou que os "muitos milhões do dinheiro do trabalho que ali estão" são um bolo apetecível para aqueles que o Governo serve, que são os grandes grupos económicos.

Em sua opinião, se não fosse esse o objetivo, o Governo nem sequer tinha proposto o relatório sobre a reforma da Segurança Social.

"Não é relatório nenhum, é uma encomenda a justificar as opções, é um autêntico embuste", acusou.

Questionado sobre o facto de o PS ter alertado hoje o Governo que se avançar com uma reforma da Segurança Social passará a linha vermelha que o partido fixou para negociar o Orçamento de Estado (OE) 2027, Paulo Raimundo entendeu que o PS está a arranjar justificações para aprovar o documento.

Segundo o comunista, o PS está "claramente" a demonstrar vontade de aprovar o Orçamento de Estado e está a libertar outros partidos, que são tão ou mais responsáveis pelo que o país está a viver, dessa responsabilidade.

"Ora, a sua atitude que autodomina de responsável para esse efeito, torna-o também responsável pelo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, pela destruição dos serviços públicos, pelas dificuldades na educação, pelas medidas que não são tomadas e que deviam ser tomadas para enfrentar o drama da habitação e pela estratégia do Governo de apertar os direitos de quem trabalha, as reformas e os salários. E, portanto, a sua atitude, diria, autointitulada de responsável, vai transformá-lo também em corresponsável", apontou.

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