PF e MPF fazem operação para reprimir apologia ao nazismo nas redes sociais; entenda

🗓️ 2026-09-09 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -
Agentes da Polícia Federal
Agentes da Polícia Federal (Polícia Federal/Divulgação)

Continua após publicidade

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) realizaram nesta quarta-feira, 9, uma operação para investigar a prática do crime de apologia ao nazismo nas redes sociais. São cumpridos dois mandados de busca e apreensão domiciliar, expedidos pela Justiça Federal de São João de Meriti, no município de Valença, no interior do estado do Rio de Janeiro.

As investigações começaram após uma análise técnica, que identificou e monitorou um perfil no X, antigo Twitter, que disseminava conteúdos de caráter nazista de forma “reiterada”, como definiu a PF. Na ação desta quarta, os agentes localizaram e apreenderam um computador e um celular, que serão submetidos à perícia técnica criminal para continuidade das apurações.

“As medidas cautelares têm como objetivo reunir elementos de prova relacionados à divulgação de conteúdo de apologia ao nazismo, conduta prevista no artigo 20, § 2º, da Lei nº 7.716/1989”, acrescentou a Polícia Federal em nota.

+ As novas iniciativas de museus franceses para recuperar obras de arte surrupiadas pelos nazistas

Continua após a publicidade

Caso na UFRJ

Em paralelo, a Polícia Civil investiga um suposto caso de apologia ao nazismo que terminou em uma sessão de espancamento nas dependências do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Centro do Rio.

Diego Costa da Silva Araújo, estudante de História, teria feito uma apologia a nazismo. Ele vestia uma camiseta da banda britânica Death in June, que intencionalmente usa uma estética e símbolos associados ao regime de Adolf Hitler. O aluno nega as acusações — no Brasil, a a prática é crime inafiançável e imprescritível. Segundo aluno de Direito Deivid Lima, Diego também teria feito insultos racistas, chamando o colega de “macaco”, ao ser abordado para ser conduzido à delegacia pela suposta apologia. 

Em depoimento, dois dos três vigilantes do IFCS afirmaram que não viram Diego xingar Deivid. As investigações também apontam que, enquanto era agredido, o jovem repetia que não era nazista. Em nota após o incidente, a UFRJ informou que instalou uma comissão de sindicância para apurar o incidente. A universidade também toda e qualquer forma de intolerância, mas também salientou que nenhuma forma de violência será admitida no campus. Veja abaixo a declaração completa.

Continua após a publicidade

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está apurando as circunstâncias do episódio ocorrido na noite de terça-feira, 25/8, nas dependências do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH), no Centro do Rio. Diante da gravidade do episódio, a UFRJ determinou a instalação de uma comissão de sindicância para apurar os fatos.

A universidade repudia manifestações de apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo, ao machismo e a todas as formas de intolerância e discriminação. Reafirma, ao mesmo tempo, que agressões físicas e outras formas de violência não podem ser admitidas como resposta a provocações, conflitos ou divergências.

Continua após a publicidade

A universidade é, por sua natureza, espaço de formação para a convivência democrática. Nesse sentido, as direções do IFCS e do Instituto de História vêm mantendo diálogo permanente com estudantes e suas representações sobre como enfrentar situações de provocação e intolerância, preservar o ambiente universitário e evitar a escalada de conflitos. Esse trabalho foi intensificado nesta quarta-feira, 26/8, com novas reuniões com os estudantes.

A UFRJ reforça que a defesa intransigente da democracia e dos direitos humanos deve caminhar junto com a rejeição a qualquer forma de violência. O episódio será apurado com rigor, responsabilidade e respeito aos direitos de todos os envolvidos.

Continua após a publicidade

Publicidade