PF relata desconfiança de Mendonça sobre Andrei Rodrigues - 03/09/2026 - Mônica Bergamo - Folha

🗓️ 2026-09-04 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Relatórios de inteligência da Polícia Federal registram declarações atribuídas ao ministro André Mendonça sobre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, segundo documentos revelados em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Segundo a PF, Mendonça teria afirmado que o diretor-geral mantinha uma proximidade "inadequada" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por esse motivo, o ministro teria considerado que ele não seria confiável para conduzir determinadas investigações.

De acordo com o documento, Mendonça teria afirmado que o diretor-geral não seria "confiável" para conduzir determinadas investigações. O relatório registra ainda que o ministro teria avaliado a possibilidade de afastá-lo do cargo.

A PF relaciona essas declarações a outros episódios em que, segundo os relatórios, Mendonça teria demonstrado insatisfação com a atuação da direção da corporação e com a condução dos inquéritos.

Os investigadores interpretaram a sequência como um possível movimento para interferir na condução da Polícia Federal. O relatório fala em uma atuação que poderia produzir "incompatibilidade estrutural" entre as autoridades responsáveis pela investigação e o ministro que exercia sua supervisão judicial.

A desconfiança também teria atingido o procurador-geral da República.

Segundo os documentos, Mendonça teria afirmado que o PGR (Procuradoria-Geral da República) não seria "digno de confiança" por causa de sua proximidade com o ministro Gilmar Mendes.

O relatório afirma que o ministro teria demonstrado preocupação com a atuação do procurador-geral nos casos e cogitado "arrolá-lo como testemunha" em processos decorrentes das operações.

Para a PF, a hipótese levantaria um problema adicional. O procurador-geral da República é o titular da ação penal perante o STF nos casos de competência originária da Corte. Por isso, segundo o relatório, colocá-lo na condição de testemunha poderia gerar uma "incompatibilidade estrutural" com sua função institucional.

Os documentos registram as declarações no contexto de uma série de episódios que, na avaliação dos investigadores, indicariam uma crescente interferência de Mendonça sobre a atuação da PF e da PGR.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.