PIB português terá crescido 0,4% em cadeia no 2.º trimestre
A estimativa representa um regresso ao crescimento em cadeia, depois da estagnação registada no início do ano, mas também um ligeiro abrandamento em termos homólogos, face aos 2,2% observados no primeiro trimestre.
Segundo o barómetro da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), a evolução da economia no segundo trimestre revelou sinais de resiliência perante um contexto externo marcado pela crise no Golfo Pérsico, pelo prolongamento do conflito na Ucrânia e pela volatilidade dos mercados internacionais.
Os indicadores de confiança do setor empresarial evoluíram positivamente ao longo do trimestre e superaram o nível médio dos primeiros três meses do ano, embora a indústria transformadora tenha registado uma diminuição da confiança, penalizada pelas perspetivas de produção a curto prazo.
A produção industrial caiu 2,3% em termos homólogos em maio e recuou 1,2% no conjunto de abril e maio, apontando para uma contração no conjunto do trimestre. Excluindo a energia, a produção industrial diminuiu 0,7% em maio.
"A recuperação que parecia estar a desenhar-se em março e abril acabou por não se confirmar", afirma o diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha, citado no comunicado.
Apesar da quebra da produção, o volume de negócios na indústria aumentou 7,0% em maio, refletindo crescimentos de 8,2% no mercado nacional e de 5,1% no mercado externo. No conjunto de abril e maio, o indicador cresceu 8,2% em termos homólogos.
A confiança dos consumidores também melhorou em maio e junho, beneficiando, nomeadamente, de perspetivas mais favoráveis sobre a realização de compras relevantes e sobre a situação financeira das famílias. Ainda assim, o nível médio do segundo trimestre permaneceu abaixo do registado nos primeiros três meses do ano.
O barómetro destaca ainda o desempenho positivo do setor exportador, "que terá conduzido a um crescimento mais equilibrado, compensando parcialmente o menor contributo da procura interna".
Entre abril e maio, a balança de bens e serviços voltou a apresentar um saldo positivo, apesar da forte aceleração das importações, depois de, no primeiro trimestre, o défice externo ter atingido o valor trimestral mais elevado desde 2010.
Para os próximos meses, a CIP identifica como principal fator de risco o agravamento do conflito no Médio Oriente e o impacto da subida dos preços da energia na atividade das empresas.
"Depois de diminuir significativamente, o preço do Brent voltou a disparar para níveis superiores a 90 dólares e o preço do gás natural na Europa chegou mesmo a atingir novos máximos desde o início da guerra", salienta Rafael Alves Rocha.
O diretor-geral da CIP sublinha que "esta evolução se reflete no agravamento das pressões sobre as empresas, que voltam a ver os seus custos energéticos fortemente inflacionados".
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