"Podem continuar a gritar que eu vou continuar a governar"

🗓️ 2026-09-01 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O ministro da Administração Interna reagiu esta terça-feira a uma possível moção de censura ao Governo, defendendo-se de todas as polémicas em que se tem visto envolvido.

Luís Neves começou por lembrar que enquanto líder da Polícia Judiciária combateu "as mais diversas ameaças ao país" e defendeu: "Investiguei sempre com provas, sem provas não há acusação, há difamação".

"Esta é a diferença entre o Estado de direito e a política de suspeita permanente, da criação de um caos que dá jeito", criticou, referindo que quando uma "acusação perde força, lança-se outra com o pretexto de grandes investigações jornalísticas sustentadas na inveja e falsidade das pessoas que eu próprio afastei".

Nesta senda, Luís Neves admite: "Cometi um ou outro erro que já reconheci, mas que não põe em causa a minha ação", pois "todos sabem que nunca pretendi esconder fosse o que fosse". E garantiu: "Nunca tomei uma decisão que pudesse prejudicar o Estado, nunca, jamais, em tempo algum".

Num discurso onde reforçou a sua aptidão para assumir o cargo de governante, Luís Neves não poupou críticas à política praticada pelo partido Chega.

"Não aceito que André Ventura transforme aquilo que assumi, naquilo que nunca fiz", atirou, defendendo que "a autoridade de ministro mede-se pelas decisões que toma, pela responsabilidade que assume".

"Quem vive apenas da espuma, do caos, ignora a essência da governação", criticou, afirmando, ainda, que o "país tem de acordar do que se está a passar".

"O populismo não quer instituições fortes, não quer um política de segurança, quer uma política de receio e medo. Quem transforma segurança em espetáculo, não protege o país, está a explorar os seus receios", considerou, lamentando que André Ventura o tenha comparado a um"gangster. "Só falta dizer que ando a vender droga na rua", disse.

Luís Neves continuou reforçando que não tenciona virar costas ao cargo que aceitou assumir.

"Há quem tenha percebido com muito desagrado que este governo tem um MAI com muita experiência e com um passado de combate ao crime e habituado a encontrar soluções para os problemas. Perceberam que não me podem atacar por inação, por desconhecimento, e escolheram, por isso, a única estratégia que conhecem: lançar suspeitas, atacar a honra e tentaram a  intimidação", lamentou, garantindo: "Nada disto me intimida ou condiciona, nada me impedirá de governar, nada me vai afastar daquilo que me fez aceitar este cargo".

O antigo diretor da PJ disse ainda ter agora uma "motivação adicional" e que é "o combate ao populismo e à ideia de que vale tudo na política. Não vale".

"Podem continuar a gritar, eu vou continuar a governar", reforçou num discurso proferido esta terça-feira, 1 de setembro, a propósito da comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.

Entretanto, já no final deste encontro, e em declarações aos jornalistas, Luís Neves lembrou que estará, no próximo dia 8, à tarde, numa audição no Parlamento, momento em que "estou totalmente disponível para responder a qualquer questão que André Ventura queira colocar".

A audição a que se refere está marcada para as 15h, na Comissão de Assuntos Constitucionais Direitos, Liberdades e Garantias.

Qual a polémica com André Ventura?

Na segunda-feira, o líder do Chega disse que reunirá hoje os órgãos do partido para decidir sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo.

Na semana passada, o líder do Chega já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível "grotesco" e "inaceitável".

Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações de hoje do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.

"Quer dizer, se parece um gato, se anda como um gato, se mia como um gato, é um gato, como se costuma dizer", afirmou Ventura.

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