"Podíamos ter levado mais". Assaltantes do Louvre contam que mentor do plano "não ficou satisfeito"
Após vários meses em silêncio, os suspeitos revelaram em junho, durante interrogatórios, detalhes sobre o assalto que esteve nas bocas do mundo e que levou à demissão do diretor do Louvre. O jornal francês Le Monde teve acesso às transcrições, agora divulgadas.
Os suspeitos disseram ter assaltado a Galeria de Apolo sob as ordens de um cliente cujo nome se recusaram a revelar, por receio pelas suas famílias. “Não fui ameaçado, mas recebi chamadas do exterior [enquanto estava detido]. Disseram-me para ficar calado”, afirmou. O mentor do plano pretendia vender as joias da coroa francesa em troca de “15 mil a 25 mil euros”.
A 19 de outubro, Abdoulaye N., taxista clandestino de 40 anos, e Ghelamallah A., argelino desempregado de 36 anos, subiram até uma varanda do museu do Louvre com a ajuda de um elevador de carga.
Depois de entrarem na galeria e reunirem oito peças de joalharia, incluindo tiaras, um alfinete, colares e brincos, saíram e desapareceram de mota. No caminho, deixaram cair uma coroa incrustada de pedras preciosas usada no século XIX pela imperatriz Eugénie, mulher de Napoleão III.
“Sim, fui eu, caiu da minha mochila”, terá admitido Abdoulaye N. Quando os juízes lhe mostraram uma fotografia da coroa gravemente danificada, reconheceu que o que fez “não foi correto, é muito grave”.
Contou ainda que entregaram o conteúdo do assalto ao alegado mentor, que “não ficou satisfeito” com o resultado. “Ele achava que podíamos ter levado mais”, revelou.
“Nunca teria posto lá os pés se soubesse”
Abdoulaye N. e Ghelamallah A. disseram ter sido contratados apenas dois ou três dias antes do assalto e contaram que lhes foi mostrado um vídeo filmado no interior da galeria, mostrando as vitrinas com as joias napoleónicas, para os preparar para o assalto.
A missão que lhes foi atribuída foi “partir as janelas e retirar as joias das vitrinas”, afirmou um deles. “Quando entrámos não estava lá ninguém, estava escuro, apenas estavam acesas as luzes das vitrinas. Consegui ver, à distância, seguranças a moverem-se”.
Abdoulaye N. explicou às juízas de instrução que se encontrava “numa situação financeira desesperante” e que lhe foram prometidos entre 15 mil a 20 mil euros pelo seu papel no assalto, “talvez mais, dependendo do dinheiro que rendesse”.
Ghelamallah A. afirmou, por sua vez, que não sabia que o alvo do assalto era o museu do Louvre: “[Disseram-me que era] uma loja de joalharia onde fabricavam joias em Paris”.
“Nunca teria posto lá os pés se soubesse”, assegurou, referindo que concordou receber entre 20 mil a 25 mil euros pelo serviço.
Os dois homens foram detidos uma semana após o assalto e encontram-se desde então em prisão preventiva, acusados de “assalto em grupo organizado”.
Segundo o jornal Le Monde, os investigadores ainda não confirmaram que os suspeitos agiram efetivamente a mando de outra pessoa.