Polícia abre investigação sobre financiamento de banqueiro a cinebiografia de Bolsonaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro autorizou quinta-feira a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar repasses de recursos ligados ao filme «Dark Horse», sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a decisão, adiantada pela imprensa brasileira, a PF deverá apurar o destino de recursos enviados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, sob a justificativa de financiar a produção cinematográfica.
O senador e pré-candidato a presidente do Brasil Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para bancar o filme e já afirmou anteriormente que os recursos foram destinados exclusivamente à produção, negando qualquer irregularidade.
A investigação pretende esclarecer se parte dos valores foi utilizada para custear despesas do seu irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, ou outras ações de aliados de Jair Bolsonaro junto ao governo Donald Trump.
A decisão foi tomada após parecer da Procuradoria-geral da República considerar existirem elementos suficientes para a abertura formal da investigação sobre os repasses financeiros.
Continue a ler após a publicidade
Em junho, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, defendeu a necessidade de instaurar um inquérito para apurar «todas as circunstâncias» relacionadas ao envio de recursos para os Estados Unidos sob a alegação de financiamento do filme.
Segundo a suspeita, descreve a imprensa brasileira a partir de fontes ligadas às investigações, os recursos teriam sido transferidos por uma empresa ligada a Vorcaro para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Dark Horse tornou-se uma pedra no sapato na campanha de Flávio Bolsonaro, após o portal The Intercept Brasil revelar, em maio, que o então banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme.
Continue a ler após a publicidade
Os áudios mostram que Flávio negociou 134 milhões de reais (cerca de 22,65 euros na cotação atual) com Vorcaro, e que o banqueiro chegou a pagar 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros).
Uma das conversas aconteceu em novembro passado, um dia antes do então banqueiro ser preso pela polícia brasileira por fraude financeira ligada ao Banco Master.
Desde então, a imprensa brasileira tem feito reportagens sobre atividades suspeitas de empresas e pessoas ligadas a produção do filme, além de mostrar contradições de Flávio e políticos sobre o financiamento da cinebiografia.
No início deste mês, a Polícia Federal do Brasil abriu outro inquérito para investigar possível irregularidade na produção do filme Dark Horse com uso de recurso público.
A suspeita é que cinco deputados bolsonaristas do Partido Liberal (PL) tenham destinado 4,6 milhões de reais, o equivalente a 777 mil euros, em emendas parlamentares a entidades ligadas à produção do filme.
Continue a ler após a publicidade
MYMA// RBF
Lusa/