Polícia Civil de SP solicita desde maio acesso aos dados do Coaf de instituto e produtora de 'Dark Horse' | G1
A investigação apura se recursos públicos recebidos pelo ICB teriam sido repassados à produtora.
Desde maio deste ano, a polícia apresentou ao menos quatro pedidos para acesso aos relatórios de inteligência financeira, mas as solicitações não haviam sido atendidas pela Justiça paulista.

Dino retira sigilo de inquérito sobre Dark Horse
Karina preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em maio, os investigadores solicitaram ao Coaf um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) com o histórico das movimentações de Karina e do ICB a partir de 20 de junho de 2024.
Segundo a representação policial, Karina, única sócia da Go Up Entertainment, iniciou a produção do longa-metragem Dark Horse, filmado em inglês, com elenco e direção de Hollywood e custo estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.
Os investigadores afirmam que a origem dos recursos privados usados no projeto não teria sido devidamente esclarecida.
A polícia sustenta haver suspeitas de possível desvio de recursos do programa WiFi Livre SP para custear atividades relacionadas à produção do filme.
Os investigadores também apontam a suspeita de utilização de contas de empresas subcontratadas e de outras organizações sociais administradas pela empresária para ocultar a origem dos valores.
"Paralelamente ao desvio dos recursos municipais, as informações obtidas pela mídia apontam que a investigada Karina Ferreira da Gama, na qualidade de única sócia da empresa Go Up Entertainment, iniciou a produção cinematográfica do longa-metragem 'Dark Horse', gravado em inglês, com elenco e direção de Hollywood, e custo estimado entre R$ 8.000.000,00 e R$ 20.000.000,00, sem que a origem do financiamento privado tenha sido devidamente declarada ou identificada".
"Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo".
Em junho, a polícia reforçou o pedido. Em manifestação enviada à Justiça, o delegado da polícia civil afirmou que a obtenção do relatório do Coaf permitiria acesso ao histórico detalhado das transações bancárias do Instituto Conhecer Brasil e de Karina Ferreira da Gama.
No mês seguinte, os investigadores reiteraram a solicitação e defenderam a manutenção do caso sob segredo de Justiça.
Um mês depois, no dia 28 de agosto, o juiz Nelson Augusto Bernardes negou o pedido.
Na decisão, afirmou que a solicitação indicava de forma "subjetiva" o período a ser analisado, a partir de 20 de junho de 2024, e não especificava de maneira suficiente quais operações ou fluxos financeiros eram relevantes para o inquérito.
Karina Ferreira da Gama, dona da empresa Go UP Entertainment, responsável pelo filme ‘Dark Horse’ - sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Além disso, solicitava que a Polícia Civil esclarecesse quais são os elementos concretos já existentes que justificam a inclusão Karina da Gama no âmbito da pesquisa financeira.
Em 3 de setembro, a Polícia Civil apresentou informações complementares e encaminhou à Justiça o conjunto de provas reunidas até então.
Em nota, a defesa de Karina afirmou que considera positiva a decisão do minitro Flávio Dino de levantar o sigilo da investigação e que "a publicidade dos elementos da investigação permitirá que os fatos sejam conhecidos em sua integralidade e examinados objetivamente, para além de especulações ou juízos antecipados".