Poluição. Quase 40 por cento da população mundial exposta a níveis perigosos de ozono

🗓️ 2026-09-30 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus chama-lhe "penalidade climática do ozono". Isto porque o ozono é um dos principais riscos ambientais que afetam a saúde humana e os ecossistemas.

O ozono é um poluente secundário nocivo que surge quando poluentes específicos reagem com a luz solar e com as altas temperaturas. De acordo com os relatórios anuais do Copernicus sobre a qualidade do ar, na Europa “o ozono continua a ser um problema.”
Durante as ondas de calor observadas entre junho e agosto foi registado um aumento das concentrações de ozono. Esse aumento ultrapassou os valores-limite estabelecidos para a proteção da saúde.

A situação foi agravada não apenas pelas “temperaturas elevadas”, mas também pela seca. 

Dois fatores que criaram “condições ideais para os incêndios florestais sem precedentes ocorridos ao longo do verão de 2026”, justifica o relatório do Copernicus.

Entre janeiro e agosto, 50 por cento da população europeia foi exposta a níveis "Maus", "Muito Maus" ou "Extremamente Maus" de ozono este ano.

Estes são alguns registos que fazem parte do documento intitulado Atmosphere Watch, uma nova análise global desenha o retrato da poluição atmosférica transfronteiriça.

“A poluição por ozono é um lembrete contundente de quão interligados estão, na realidade, a nossa atmosfera, clima, saúde e meios de subsistência”, sublinha a diretora do Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus.

Tudo isto realça a necessidade urgente de uma ação global baseada na evidência sobre a qualidade do ar. Uma vez que a poluição atmosférica não respeita as fronteiras nacionais. Entre janeiro e agosto, em todo o mundo apenas cinco por cento da população conseguiu estar exposta a níveis bons de ozono.

A análise Atmosphere Watch aponta a Ásia como a região mais afetada pela poluição por ozono a nível global. 

Depois surgem a Europa e a América do Norte.

No caso da Ásia, a poluição industrial e dos transportes contribuiu para os elevados níveis de ozono durante este ano. Neste continente, 60 por cento da população já esteve exposta a níveis extremamente elevados de ozono.

A Oceânia destaca-se como a região com os níveis mais baixos de poluição por ozono, enquanto a América do Sul também registou índices particularmente baixos: 81 por cento da população do continente foi exposta a níveis "Bom" ou "Regular". 

Em África, 56 por cento da população se manteve dentro desse mesmo intervalo.

Efeitos da poluição do ar na saúde

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 99 por cento da população mundial vive em locais onde a poluição atmosférica supera as diretrizes de qualidade do ar da organização. Mais de quatro milhões de mortes prematuras são atribuíveis à poluição do ar ambiente. 

Para além dos efeitos mais diretos relacionados com as doenças respiratórias e cardiovasculares, a poluição do ar afeta todos os órgãos e sistemas do nosso organismo.

Segundo a OMS, "quando inalados, os poluentes nocivos para a saúde — incluindo partículas finas — podem penetrar profundamente no sistema respiratório e entrar na corrente sanguínea, permitindo-lhes atingir quase todos os órgãos do corpo, incluindo, entre outros, os sistemas cardiovascular, reprodutivo e metabólico, bem como o cérebro, o fígado e os rins".