Por que falar sobre corpo e limites desde a infância é um ato de cuidado
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Muitos pais e responsáveis acreditam que conversas sobre corpo e seus limites devem acontecer apenas quando as crianças crescem. Na prática, porém, a construção dessa consciência pode começar muito antes.
Desde os primeiros anos de vida, crianças podem aprender, de forma adequada à sua idade, que seu corpo merece respeito, que têm direito de expressar desconfortos e que podem buscar ajuda quando algo não parece certo.
Como gerente de saúde ocupacional, acompanho diariamente famílias que se preocupam com o desenvolvimento saudável de seus filhos. E uma das questões que merece cada vez mais atenção é justamente a educação para o cuidado e para a proteção na infância.
Os números ajudam a dimensionar a importância desse tema. Dados doMinistério dos Direitos Humanos e da Cidadaniaregistram que denúncias de abuso e exploração sexual infantil cresceram cerca de 195% nos últimos 4 anos
Diante desse cenário, é natural que muitos responsáveis se perguntem: como abordar um assunto que pode ser delicado sem gerar medo ou ansiedade
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A resposta passa pela educação preventiva. Falar sobre o corpo não significa expor a criança a conteúdos inadequados para sua idade. Significa ensinar, de forma simples e progressiva, conceitos como respeito, consentimento, privacidade e limites do corpo
Nomear corretamente as partes do corpo, explicar que algumas regiões são íntimas, reforçar que ninguém pode tocar nelas sem necessidade ou sem explicação adequada e mostrar que a criança sempre pode procurar um adulto de confiança são exemplos de conversas que podem ajudar a fortalecer mecanismos de proteção.
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Esses diálogos também podem contribuir para o desenvolvimento emocional. Crianças que aprendem a reconhecer emoções, identificar situações desconfortáveis e comunicar seus sentimentos tendem a desenvolver mais segurança para expressar dúvidas, medos e preocupações ao longo da vida.
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É importante lembrar que não existe uma conversa única ou definitiva. O mais eficaz é construir um ambiente de confiança contínua. Muitas vezes, esses aprendizados surgem em momentos simples da rotina: durante uma brincadeira, ao trocar de roupa, durante a leitura de uma história ou até mesmo na hora do banho.
Nesse contexto, iniciativas que ajudam a tornar essas conversas mais didáticas e de fácil compreensão têm um papel relevante.
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O movimento “É Meu”, do Boticário, é um exemplo dessa abordagem. A proposta busca apoiar pais, mães e responsáveis em diálogos sobre cuidado, respeito e limites do corpo na infância por meio de conteúdos educativos, linguagem lúdica e materiais desenvolvidos com apoio de especialistas.
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Mais do que oferecer respostas prontas, o movimento contribui para que famílias encontrem caminhos para abordar o tema de forma natural e adequada a cada fase do desenvolvimento infantil.
Quando falamos sobre proteção na infância, não estamos falando apenas de prevenção à violência. Estamos falando sobre formar crianças que conheçam seus direitos, compreendam seus limites e desenvolvam confiança para se expressar.
Toda criança merece crescer sabendo que seu corpo pertence a ela mesma, que seus sentimentos importam e que existem adultos preparados para ouvir, acolher e proteger. E essa construção pode começar nas pequenas conversas do dia a dia.
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*Lívia Schwab é médica e Gerente Sênior de Saúde e Benefícios do Grupo Boticário
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