"Portas de Portugal não estão fechadas mas também não estão escancaradas"

🗓️ 2026-10-06 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O primeiro-ministro Luís Montenegro, que participa esta terça-feira, 6 de outubro, na sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, defendeu em frente aos líderes europeus que "as portas de Portugal, que são também as da Europa, não estão fechadas, mas também não estão escancaradas".

Numa declaração sobre o custo de vida, em que tocou em vários pontos, entre os quais a crise energética e a crise na habitação, e onde traçou os objetivos futuros para Portugal e para o quadro comunitário, o Chefe do Executivo português lembrou que "Portugal teve, nos últimos anos, um aumento exponencial de estrangeiros a residir no país, uma situação que o Governo entedeu ser insustentável".

"Executamos uma reforma estrutural, alteramos a chamada 'lei dos estrangeiros', da nacionalidade e do retorno. Regulamos a imigração e dignificamos a vida das pessoas, daquelas que procuram Portugal por bem, para acrescentar valor, capacidade e competência aos nossos recursos humanos. Hoje, as portas de Portugal, que são também as portas da Europa, não estão fechadas, mas também não estão escancaradas", atirou, acrescentando que a AD defende "a regulação, a imigração legal como a via para termos uma resposta mais humanista para os cidadãos".

"Isso é também preencher os objetivos que estão traçados e definidos a nível Europeu. Conjugar um controlo responsável com uma integração humanista. Responder às necessidades demográficas da nossa economia e preservar a nossa identidade", notou.

Para Luís Montenegro esta "é a linha que defendemos para o nosso país e é a linha que defendemos também para a Europa. É a linha que garante a coesão interna, as necessidades económicas e a proteção daas nossas fronteiras".

Ucrânia alvo de "agressão ilegal e injusta"

Já sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia, Luís Montenegro defendeu que "nos devemos orgulhar" nos apoios dados ao país liderado por Volodymyr Zelensky.

"Tantas vezes se critica a capacidade externa da Europa mas creio que nos devemos orgulhar da consistência e da relevância do nosso apoio político, económico e financeiro à Ucrânia face a uma guerra de agressão ilegal e injusta", começou por dizer, salientando que isso "reforça a nossa autonomia estratégica, a nossa capacidade de nos defendermos dos nossos agressores, reforça a necessidade de apostarmos em políticas comuns, de segurança e de defesa".

Mais: para Montengro, este apoio também "capacita as nossas indústrias estratégicas, reforça a dinamização das nossas aliaças e consolida novas parcerias".

"Com uma perpetiva global e dentro desta, com uma visão estratégica, que é Atlântica, que liga Europa ao Brasil, aos EUA, ao Canadá, com uma visão estratégica que liga a Europa a África, que liga o nosso continente e projeto a todas as geografias e parcerias", evidenciou o primeiro-ministro português, concluindo com sua declaração com a partilha dos "princípios que estão subjacentes à história de quase 900 anos de Portugal".

"Contam-nos grandes poetas, como Camões e Pessoa, que há 500 anos Portugal levou Europa ao mundo e desde então a Europa liderou o mundo e foi escrendo páginas douradas na nossa história coletiva. Hoje, num contexto em que o mundo desafia a Europa, Portugal, como parte deste corpo europeu, parte desta alma Atlânica, com uma vocação universalista, renova o empenho em fazer parte desta nossa Europa, a Europa da Paz, do progresso, da liberdade e da cultura. A Europa que foi acolhendo novos mundos, que acolheu Portugal há 40 anos e que não pode ser indiferente perante a ambição dos países que se querem juntar a nós com toda a mais valia política, económica e social que esse alargamento comporta também", enfatizou.

Orçamento da UE: PM não entra em

Orçamento da UE: PM não entra em "concurso de pedinchices", mas faz aviso

O primeiro-ministro recusou hoje entrar num "concurso de pedinchices" sobre o próximo orçamento da UE, avisando que será "intransigente" com cortes na política de coesão e sublinhando que Portugal contribui mais em termos proporcionais do que os países 'frugais'.

Lusa | 10:58 - 06/10/2026

Montenegro sublinhou ainda a necessidade de a Europa se tornar "mais competitiva e mais coesa, mais segura e mais sustentável, mais próxima e menos burocrática". "É aquilo que os europeus esperam de nós", admitiu, lembrando os restantes deputados e líderes europeus que "é essa a Europa que temos necessidade de dar às próximas gerações de europeus".

Em jeito de conclusão, o governante português disse que "é nesta Europa que vamos continuar a colocar a nossa energia para construir um projeto comum, de prosperidade, paz e justiça".

Recondução de Costa e Metsola?

Recondução de Costa e Metsola? "Caminho que garante mais estabilidade"

Luís Montenegro apoia o segundo mandato de António Costa no Conselho Europeu e Roberta Metsola no Parlamento Europeu. Para o primeiro-ministro português, este é o "caminho que garante mais estabilidade".

Natacha Nunes Costa | 09:54 - 06/10/2026