Porto x Alverca: "Dois penalties bem assinalados!"

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Sem Falta, da Rádio Observador. Primeira jornada do campeonato, o Porto recebeu e bateu por duas bolas a zero a equipa do Alverca, num jogo que, Pedro Henriques, foi apitado por Luís Godinho.

Boa tarde.

Quiçá. Boa noite, neste caso. Já tarde na noite, é verdade.

Começámos tarde e acabamos de noite.

E vamos acabar tarde à noite. Sem Falta, com o nosso amigo Pedro Henriques. O árbitro foi Luís Godinho, um dos melhores da nossa praça. Pedro Henriques, vamos logo ao minuto cinco, porque houve penalti para o Porto. Nós aqui não percebemos imediatamente, mas depois as imagens revelaram que houve a melhor decisão da equipa de arbitragem. Foi um lance de wrestling do guarda-redes do Alverca.

Sim, é por aí. Exatamente, porque as pessoas acham que como o André Silva já tinha cabeceado, porque a bola já não estava lá, esquecem-se que nem que a bola esteja na outra área e na outra área contrária houver um jogador que agarra ou empurra ou faça uma falta sobre o adversário, é penalti na mesma. Portanto, não importa a bola estar lá. Isso é um fator importante. O que acontece? André Silva, após o cruzamento que é feito, chega primeiro à bola, cabeceia e o guarda-redes do Alverca, o Matheus Mendes, chega claramente depois e de forma deliberada, e isso vê-se sobretudo nas imagens do VAR, abre o braço esquerdo e atinge claramente o peito do avançado dos dragões. E atinge, além do gesto em si ser um movimento deliberado, não é aquilo que parecia inicialmente, que ia já com os braços abertos, ia em mancha. Não. Ele abre o braço, atinge, derruba. A bola, por acaso, ainda estava dentro do terreno de jogo, não obstante o cabeceamento já ter sido feito e, portanto, é uma entrada negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato na maneira como aborda o lance e daí o árbitro, depois de ser chamado pelo videoárbitro, ter assinalado, e bem, o pontapé de penalti e mostrado o cartão amarelo, conforme o árbitro explicou, pela negligência. Portanto, tudo certo nesta decisão, somando aqui a entrada, obviamente, do videoárbitro.

Temos depois ao minuto 11 uma reclamação de Chiquinho na área do Futebol Clube do Porto, um eventual penalti a favor do Alverca, que não foi marcado.

Não, era o eventual mão, aliás, foi mesmo braço do Chiquinho.

Ah, sim, penalti de Chiquinho na área.

Exato.

Foi um lance na área do Alverca e não do Futebol Clube do Porto.

Exatamente.

Ao minuto 11 com o Chiquinho, reclamavam penalti os homens do Porto, Pedro.

Sim, é um pontapé livre batido por William Gomes e o Chiquinho é o único que está na barreira, é um pontapé livre lateral, em termos de área, e o Chiquinho salta e leva com a bola na zona do cotovelo. Há ali um pedido, um esboço de pontapé de penalti, mas depois as imagens são muito claras. O Chiquinho quando salta, dobra ambos os braços, e nomeadamente o esquerdo, e a bola vai bater na zona do cotovelo e lá está, braço esquerdo dobrado, junto, encostado ao corpo, sem a tal voluntariedade extra. Boa decisão, sem penalti e o VAR a confirmar a boa decisão que o Luís Godinho tinha tomado dentro de campo.

Temos depois ao minuto 28, um lance que, apesar de não ser dos mais sonantes, nem dos mais polémicos, é de grande interesse porque houve aqui uma mudança no protocolo, cumpriu-se uma regra que foi mudada depois do ano passado ter havido um lance muito polémico entre o Sporting e Santa Clara nos Açores, em que o Sporting beneficiou de um canto que seria pontapé de baliza e com isso marcou um golo. Ora, agora, com muita rapidez, sem afetar em nada o ritmo do jogo, dá para decidir muito rapidamente e aconteceu essa troca ao minuto 28.

De forma rápida, o Isaac James toca na bola e esta antes de sair, bate no pé do William Gomes. O árbitro e o assistente, de forma incorreta, deram canto, mas o VAR reverteu e de forma muito rápida para pontapé de baliza. Esta é uma daquelas alterações em que desde que o videoárbitro tenha uma imagem esclarecedora e seja rápido na atuação, no sentido de olhar e ter a tal imagem esclarecedora, pode reverter situações de canto mal assinaladas para pontapé de baliza. E por que acontece isto assim e não acontece ao contrário, de forma rápida? Pelo seguinte, é porque um canto é uma ação de bloco de finalização. Tu empurras a bola para a área e daí pode nascer um gol. Se fosse ao contrário, e para evitar tantas intervenções do VAR, em que haveria uma situação em que o árbitro se equivocava a dar um pontapé de baliza, e por que quando se equivoca a dar um pontapé de baliza não acontece isso? Porque do pontapé de baliza, a equipa que vai sair a jogar tem 100 metros para percorrer, para chegar ao outro lado, para marcar um gol. Ou seja, de um canto, pode nascer imediatamente um gol, do pontapé de baliza, tens toda a equipa adversária reposta, mesmo que tenhas-te enganado a dar esse pontapé de baliza, e tens 100 metros para percorrer para chegares ao gol. E portanto, é diferente. E é por isso, para evitar também tantas intervenções do VAR, que esta é uma daquelas decisões que já tinha entrado em vigor no Mundial, a propósito até do tal lance do Santa Clara e do Sporting, que nasceu um gol e depois houve muita polêmica. Aqui temos uma boa intervenção do videoárbitro aplicando o protocolo e é daquelas que é rápida e vem repor a verdade desportiva.

Temos depois ao minuto 40, o segundo penalti para o Futebol Clube do Porto, mais um sofrido por André Silva, que a tentar chegar a uma bola no segundo poste, acabou por ser puxado de forma por demais evidente.

Exato. O Nabil Touaizi, de forma deliberada, agarra e puxa por trás a camisola de André Silva, derrubando e impedindo, inclusivamente, de ele poder chegar à bola. E uma vez mais, o VAR a intervir e a chamar o árbitro ao monitor, que confirma, de forma muito rápida, o pontapé de penalti. Neste lance, nós na altura não abordamos no direto, mas porque depois surgiu essa questão nas redes sociais, não há fora de jogo. Portanto, o jogador que é agarrado, neste caso, o André Silva, não está em fora de jogo. O jogador que está no lado contrário, do que eu visei, e que está a tentar fazer contenção quando a bola é cruzada, está a pôr claramente em jogo o André Silva. Portanto, resumindo e concluindo, e obviamente que o VAR também confirmou isso, não só não há fora de jogo, como há pontapé de penalti, por isso segunda e boa decisão com uma ajuda preciosa do videoárbitro.

Temos depois, já na segunda parte, ao minuto 52, amarelo para Bojang, da equipa do Alverca. Bem mostrado?

Certo. Com o pé direito, pontapeia ali na zona do joelho direito o PP, é aquele lance à entrada da área dos ribatejanos e é uma entrada negligente, durinha. Ao mesmo tempo que é entrada negligente, corta um ataque promissor, porque o PP ia em velocidade para entrar na área e portanto, livre direto e cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois, para fechar os lances deste encontro, ao minuto 89, amarelo para Chiquinho, um dos mais inconformados do lado do Alverca.

Sim, é um lance em que o Davy faz falta sobre o Vargas Saenz, o árbitro assinala essa falta e ato contínuo percebe-se que é mostrado o cartão amarelo ao Chiquinho. Eu vou dizer que é por algum comportamento desportivo ou foi pela discussão, por quê? Porque entretanto com as repetições que estavam a dar do lance, já só se vê a parte final. Ou talvez porque o Chiquinho não tenha deixado repor a bola em jogo de forma rápida, e daí depois haver até ali uma conversa um bocadinho mais acesa entre árbitro e o Chiquinho. O certo é que saiu por esse tal comportamento desportivo, seja porque não deixou repor ou por alguma discussão que fez com o árbitro, levou o cartão amarelo.

Temos nota para Luís Godinho. Que nota merece Luís Godinho nesta primeira jornada? Vitória do Porto sobre o Alverca, jogo que se jogou no Estádio do Dragão.

Eu vou dar nota ao VAR.

Nota ao VAR.

Porque obviamente, claro que faz parte da equipa de arbitragem, o Luís Godinho, na realidade, não conseguiu ver dois pontapés de pênalti, que não eram de todo fáceis de ver e precisou da ajuda do VAR. Dando nota, incluindo o VAR, nos dois gols, que são os dois gols que acabam por decidir o jogo, os únicos do jogo, naturalmente que a nota tem que ser positiva. Eu diria que tivemos VAR em dose dupla ou VAR ao quadrado, como quisermos dizer, porque foi o VAR que efetivamente acaba por resolver dois casos, dois lances, e de forma muito assertiva. E isso pra mim é efetivamente aquilo que realça deste jogo. Nota 7 para a equipa de arbitragem.

Nota 7 para a equipa de arbitragem e não especificamente para Luís Godinho.

Exatamente. E muito para o VAR.

Está feito, sem falta deste Futebol Clube do Porto 2, Alverca 0. A minha nota 7 para a equipa de arbitragem liderada por Luís Godinho. Até à próxima.

Um abraço. Obrigado.