Portugal quer finais e medalhas, porque passado não dá títulos
"A nossa comitiva é a maior de sempre porque corresponde ao bom momento que estamos a atravessar, em termos de competitividade", começou por dizer à agência Lusa Rui Ferreira, que é, juntamente com Ricardo Vale, um dos 'team leaders' da seleção portuguesa de 55 atletas na 27.ª edição dos Europeus, a disputar entre segunda-feira e 16 de agosto.
Os campeões do mundo ao ar livre em Tóquio2025 Pedro Pablo Pichardo, no triplo salto, e Isaac Nader, nos 1.500 metros, e 'indoor' em Torun2026 Agate de Sousa e Gerson Baldé, ambos no salto em comprimento, reforçam esta ambição, segundo Rui Ferreira.
"Ninguém entra em competição com a vantagem de ter sido campeão do mundo ou por ter qualquer outro título e a nossa direção, composta por pessoas do terreno, ex-atletas e ex-treinadores, sabemos que a pressão, se for mal exercida, acaba por ter um efeito contraproducente", avisou.
Assim, com esta "postura descontraída e encorajadora", a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) espera que os resultados possam "sair de uma forma natural e tranquila" numa comitiva em que 32 atletas já melhoraram os recordes pessoais em 2026.
"Além dos campeões do mundo, temos também vários recordistas nacionais com marcas conseguidas este ano, temos atletas muito bem posicionados no ranking, por isso, estamos otimistas e, no fim, ficaremos satisfeitos com o maior número de medalhas possíveis, mas também, o máximo de lugares de finalistas [entre os oito primeiros classificados]", vincou.
Tatjana Pinto, nos 100 metros, Fatoumata Diallo e Sofia Lavreshina, nos 400 barreiras, Vitória Oliveira e João Vieira, na estreante meia maratona em marcha, e Joana Pontes, na maratona da mesma disciplina, juntamente com José Carlos Pinto, nos 5.000 metros, Pedro Buaró, no salto com vara, e Gerson Baldé, no comprimento, são os novos recordistas nacionais presentes em Birmingham2026.
Na segunda cidade inglesa, juntam-se ainda as igualmente recordistas recentes nas estafetas 4x100 metros mista e 4x400 metros masculina, e Jéssica Barreira, nos 100 metros barreiras, que vai alinhar no heptatlo, depois de também ter melhorado a melhor marca de sempre nacional, 21 anos depois.
"Não estamos só focados no número de medalhas, queremos que os nossos atletas cheguem nas melhores condições possíveis, porque se assim for, e se estiverem num dia positivo e que tudo corra pelo melhor, naturalmente vamos ter bons resultados", sentenciou.
Rui Ferreira destacou ainda o "esforço financeiro significativo" para concretizar uma delegação tão extensa, num "misto de altíssimo nível, com jovens com enorme potencial que vêem nos primeiros [nos consagrados] uma inspiração e um modelo a seguir".
"Temos um bocadinho de tudo, um misto de experiência, juventude, competitividade e até atletas que vão pela primeira vez já numa fase adiantada da carreira. Achamos que é este o caminho, dar oportunidade para que possam mostrar o que vale, preparando o futuro, sendo que, indo numa forma mais descontraída, por vezes é aí que também saem grandes resultados", admitiu.
Destaque ainda para João Vieira, que, aos 50 anos, vai tornar-se no atleta com mais presenças em Europeus, ao somar a sua oitava, um registo apenas superado pela francesa Mélina Robert-Michon, de 47, que vai cumprir no concurso de lançamento do disco a sua nona participação.
Portugal vai estrear-se na estafeta 4x100 mistos em Europeus, contando ainda com a ausência de Samuel Barata e Susana Santos, na maratona, e do recordista do lançamento do dardo Leandro Ramos, por opção, a fim de disputar os Jogos do Mediterrâneo, e de Etson Barros, que já estava qualificado para os 3.000 metros obstáculos antes de sofrer um grave acidente de viação, em abril.
"Não temos nenhuma ação ou plano específico relativamente a esta triste ausência, mas temos sempre uma palavra de solidariedade e ânimo para com o Etson, nesta luta que atravessa, porque, mais uma vez, achamos mais importante apoiar, até de uma forma mais discreta, o atleta, o treinador [Paulo Murta], que também passou momentos muito difíceis, e à família", concluiu.
A delegação lusa para os 27.ºs Campeonatos da Europa eleva para 55 a maior representação de sempre, depois dos 50 em Roma2024, e volta a ser liderada por Domingos Castro, uma tradição desde que o antigo atleta sucedeu a Jorge Vieira na liderança da FPA.
Portugal soma 41 medalhas em Europeus de atletismo, 16 das quais de ouro, por Rosa Mota, na maratona, em Atenas1982, Estugarda1986 e Split1990, por Manuela Machado, na maratona, em Helsínquia1994 e Budapeste1998, por Fernanda Ribeiro, nos 10.000 metros, em Helsínquia1994, por António Pinto, nos 10.000 metros, em Budapeste1998.
Já no século XXI, por Francis Obikwelu, nos 100 metros, em Munique2002 e Gotemburgo2006, e nos 200 metros, em Gotemburgo2006, por Dulce Félix, nos 10.000 metros, em Helsínquia2012, por Patrícia Mamona, no triplo salto, em Amesterdão2016, por Sara Moreira, na meia maratona, em Amesterdão2016, por Nelson Évora, no triplo salto, em Berlim2018, por Inês Henriques, nos 50 quilómetros marcha, em Berlim2018, e por Pedro Pichardo, no triplo, em Munique2022.
Nas 25 presenças - Portugal não teve atletas em Oslo1946 -, subiram ainda 25 vezes ao pódio, conquistando 15 medalhas de prata e 10 de bronze.
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