Poucas explicações de Zelensky e Netanyahu, silêncio total de Trump: como foram encontros na Casa Branca?
Presidente dos Estados Unidos encontrou os líderes da Ucrânia e de Israel na sua residência oficial. Nenhum conversou com jornalistas e poucas são as declarações sobre os assuntos abordados pelos políticos
Esta terça-feira, Donald Trump encontrou-se com Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu na Casa Branca. Ao contrário do que costuma acontecer, os políticos não concederam entrevistas antes ou depois das conversas, que ocorreram separadamente, e manifestaram-se apenas através das suas redes sociais oficiais.
O primeiro a chegar à residência oficial do chefe de Estado norte-americano foi Zelensky. O presidente da Ucrânia esteve no local a partir das 14:54, permanecendo até ao fim da reunião, que ocorreu pelas 16:30 (em Portugal continental).
Do lado ucraniano, a delegação estava recheada de autoridades. Também estiveram presentes Olga Stefanishyna, embaixadora do país nos EUA; Kyrylo Budanov, chefe de gabinete do presidente e antigo líder das secretas; Andriy Sybiha, ministro dos Negócios Estrangeiros; Davyd Arakhamia, líder parlamentar do Servo do Povo; Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança e Defesa Naiconal; e Serhiy Kyslytsia e Pavlo Palis, que compõem a vice-liderança do Servo do Povo.
Enquanto isso, representando os norte-americanos estavam, além de Donald Trump, Marco Rubio (secretário de Estado), Scott Bessent (secretário do Tesouro) e Pete Hegseth (secretário de Defesa).
Existia a expectativa de que os países abordassem propostas para o fim da guerra que poderiam ser levadas à Rússia, mas isso parece não ter acontecido. Após a reunião, Zelensky foi às redes sociais para celebrar a "boa" conversa com o líder da extrema-direita americana. Segundo o ucraniano, ambos discutiram "as licenças para a produção do interceptor Patriot e várias outras ideias que poderiam ajudar", assim como "diplomacia", que precisa ser "revitalizada".
Reunião entre Trump e Netanyahu
Às 16:09, Benjamin Netanyahu chegou à Casa Branca, onde conversou com Donald Trump até às 17:33. O primeiro-ministro israelita também não falou com jornalistas e optou por comentar a conversa com o chefe de Estado norte-americano através de um vídeo publicado no Instagram. No entanto, a publicação deu poucas explicações sobre os assuntos debatidos entre os dois.
O encontro era antecipado mundialmente devido à intensificação recente no conflito contra o Irão, que causa problemas globais no fornecimento de petróleo. Além disso, recentemente, Trump chegou a demonstrar descontentamento com as ações do primeiro-ministro israelita. No entanto, o comunicado de Netanyahu indica que ambos continuam na mesma página em relação à guerra no Médio Oriente.
"Foi uma das melhores conversas que já tive com o nosso amigo, o presidente dos EUA, Trump", disse. Foi "uma oportunidade para trocar ideias e também para coordenar questões importantes para a segurança e para o futuro de Israel".
Segundo o primeiro-ministro, a reunião foi "marcada pela cooperação total, pelo apoio mútuo e pelo consenso quanto ao objetivo comum de que o Irão não venha a possuir armas nucleares, bem como a outros objetivos".
Desta vez, o lado americano contou com JD Vance (vice-presidente) e Seteve Witkoff (enviado especial para o Médio Oriente).
O que disse a Casa Branca?
A Casa Branca emitiu apenas um pequeno comunicado em que comentou os dois encontros de uma só vez. "O presidente Trump concluiu as suas reuniões na Sala Oval com o presidente Zelenskyy e o primeiro-ministro Netanyahu. Ambas as reuniões foram positivas e produtivas!", disse a porta-voz Karoline Leavitt.
Nas redes sociais do presidente republicano, o assunto não chegou a ser abordado. A primeira publicação de Trump na TruthSocial após as reuniões ocorreu pouco depois das 18:00. O chefe de Estado, porém, ignorou os encontros diplomáticos e compartilhou o vídeo de um salvamento de jovem que estava a afogar-se no país. "Vamos chamar este jovem heroico e a sua família à Casa Branca com, talvez, o miúdo que ele salvou, para dar-lhe a High Civilian Honor. Muito corajoso, ele merece!", escreveu.