Preços mundiais dos alimentos voltam a subir. Açúcar dispara quase 12%
O índice de preços mundiais calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que regista as variações mensais dos preços internacionais de um cabaz de produtos alimentares comercializados a nível mundial, registou uma média de 133,3 pontos em agosto.
Por produtos, o índice dos cereais aumentou 2,2% desde julho, uma vez que os preços internacionais de todos os principais cereais subiram devido à forte procura de importações, à crescente preocupação com as perspetivas das colheitas e à contínua incerteza em torno dos fluxos comerciais.
No caso do trigo, a cotação mundial subiu 2,6% e situou-se 15% acima do nível do ano anterior, "num contexto de interrupções persistentes na logística de exportação do Mar Negro, de perspetivas de produção mais baixas em grande parte da Europa na sequência do clima quente e seco e da desvalorização do dólar norte-americano".
O preço do milho também subiu 2,5%, impulsionado "pela crescente preocupação com as perspetivas de rendimento" em algumas regiões dos Estados Unidos, pela deterioração das perspetivas de produção na União Europeia (UE), pela forte procura dos setores do etanol e das rações animais, bem como pelas interrupções no abastecimento de matérias-primas devido ao encerramento do estreito de Ormuz e aos fluxos de exportação da Ucrânia.
Também o preço do arroz aumentou 0,5%, apoiado pelas compras sustentadas dos países asiáticos e africanos.
No que diz respeito aos óleos vegetais, este índice também registou um aumento de 1,1% em relação a julho, refletindo a subida dos preços do óleo de palma e de soja, impulsionada pela forte procura mundial de importações e pela preocupação com o impacto do fenómeno climático El Niño nas perspetivas de produção no sudeste asiático.
No entanto, as cotações dos óleos de colza e de girassol registaram uma ligeira descida, face às expectativas de uma oferta abundante durante o próximo ano.
Já o índice de preços da carne aumentou 1%, com subidas nos preços da carne de aves, ovina e suína, neste último caso, devido às altas temperaturas que abrandaram o crescimento dos animais na UE.
Em contrapartida, o preço da carne de bovino registou uma descida.
Os laticínios registaram um aumento de 2,3% devido à escassez de abastecimento de leite na UE, causada pelo clima quente e seco.
Durante o mês de agosto, um dos aumentos mais acentuados foi o do açúcar (11,9%), impactado pelas expectativas de rendimentos mais baixos da beterraba na Europa devido às condições climáticas adversas, entre outros fatores.
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