Presidente do INEM nega retirada de 100 ambulâncias: "Totalmente falso"

🗓️ 2026-07-27 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cabral, esclareceu, esta segunda-feira, que não serão retiradas 100 ambulâncias do dispositivo, mas que haverá, sim, um reforço. Disse ainda ser de uma "enorme irresponsabilidade" deixar a ideia no ar de que o país ficará com menos meios.

"É totalmente falso. É de uma enorme irresponsabilidade até do ponto de vista social e acho que denota apenas algum desespero dizer que vão fechar 100 ambulâncias do INEM", começou por dizer, em entrevista, à SIC Notícias. 

E acrescentou: "Quando assumimos o Conselho Diretivo do INEM, assumimos que havia falta de meios, ou seja, tínhamos uma dificuldade de meios em áreas muito concretas, nomeadamente em Lisboa, Margem Sul e Algarve, e fizemos um reforço desde novembro até agora em 55 novas ambulâncias". 

De recordar que a Comissão de Trabalhadores denunciou que iriam ser retiradas 100 ambulâncias do INEM e que a retirada dessas ambulâncias afetaria 71 municípios portugueses, incluindo Lisboa e Porto.

Na óptica de Luís Cabral, "não é possível e não deve ser desejável atirar areia para os olhos dos portugueses nesta matéria", explicando que o INEM "quer reforçar o dispositivo".

"Enquanto presidente do INEM, não quereria estar aqui a dizer que íamos perder cerca de 20% da nossa capacidade operacional e, no fundo, aumentar tempos de resposta. Aquilo que estamos a querer fazer é alocar as viaturas, por exemplo as SIV, à verdadeira resposta para a qual são necessárias, nomeadamente nas situações mais diferenciadas", disse. 

"Hoje em dia temos cerca de 88%, ou seja, 90% das ativações em que vai uma SIV, vai também uma ambulância de Suporte Básico de Vida associada. Ou seja, há duas ambulâncias para uma mesma pessoa. Isto é completamente irracional", prosseguiu. 

Questionado sobre se estas ambulâncias continuariam ao serviço da população, mas não do INEM diretamente, Luís Cabral salientou que "há duas questões que devem ser separadas": "Uma é que são 50 ambulâncias do INEM, não são 54. Neste momento, são 50 ambulâncias. Existem ambulâncias que estão a ser contabilizadas que já não funcionam há meses por falta de recursos humanos e tivemos de contratar [ambulâncias] aos bombeiros voluntários dentro da cidade de Lisboa para dar essa resposta", afirmou. 

E continuou: "Essa ambulâncias, aquilo que nós preconizamos é que possam ser sediadas nas Unidades Locais de Saúde, nos hospitais, garantindo melhores bases operacionais para os nossos trabalhadores, para os STEPH, garantindo maior proximidade e melhor distribuição por todo país, coisa que não acontece hoje em dia, e uma resposta integrada, por exemplo, nas situações de via verde".

Luís Cabral assumiu ser "completamente estranho que uma pessoa que tenha um AVC num hospital que não tenha capacidade para dar essa resposta, tenha de ficar à espera horas por uma ambulância, quando nós enquanto INEM temos essa capacidade de resposta e devemos tratar a pessoa que tem um AVC no hospital da mesma forma que uma pessoa que tem um AVC num local público". 

Sobre se recusa esta preocupação por parte dos trabalhadores do INEM de que esta alteração vai sobrecarregar a Cruz Vermelha e os próprios bombeiros, o presidente do INEM sublinhou que, neste momento, "eles já são sobrecarregados". 

"Estamos a enviar duas ambulâncias para a mesma pessoa. Isto não faz sentido, isto é uma perda de recursos. Estou a falar de dados atuais, dados dos primeiros seis meses deste ano, em que 90% das situações em que foi enviada uma SIV, foi também enviada também outra ambulância. Estes dois meios simultâneos para uma única pessoa para ser transferida não faz sentido", apontou. 

Questionado sobre se a declaração que fez tinha sanado possíveis dúvidas e os trabalhadores ficariam esclarecidos, Luís Cabral referiu que "todas estas questões, estas mentiras, estas falsas questões que têm sido levantadas, criam dúvidas nas pessoas". 

"Era importante que as estruturas representantes dos trabalhadores tivessem alguma responsabilidade neste processo. Nós sempre estivemos disponíveis para qualquer diálogo com todas as estruturas sobre esta matéria. Infelizmente, algumas entidades optaram por não dialogar connosco, não fazer este caminho que tem de ser feito", notou. 

O presidente do INEM reforçou que "a reforma do INEM teria de ser feita de qualquer forma porque não poderíamos continuar a falhar aos portugueses".

Nova polémica no INEM (e ameaça de nova greve). Afinal, o que se passa?

Nova polémica no INEM (e ameaça de nova greve). Afinal, o que se passa?

Após o presidente do INEM ter confirmado a transferência das ambulâncias para as ULS, a Comissão de Trabalhadores defendeu que "não estamos perante um reforço", mas sim "a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo", algo que o INEM desmente. STEPH ameaça com ações de protesto que podem culminar em greve.

Tomásia Sousa, Lusa | 08:46 - 27/07/2026