Presidente do Líbano quer acordo de segurança com Israel

🗓️ 2026-09-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

"Não temos outra opção além das negociações, pois a alternativa é a guerra, que seria muito onerosa para nós", justificou Aoun, numa entrevista à agência francesa AFP.

Aoun vai participar na quinta-feira, em Paris, ao lado do Presidente Emmanuel Macron e do rei Abdullah II da Jordânia, numa reunião para preparar o apoio internacional ao destacamento do exército libanês em todo o território.

As tropas libanesas deverão desdobrar-se no sul após uma retirada progressiva das forças israelitas, no âmbito do acordo alcançado entre o Líbano e Israel em junho, sob mediação norte-americana.

O acordo prevê o desarmamento do movimento libanês pró-iraniano Hezbollah, que Aoun disse ser uma decisão de Beirute que "não é negociável nem objeto de debate".

Rejeitou que o objetivo seja um confronto das forças libanesas com as milícias armadas do Hezbollah, que tem representação parlamentar.

"Estamos determinados a resolver este dossiê de forma pacífica", afirmou, recusando a ideia de "construir um Estado ao preço de um conflito sangrento no Líbano ou de uma nova guerra civil".

O Hezbollah arrastou o Líbano para duas guerras sucessivas contra o vizinho Israel, a primeira em 2023, para apoiar o Hamas palestiniano, e a segunda em março passado, em apoio ao Irão.

Os dois conflitos causaram cerca de 9.000 mortos, segundo as autoridades libanesas.

Apesar de um cessar-fogo em vigor, o exército israelita continua a ocupação de uma parte do sul do Líbano e tem mantido os ataques contra alegados alvos do Hezbollah.

Aoun disse ter "sido claro com os iranianos", patrocinadores do Hezbollah.

"As vossas relações com o Líbano devem basear-se no respeito mútuo e na não-ingerência nos assuntos internos dos libaneses", declarou à AFP.

Aoun defendeu as negociações com Israel, rejeitadas pelo Hezbollah, e disse que o acordo de segurança visa "pôr fim ao estado de hostilidade e permitir o destacamento do exército [libanês] na fronteira".

"Isso poderá constituir o prelúdio para um posterior acordo de paz, mas (...) temos de avançar passo a passo", a começar pela retirada israelita, afirmou.

Perante o fim do mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) em dezembro, Aoun disse querer uma nova força no sul do país, europeia ou outra, para evitar um vazio de segurança.

"Os nossos parceiros árabes e europeus, bem como os Estados Unidos e os nossos amigos, devem assumir connosco a responsabilidade de apoiar o exército e fortalecer o Estado libanês", declarou.

Aoun disse que o destacamento da nova força internacional será "temporário, até que o exército [libanês] esteja em condições de se desdobrar" no sul do Líbano.

O antigo comandante-chefe defendeu, no entanto, que o apoio internacional às forças armadas libanesas deve ser a longo prazo.

"Não queremos um apoio temporário (...), queremos um calendário a longo prazo e um plano global", afirmou, referindo que vai abordar a questão com Macron em Paris.

A França é um importante contribuinte para FINUL.

Aoun considerou que "a melhor opção" seria "prorrogar o mandato da FINUL".

Mas, sob pressão norte-americana, o Conselho de Segurança da ONU decidiu em agosto de 2025 fixar em dezembro o fim do mandato da força internacional, testemunha impotente da violência no sul do Líbano desde 1978.

"Qualquer que seja a natureza dessa força, não tenho qualquer problema: europeia, não europeia, norte-americana, outra força das Nações Unidas, asiática, ou até uma mistura de forças europeias, árabes e asiáticas", declarou.

Sobre as próximas eleições legislativas em Israel, Aoun disse tratar-se de uma questão interna israelita.

Mas disse aos israelitas que só a sua retirada do sul do Líbano e o destacamento das forças libanesas podem assegurar "estabilidade, segurança e a ausência de guerra" nas fronteiras de Israel.

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