Presidente libanês saúda "primeiro passo" para acordo com Israel

🗓️ 2026-09-04 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em comunicado, Joseph Aoun manifestou gratidão "por todos os esforços e negociações empreendidos", destacando a mediação dos Estados Unidos e o papel das organizações internacionais, incluindo o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Estes esforços "levaram à libertação do primeiro grupo de detidos libaneses pelo Governo israelita", afirmou Aoun, após a a Cruz Vermelha ter hoje confirmado a devolução de quatro prisioneiros libaneses, que se juntam a outro libertado no dia anterior.

"Este primeiro passo reafirma a validade da posição firme do Líbano, em todas as suas componentes", sustentou Aoun, deixando no entanto o aviso para a necessidade de "se concluir as etapas necessárias, tal como estabelecidas no âmbito do mecanismo tripartido".

O líder libanês referia-se em particular às posições que o exército israelita ocupa no sul do país, onde se confronta com as milícias do grupo xiita Hezbollah, que não reconhece o diálogo direto entre as autoridades de Telavive e de Beirute, bem como as medidas anunciadas para o seu desarmamento voluntário.

Para Joseph Aoun, um acordo com Israel permitirá "a restauração da plena soberania" libanesa, "sem diminuir um único centímetro" do território, nem "deixar escapar um único ser humano" da sua população.

O Líbano, disse ainda Aoun, continuará a lutar para "alcançar todas as exigências e objetivos nacionais", incluindo a libertação de 34 pessoas detidas pelas autoridades israelitas durante a ocupação no sul do Líbano.

Os cinco primeiros libaneses foram libertados depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter indicado que, na sequência dos interrogatórios, se trata de civis "não envolvidos em atividades terroristas".

Apesar das negociações entre as partes nos últimos meses com patrocínio da diplomacia de Washington, Israel e Hezbollah têm prosseguido os confrontos.

O chefe do Governo israelita reafirmou em várias ocasiões que as suas tropas só abandonarão o país vizinho quando o grupo libanês aliado do Irão for desarmado e deixar de constituir uma ameaça para Israel.

A par da libertação dos prisioneiros libaneses, Israel anunciou na quinta-feira que a "zona de segurança" ocupada pelo seu exército no sul do Líbano foi consolidada com a captura de uma cordilheira que servia de posição estratégica para o Hezbollah.

"A captura da cordilheira Ali Taher marca a conclusão do controlo da zona de segurança no sul do Líbano", declarou o ministro da Defesa, Israel Katz, num vídeo divulgado pelo seu gabinete.

Segundo o ministro, o Hezbollah tinha escavado túneis nesta zona, permitindo o lançamento de drones e mísseis contra posições militares israelitas no sul do Líbano e contra o norte de Israel, do outro lado da fronteira.

No final de maio, Israel assumiu o controlo de outra posição estratégica no sul do Líbano, a fortaleza medieval de Beaufort.

A nova ronda de diálogo das negociações entre Beirute e Telavive não tem ainda data marcada, após um acordo alcançado em junho para a criação de zonas piloto no sul do Líbano, que visa substituir as tropas ocupantes israelitas por militares do exército regular libanês.

Paralelamente, é esperada uma conferência internacional de apoio ao exército libanês e sua incumbência de desarmar o Hezbollah, estando uma reunião preparatória programada para 17 de setembro em Paris.

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país desde o conflito anterior, provocando mais de 4.300 mortes e deixando acima de um milhão de deslocados, segundo as autoridades de Beirute.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão. 

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