Presos condenados à morte cumprem 15 dias de greve de fome no Irão

🗓️ 2026-07-28 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Os reclusos de uma das alas da prisão realizaram um protesto sentado e recusaram aceitar as refeições, de acordo com a organização não-governamental (ONG) iraniana HRANA.

Na segunda-feira, durante o 14.º dia da greve, cerca de 140 reclusos não condenados à pena capital foram transferidos da Ala 2 para uma sala da Ala 1 de Ghezel Hesar.

Na última semana, centenas de reclusos não condenados à morte foram transferidos da Ala 2 para outras secções da prisão, depois de as autoridades prisionais terem dedicido que na Ala 2 apenas permaneçam reclusos condenados à morte, acrescentou a ONG.

Os funcionários prisionais ainda não deram qualquer explicação sobre o motivo ou a forma como estas transferências foram realizadas, indicou.

Nos últimos dias foram também publicados vários relatórios e imagens do interior da prisão de Ghezel Hesar, documentando aspetos da greve de fome e do protesto dos reclusos.

A greve começou a 13 de julho, depois de seis reclusos condenados à morte por crimes relacionados com drogas terem sido transferidos para o regime de isolamento.

Desde então, os reclusos em protesto têm recusado aceitar as refeições da prisão, ao mesmo tempo que exigem o fim das execuções.

As autoridades iranianas executaram hoje dois homens, condenados por alegada participação no homicídio de agentes da polícia em Isfahan (centro) durante os protestos antigovernamentais de janeiro, o que elevou para 26 o número de manifestantes executados.

A Amnistia Internacional (AI) e outras ONG destacaram que o Irão é o país que mais recorre à pena capital, a seguir à China.

As autoridades iranianas executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, um recorde desde 1989, disseram a Iran Human Rights (IHRNGO), sediada em Oslo, e a Ensemble contre la peine de mort (ECPM), com sede em Paris.

Pelo menos outras 60 pessoas podem ser executadas a qualquer momento, referiu a AI.

Num comunicado, a AI alertou que, entre as pessoas que continuam condenadas à morte na sequência dos protestos de janeiro de 2026, estão pelo menos três menores de idade na altura dos acontecimentos e cuja execução violaria gravemente a legislação internacional.

A ONG especificou que as últimas execuções confirmadas são as de Amir Hossein Safari e Abolfazl Sepahi, realizadas publicamente depois de um julgamento coletivo marcado por irregularidades, na sequência da morte de quatro polícias em Isfahan.

Ambos tinham sido detidos a 08 de janeiro e condenados com base em confissões obtidas sob custódia, uma prática que já tinha sido utilizada a 19 de julho para executar, no mesmo caso, Erfan Esfandiari e Gol Mohammad Mohammadi.

A Amnistia Internacional indicou que o regime iraniano intensificou a repressão interna, a pretexto das "condições de guerra" decorrentes dos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciados a 28 de fevereiro.

Desde então, as autoridades executaram arbitrariamente pelo menos 52 pessoas por motivos políticos ou relacionados com os protestos.

A ONG atribuiu este aumento à aplicação de figuras penais ambíguas, como "inimizade contra Deus" e "corrupção na terra", bem como à nova Lei da Espionagem promulgada na sequência do conflito de 12 dias, em junho de 2026.

Essa lei classifica como crime capital atos pacíficos como manifestar-se ou partilhar informações sobre violações dos direitos humanos com meios de comunicação internacionais.

Além disso, a 14 de julho, o Ministério das Informações iraniano incluiu mais de 400 pessoas e entidades estrangeiras, como ONG e meios de comunicação independentes, numa lista de organizações hostis, expondo à pena capital qualquer cidadão no país que se comunique com elas.

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