Prestação da casa volta a subir em setembro (e num dos casos vai ter o maior agravamento em quase 3 anos)

🗓️ 2026-08-27 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

As famílias com crédito à habitação indexado à Euribor enfrentam uma nova subida das prestações em setembro, num momento em que as três principais maturidades continuam a registar valores elevados. Os dados disponíveis até 26 de agosto apontam para uma prestação de 673,82 euros nos contratos indexados à Euribor a três meses, de 690,93 euros na Euribor a seis meses e de 711,72 euros na Euribor a 12 meses, considerando um financiamento de 150 mil euros, um prazo de 30 anos e um spread de 1%.

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Nuno Rico, especialista da DECO PROteste, considera que as perspetivas são de agravamento das prestações, numa altura em que as médias da Euribor continuam a subir, num movimento influenciado pelo contexto internacional e, em particular, pelo conflito no Médio Oriente.

“As perspetivas são de aumento sinalizado nas prestações”, explica o especialista, que aponta para a subida das médias da Euribor como um dos fatores que já se traduzem em maiores encargos para quem tem crédito à habitação.

De acordo com Nuno Rico, a trajetória de subida das taxas, que já vinha a ser observada nas últimas semanas, acabou por ser reforçada pelo contexto internacional. Entre as três maturidades, a Euribor a três meses já ultrapassou os 2,5%, enquanto a taxa a 12 meses se aproxima dos 3%.

Euribor a três meses leva prestação para 673,82 euros
Para um financiamento de 150.000 euros, contratado por um período de 30 anos e com um spread de 1%, a média da Euribor a três meses apurada até 26 de agosto situa-se nos 2,503%.

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Com esta média, a prestação mensal de setembro sobe para 673,82 euros.

O aumento é de 22,98 euros face à prestação resultante da anterior revisão, realizada em junho de 2026.

A Euribor a três meses é, assim, a primeira das três maturidades analisadas a superar a barreira dos 2,5%, contribuindo para o agravamento dos encargos mensais das famílias cujos contratos estão associados a esta taxa.

Euribor a seis meses sobe para 2,706% e prestação aumenta 46,82 euros
Na Euribor a seis meses, a situação é ainda mais expressiva. A média apurada até 26 de agosto é de 2,706%, valor que, para o mesmo financiamento de 150 mil euros, a 30 anos e com spread de 1%, resulta numa prestação mensal de 690,93 euros em setembro.

Face à anterior revisão, realizada em março de 2026, o aumento é de 46,82 euros.

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Trata-se do maior agravamento entre as três maturidades no que diz respeito à evolução percentual da taxa e, segundo Nuno Rico, representa também o maior agravamento das prestações nesta maturidade desde novembro de 2023.

“É o maior agravamento, no caso da Euribor 6 meses, é o maior agravamento nestas revisões desde novembro de 2023”, sublinha o especialista da DECO PROteste.

A importância desta subida é particularmente relevante para os consumidores portugueses porque a Euribor a seis meses é a maturidade mais utilizada nos contratos de crédito à habitação em Portugal.

Euribor a 12 meses aproxima-se dos 3% e prestação chega aos 711,72 euros
Na maturidade a 12 meses, a média apurada até 26 de agosto é de 2,949%, ficando muito próxima da fasquia dos 3%.

Para o cenário considerado — 150 mil euros de financiamento, 30 anos de prazo e spread de 1% — a prestação mensal de setembro sobe para 711,72 euros.

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O agravamento é de 70,05 euros face à anterior revisão, realizada em setembro de 2025.

É, em termos absolutos, o maior aumento entre os três cenários apresentados, com a prestação a ultrapassar a fasquia dos 710 euros.

Nuno Rico chama também a atenção para a evolução da Euribor a 12 meses, cuja média aumentou quase 0,01 pontos percentuais face ao mês anterior, aproximando-se agora dos 3%.

Euribor a seis meses aumentou 26% desde o início do conflito
Um dos dados destacados pelo especialista da DECO PROteste é a evolução da Euribor a seis meses desde o início do conflito no Médio Oriente.

Nuno Rico calcula que a média desta maturidade, particularmente relevante para os contratos de crédito à habitação em Portugal, aumentou 26% ao longo dos seis meses desde o início do conflito.

“A Euribor 6 meses tem aqui um aumento de 26% desde o início do conflito”, afirma, explicando que a comparação permite avaliar a evolução da taxa ao longo deste período.

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A subida das taxas acaba por se refletir diretamente nas prestações pagas pelas famílias, sobretudo nos contratos sujeitos a revisões periódicas.

Aumento das prestações surge num contexto de subida do custo de vida
O agravamento do crédito à habitação acontece, contudo, num contexto mais amplo de aumento das despesas das famílias. Nuno Rico destaca em particular a subida dos combustíveis e dos custos da energia, que considera estar a criar uma pressão adicional sobre os orçamentos.

“Este aumento das prestações enquadra-se num aumento generalizado do custo de vida, muito impulsionado pela subida dos combustíveis”, explica.

O especialista alerta ainda para o facto de os aumentos dos custos dos combustíveis e da energia ainda não terem sido totalmente repercutidos na economia.

Segundo Nuno Rico, muitas empresas têm procurado absorver parte desse aumento para limitar o impacto imediato sobre os consumidores. No entanto, essa capacidade poderá diminuir à medida que os custos mais elevados se acumulam e se prolongam.

“As empresas têm tentado, de alguma forma, tentar acomodar uma parte dessa subida, mas que com o passar do tempo e com o acumular destas subidas não vão conseguir fazer o dano em mais tempo”, afirma.

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O efeito conjugado da subida das prestações, dos custos energéticos e dos combustíveis poderá, desta forma, colocar uma pressão crescente sobre os orçamentos familiares durante os próximos meses.

Especialista antecipa um final de ano difícil para as famílias
Perante este cenário, Nuno Rico considera que as famílias deverão preparar-se para um período exigente pelo menos até ao final de 2026.

“Todos aqui temos um contexto que se começa a ser um pouco difícil para as famílias conseguirem gerir para os próximos meses, e pelo menos até ao final do ano”, alerta.

A evolução das taxas continuará dependente do contexto internacional e, sobretudo, do desenvolvimento do conflito no Médio Oriente. Uma alteração significativa nesse cenário poderá influenciar a trajetória das taxas, mas, com a informação disponível a 26 de agosto, não existem sinais de alívio nas prestações.

“Estamos sempre dependentes daquilo que venha a ser o desfecho ou eventual alteração no curso do conflito no Médio Oriente”, salienta o especialista.

Ainda assim, a perspetiva atual é de manutenção da pressão sobre os titulares de crédito à habitação.

Não são esperadas descidas das prestações até ao final do ano
A conclusão de Nuno Rico para as famílias é clara: com os dados disponíveis até 26 de agosto, não é possível antecipar uma descida das prestações até ao final de 2026.

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“Em termos de evolução de Euribor, para já, e considerando a informação que temos até ao dia de hoje, não se perspectiva que haja aqui descidas das prestações até ao final do ano”, afirma.

Assim, para um crédito de 150 mil euros, a 30 anos e com um spread de 1%, a revisão de setembro traduz-se numa prestação de 673,82 euros para a Euribor a três meses, 690,93 euros para a Euribor a seis meses e 711,72 euros para a Euribor a 12 meses.

Os respetivos agravamentos são de 22,98 euros, 46,82 euros e 70,05 euros, tendo como referência, respetivamente, as anteriores revisões de junho de 2026, março de 2026 e setembro de 2025.

Com as três principais maturidades da Euribor em trajetória de subida e sem uma perspetiva de descida das prestações até ao final do ano, as famílias com crédito à habitação deverão continuar a enfrentar uma pressão acrescida sobre o orçamento mensal.