Primeiro teste ao novo Audi A2. Um elétrico mais barato mas pouco
O Audi A2 regressa 27 anos depois, agora elétrico. É mais eficiente e refinado, mas o preço pode voltar a ser o seu maior obstáculo.
Audi A2 e-tron
Primeiras impressões
7.5/10
A Audi trouxe o A2 de volta, agora em formato elétrico. O primeiro contacto revela um compacto muito competente, mas também um velho problema por resolver.
Prós
- Eficiência
- Qualidade
- Condução equilibrada
Contras
- Preço
- Conforto
- Carregamento apenas mediano
Há nomes que carregam um peso particular. O Audi A2 é um deles. Quando foi lançado, em 1999, impressionou pela construção integral em alumínio e pela eficiência. Mas toda essa ambição tecnológica teve um preço demasiado elevado para um compacto e acabou por condená-lo ao fracasso comercial
Vinte e sete anos depois, a Audi volta a apostar na mesma ideia: mostrar até onde pode levar a eficiência de um automóvel compacto.

Desta vez, porém, a receita é diferente. A estrutura em alumínio ficou para trás, assim como os motores de combustão. O novo A2 e-tron recorre à plataforma MEB, desenvolvida pelo Grupo Volkswagen para modelos elétricos, e procura recuperar o espírito do antecessor sem repetir o erro que comprometeu o seu sucesso.
Aerodinâmica melhorada reduz consumo
Apesar da camuflagem que cobria a unidade conduzida neste primeiro contacto, é fácil encontrar pontos em comum entre as linhas do novo A2 e-tron e as do modelo original.

As principais diferenças estão onde não se veem. Os engenheiros alemães apostaram na eficiência do motor elétrico APP350 e da eletrónica, mas foi a aerodinâmica que concentrou grande parte do desenvolvimento. A carroçaria foi desenhada para oferecer a menor resistência possível ao ar, sem abandonar a silhueta imediatamente reconhecível do A2.
Face aos seus «primos elétricos», o Volkswagen ID.3 e o CUPRA Born, o A2 e-tron recebeu diversas soluções aerodinâmicas específicas. O spoiler dianteiro, as cortinas de ar, os vedantes nas juntas, o difusor traseiro e os elementos instalados no tejadilho e nos pilares traseiros contribuem para reduzir a turbulência e o arrasto. O coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,24 é um dos melhores entre os compactos.
O mesmo cuidado foi aplicado às rodas. As jantes apresentam um desenho otimizado para melhorar a passagem do ar, enquanto os pneus de baixa resistência ao rolamento, combinados com uma pressão de enchimento mais elevada, ajudam a reduzir os consumos.
Regressam as virtudes do passado
A maior surpresa apareceu quando abrimos a porta. Ainda não podemos mostrar o habitáculo, mas já tivemos oportunidade de o conhecer. E encontrámos a atenção ao detalhe que, durante muitos anos, ajudou a definir o padrão da Audi.
Nota-se nos materiais, nos pontos de pressão dos comandos e na experiência tátil. As superfícies, os painéis das portas e as áreas tocadas com maior frequência parecem ter sido escolhidas com mais cuidado do que em muitos dos modelos anteriores construídos sobre a plataforma MEB.

O A2 e-tron não consegue esconder totalmente os genes partilhados com o ID.3 e o Born, mas disfarça-os de forma inteligente. Isso nota-se na interface, que combina o conhecido sistema de infoentretenimento da Audi com um ecrã de melhor qualidade.
É precisamente aqui que o A2 e-tron mais se distingue dos restantes compactos elétricos do Grupo Volkswagen. A Audi aproveitou uma base conhecida para melhorar aquilo que os clientes mais valorizam no dia a dia: materiais, bancos, insonorização e isolamento do ruído da estrada e do vento.
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Eficiência em vez de frugalidade
Neste primeiro contacto conduzimos o A2 e-tron na versão de 140 kW (190 cv), equipada com uma bateria de 58 kWh de capacidade útil (61 kWh brutos). É precisamente a configuração que deverá assumir maior importância na futura gama.
A rota entre a Dinamarca e a Suécia foi escolhida «a dedo»: pouco trânsito, quase nenhuma curva, terreno plano e uma temperatura exterior amena. Condições favoráveis para evitar grandes esforços por parte do motor e do ar condicionado.

Nestas circunstâncias, o computador de bordo registou apenas 12,3 kWh/100 km. Um consumo que, em teoria, permite percorrer perto de 470 quilómetros com uma carga.
Quem conduzir este elétrico com mais entusiasmo, em vez de se limitar a seguir o fluxo do trânsito, terá naturalmente de aceitar um consumo superior.
O motor traseiro de 190 cv responde de forma espontânea e acelera o A2 com uma prontidão digna de elogio, mesmo com o peso do automóvel a aproximar-se das duas toneladas. O desempenho é mais do que suficiente para uma utilização diária e está bem ajustado ao carácter do modelo.
Na segunda parte do percurso, o consumo de energia foi maior, de 14,5 kWh/100 km. É uma média que parece mais representativa de uma utilização diária e aponta para uma autonomia real próxima dos 400 quilómetros. Quando for necessário carregar a bateria de iões de lítio LFP (fosfato de ferro-lítio), o A2 e-tron aceita uma potência máxima de apenas 105 kW. Um valor modesto para um elétrico com este preço.
Suspensão modera entusiasmo
As primeiras impressões sobre o conforto de rolamento foram menos positivas. O nosso protótipo estava equipado com jantes opcionais de 19″ e pneus 235/45 R19, uma combinação que torna o amortecimento mais firme.
O Audi não absorve mal pequenos solavancos, mas transmite-os de forma percetível aos ocupantes. Perante juntas transversais e arestas vivas, a resposta torna-se brusca. A carroçaria permanece controlada e a ligação ao asfalto é direta, mas nem sempre existe a desejada sensação de harmonia.

Para quem privilegiar o conforto no dia a dia, as jantes de 18″ de série poderão ser a escolha mais adequada, mesmo que não sejam as mais eficientes.
A direção revelou-se leve e suficientemente precisa. O baixo centro de gravidade e a tração traseira proporcionam uma condução neutra e previsível. Curiosamente, tal como o seu antecessor espiritual, o Audi A2 elétrico não estará disponível com tração integral quattro. Mesmo as versões de topo, com 231 cv e 326 cv, manterão a tração traseira.
Quanto custa?
Os principais argumentos do novo Audi A2 e-tron face ao Volkswagen ID.3 Neo e ao CUPRA Born serão a qualidade percebida e a aerodinâmica mais apurada.
A vantagem teórica de autonomia, inferior a 50 quilómetros por carga, deverá ter menos peso na decisão do que os preços mais baixos dos rivais internos.

O ID.3 começa nos 38 000 euros na versão de 50 kWh com o nível de equipamento Life. A versão equivalente do A2 deverá custar pelo menos mais 3500 euros, elevando o preço de entrada para cerca de 41 500 euros.
Isso deverá colocar a versão de 190 cv e bateria de 58 kWh perto dos 44 000 euros. É uma fatura pesada para o elétrico de entrada da Audi, sobretudo quando estão prestes a chegar modelos mais pequenos e muito mais baratos dentro do próprio Grupo Volkswagen.
A avaliação deste poderá ser revista quando conduzirmos a versão final de produção do Audi A2 e-tron.
Veredito
Audi A2 e-tron
Primeiras impressões
7.5/10
A pressão para o Audi A2 e-tron vem de todos os lados. De baixo, porque os elétricos como o Volkswagen ID.Polo, CUPRA Raval e Skoda Epiq vão custar menos 10-15 000 euros, de cima porque o Q4 tem a aura de SUV e da China, de onde chegam ofertas muito mais acessíveis. Qualidade acima da média e a imagem Audi serão suficientes para o sucesso que o A2 original não teve?
Prós
- Eficiência
- Qualidade
- Condução equilibrada
Contras
- Preço
- Conforto
- Carregamento apenas mediano
Especificações técnicas
| Audi A2 e-tron (58 kWh) | |
|---|---|
| Motor | Elétrico síncrono de íman permanente (PSM), traseiro |
| Potência | 140 kW (190 cv) |
| Binário | 350 Nm |
| Transmissão | Relação fixa (uma vel.) |
| Tração | Traseira |
| Bateria | 58 kWh úteis (61 kWh brutos); Química: iões de lítio LFP |
| Tensão | 400 V |
| Carregamento AC | 11 kW |
| Carregamento DC | Até 105 kW |
| 10–80% (DC) | 26 min |
| Suspensão | FR: Independente do tipo MacPherson; TR: Independente multibraços |
| Dimensões | comprimento: 4,324 m; largura: 1,789 m; altura: 1,548 m |
| Peso | 1915 kg |
| Vel. máx. | 160 km/h |
| Consumo combinado (ciclo WLTP) | 13,7 kWh/100 km |
| Autonomia (ciclo WLTP) | 479 km |