Primeiro turno, e não o vencedor, costuma ditar reação dos mercados, diz Bradesco BBI

🗓️ 2026-09-09 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Faltando poucas semanas para o primeiro turno das eleições presidenciais, investidores entram no período historicamente mais volátil para os ativos brasileiros. Em relatório, os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, do Bradesco BBI, afirmam que a principal variável para os mercados não é necessariamente quem vencerá a disputa, mas o quanto o resultado das urnas ficará distante do que apontavam as pesquisas nas vésperas da votação.

Ao analisar os cinco últimos ciclos eleitorais, entre 2006 e 2022, o banco concluiu que as maiores movimentações dos ativos brasileiros ocorreram em torno do primeiro turno, e não da definição do presidente no segundo turno. Na visão dos estrategistas, o mercado costuma reagir sobretudo às informações novas reveladas pela votação inicial, especialmente em relação à correlação de forças no Congresso Nacional.

“O evento mais negociável é a apuração do primeiro turno, e não necessariamente o vencedor final da eleição”, destacam os analistas.

Um dos principais pontos levantados pelo relatório é que houve surpresas relevantes entre pesquisas e resultados eleitorais em todos os pleitos presidenciais desde 2006.

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No levantamento dos estrategistas, em 2006 as pesquisas indicavam a possibilidade de vitória em primeiro turno, mas a disputa acabou seguindo para o segundo turno. Em 2010, uma candidatura considerada terceira via obteve desempenho muito superior ao projetado pelas sondagens e ajudou a forçar uma nova rodada de votação.

Em 2014, mudanças importantes ocorreram nas semanas finais da campanha, alterando significativamente a configuração da disputa. Em 2018, o candidato vencedor ficou próximo de liquidar a eleição já no primeiro turno, enquanto em 2022 diversas pesquisas apontavam a possibilidade de definição imediata da disputa, algo que não se confirmou.

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Segundo os estrategistas, a recorrência desses desvios mostra que o mercado não deve tratar os levantamentos eleitorais como previsões definitivas, sobretudo nas semanas que antecedem a votação.

Primeiro turno traz maiores movimentos

O estudo mostra que os três maiores ganhos diários do Ibovespa associados a eleições ocorreram logo após primeiros turnos. O índice avançou cerca de 4,7% após o primeiro turno de 2014, 4,6% após o de 2018 e 5,5% depois da votação de 2022, naquela ocasião a melhor sessão da Bolsa desde abril de 2020.

Para o banco, a reação observada em 2022 ajuda a explicar a dinâmica. O mercado interpretou a composição mais favorável do Congresso como um fator capaz de limitar mudanças mais drásticas de política econômica, ao mesmo tempo em que uma disputa presidencial mais apertada do que o esperado manteve abertas diferentes possibilidades para o segundo turno. Além disso, o posicionamento defensivo dos investidores antes da votação amplificou o movimento de recuperação dos ativos.

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Na avaliação dos estrategistas, a composição do Congresso continua sendo uma informação subprecificada pelos investidores, embora tenha impacto direto sobre a capacidade de implementação de políticas públicas independentemente de quem ocupe a Presidência.

Reações após o resultado final tendem a perder força

Por outro lado, o relatório aponta que movimentos observados após a definição do vencedor costumam ser menos duradouros.

O BBI relembra que, após o segundo turno de 2014, o Ibovespa chegou a cair cerca de 6% durante o pregão, encerrando o dia com perda menor e recuperando parte do terreno nas sessões seguintes. Em 2018, o índice atingiu máximas intradiárias logo após a confirmação do resultado antes de perder força, em um clássico movimento de realização de lucros. Já em 2022, a reação do mercado ao segundo turno foi bem mais moderada do que a observada após o primeiro turno.

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Na avaliação dos estrategistas, existe um padrão histórico de exagero inicial seguido por acomodação dos preços nos dias subsequentes, geralmente dentro de cinco pregões.

Juros e dólar funcionam como termômetro da eleição

Entre os diferentes mercados, o BBI considera que juros e câmbio costumam ser os indicadores mais sensíveis à percepção dos investidores sobre os cenários eleitorais.

O relatório destaca que o real se valorizou mais de 4% logo após o primeiro turno de 2022, enquanto as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram de forma expressiva. O movimento refletiu a leitura de que haveria restrições maiores para eventuais expansões fiscais.

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Em 2018, o dólar caiu mais de 10% entre setembro e o segundo turno, enquanto a curva de juros fechou cerca de 100 pontos-base nos vencimentos intermediários. Já em 2014, pesquisas eleitorais provocaram fortes oscilações tanto na moeda quanto nos juros, com o mercado reagindo a cada mudança relevante nas chances dos candidatos.

Por isso, os estrategistas afirmam que a curva de juros continua sendo o melhor indicador em tempo real para medir como os investidores avaliam a credibilidade fiscal dos diferentes cenários eleitorais. As ações, segundo o relatório, tendem a confirmar os movimentos que primeiro aparecem nos mercados de câmbio e renda fixa.

Estatais concentram a maior sensibilidade eleitoral

Do ponto de vista setorial, o banco afirma que a melhor forma de expressar apostas eleitorais na Bolsa tem sido por meio das estatais e empresas influenciadas pelo governo.

Segundo o relatório, Petrobras (PETR4), bancos controlados pela União e empresas de infraestrutura ou utilities com participação estatal representam o segmento mais sensível aos ciclos eleitorais. O banco destaca que o Brasil possui uma participação de estatais no índice superior à observada na maior parte dos mercados globais, o que amplia a relevância desse grupo para investidores.

Em 2018, por exemplo, uma cesta de ações de estatais chegou a acumular valorização de 30% a 50% entre setembro e outubro, impulsionada por expectativas relacionadas a privatizações e venda de ativos.

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Na outra ponta, o BBI destaca que as exportadoras historicamente funcionam como uma proteção natural para momentos de maior volatilidade política.

Companhias ligadas aos setores de minério de ferro, petróleo, celulose e proteínas tendem a amortecer eventuais quedas do Ibovespa em cenários de risco doméstico, uma vez que possuem receitas dolarizadas e se beneficiam da desvalorização do real.

O comportamento ajuda a explicar por que, em momentos de forte estresse eleitoral, as perdas do índice costumam ser menores do que as observadas em empresas mais expostas às decisões do governo.

Brasil: favorito do BBI na América Latina

Apesar da aproximação das eleições e da expectativa de volatilidade mais elevada nas próximas semanas, o Bradesco BBI mantém uma visão construtiva para os ativos brasileiros.

O banco afirma que o Brasil continua sendo sua principal recomendação na América Latina e argumenta que o mercado brasileiro segue entre os mais baratos do mundo, negociando a aproximadamente 8,8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Além disso, os estrategistas veem assimetria favorável no mercado de juros, projetando taxa de 11% no fim de 2027, ante cerca de 13,5% implícitos atualmente nos preços de mercado.

Nesse contexto, a carteira-modelo da instituição permanece concentrada em três temas principais: ações sensíveis à queda dos juros, empresas ligadas ao mercado de capitais e estatais, segmentos que o banco considera mais bem posicionados para capturar uma eventual reprecificação positiva dos ativos brasileiros ao longo do ciclo eleitoral.