Progressista vence primárias democratas para o Senado dos EUA no Michigan

🗓️ 2026-08-05 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

El-Sayed, médico de 41 anos, derrotou a congressista centrista Haley Stevens, apoiada por importantes dirigentes do Partido Democrata, numa disputa considerada um teste à orientação política do partido antes das eleições intercalares de 03 de novembro nos Estados Unidos (EUA), segundo projeções das estações NBC e CNN.

O candidato progressista enfrentará agora o republicano Mike Rogers, apoiado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, numa das eleições mais renhidas para o Senado (câmara alta do Congresso), no qual um terço dos senadores (num total de 100) será submetido ao escrutínio em novembro.

Os democratas precisam de conservar o lugar no Michigan para manterem as possibilidades de recuperar a maioria no Senado, num estado particularmente competitivo e conquistado por Trump nas presidenciais de 2024.

Após a divulgação das projeções, Trump ironizou a escolha democrata, classificando El-Sayed como comunista e considerando a sua vitória "uma grande notícia para os republicanos".

El-Sayed, por sua vez, apelou imediatamente à reunificação do Partido Democrata após uma campanha particularmente disputada.

"Esta é a questão fundamental: construir um movimento para recuperar a nossa democracia, para que possamos servir o povo que merece o melhor que a América tem para oferecer", disse El-Sayed numa conferência de imprensa em Detroit.

Apoiado por figuras da ala progressista como o senador Bernie Sanders e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, El-Sayed fez campanha contra a influência dos grandes doadores na política norte-americana e defendeu uma mudança significativa da política dos Estados Unidos em relação a Israel.

A sua vitória surge num momento de crescente contestação das bases progressistas à direção democrata, acusada de não apresentar uma oposição suficientemente eficaz à administração Trump.

Os apoiantes de El-Sayed defendem que a mobilização dos eleitores jovens, progressistas e da classe trabalhadora poderá permitir ao partido vencer em estados competitivos sem depender da tradicional rede de grandes financiadores democratas.

Haley Stevens, que representa no Congresso uma área da região de Detroit desde 2019, apresentou-se como uma alternativa mais moderada, centrando a campanha na reindustrialização e na capacidade de construir uma coligação eleitoral ampla contra os republicanos.

Antiga assessora da administração do Presidente Barack Obama para a indústria automóvel, Stevens contou com o apoio de dirigentes democratas como o líder da bancada no Senado, Chuck Schumer, e a governadora do Michigan, Gretchen Whitmer.

Uma das principais divergências entre os candidatos foi a relação dos Estados Unidos com Israel, questão particularmente sensível no Michigan, que possui uma das maiores comunidades árabes e muçulmanas do país.

Stevens defendeu a continuidade da ajuda norte-americana a Israel e rejeitou as acusações de genocídio na Faixa de Gaza, enquanto El-Sayed propôs o fim da assistência norte-americana a Telavive e criticou duramente a influência do Comité de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (AIPAC) na política norte-americana.

A campanha foi também marcada por ataques pessoais entre os dois candidatos, levando alguns dirigentes democratas a manifestar preocupação com as consequências das divisões internas para as eleições de novembro.

El-Sayed terá agora de demonstrar que a mobilização da base progressista é suficiente para vencer Mike Rogers, procurando simultaneamente conquistar os eleitores democratas moderados num estado que poderá ser decisivo para determinar o controlo do Senado.

Leia Também: Surto de infeções intestinais faz as duas primeiras mortes nos EUA