Apostas online: veto de Lula desloca R$ 25 bi ao ilegal - 30/09/2026 - Negócios - C-Level

🗓️ 2026-10-01 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

São Paulo

A proibição de apostas online assinada pelo presidente Lula (PT) na última sexta-feira (25) deve transferir cerca de R$ 25 bilhões por ano do mercado regulado para sites ilegais. A estimativa é da consultoria britânica H2 Gambling Capital, especializada em dados do setor de jogos.

Segundo o relatório, as casas licenciadas faturavam o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões por ano em receita bruta de jogo —métrica que estabelece a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos.

A consultoria calcula que cerca de 60% desse valor continuará sendo apostado, agora em sites sem autorização, sem tributação e sem mecanismos de proteção ao jogador.

Pessoa segura smartphone com aplicativo de apostas esportivas aberto, mostrando opções de apostas. Ao fundo, tela de computador exibe site de apostas com categorias como esportes, cassino e promoções, em ambiente escuro.
Os sites de apostas esportivas não podem mais operar no Brasil - Rafaela Araújo - 22.set.26/Folhapress

A margem da estimativa vai de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões migrando para a ilegalidade. Para a H2, o resultado depende de duas variáveis: a eficácia do bloqueio dos canais de pagamento para sites no exterior e o tempo que a proibição resistirá a contestações jurídicas e políticas.

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A primeira variável é um dos pilares da MP assinada por Lula, que proíbe transferências via Pix ou TED para empresas cujo CNAE (código que identifica a atividade econômica da empresa) esteja ligado a apostas online.

A segunda está em aberto. Por ser uma medida provisória, a proibição vale por 120 dias e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar lei e não perder validade.

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As associações do setor já buscam apoio em frentes parlamentares ligadas ao centrão e, nesta segunda-feira (28), a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão do texto que vetou o funcionamento das bets no país.

Desde 2024, o governo vendeu 85 autorizações a R$ 30 milhões cada, com validade de cinco anos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, não haverá devolução desse dinheiro às casas de apostas.

Apesar do cenário de incerteza, a H2 avalia que o mercado provavelmente será reaberto em algum momento de 2027, tanto para apostas esportivas quanto para cassino online.

A consultoria também avalia que o mais importante não é o tamanho atual do mercado clandestino, mas o quanto ele cresce. A H2 afirma que cerca de 30% das apostas já transitavam por sites sem licença antes da proibição.

Neste cenário, o mercado ilegal saltaria de R$ 17 bilhões para R$ 42 bilhões. Se for considerado o percentual de 41% em apostas nos sites ilegais, dado mais citado em estudos do mercado brasileiro e considerado superestimado pela H2, o salto seria de R$ 28 bilhões para R$ 53 bilhões.

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Nos dois casos, o acréscimo é o mesmo: R$ 25 bilhões.

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Os R$ 42 bilhões que o mercado pode atingir com o fim da regulação são próximos dos R$ 41 bilhões que passavam por operadores sem licença em 2024, período anterior à regulação imposta pelo governo Lula.

Naquele ano, a maioria do dinheiro ia para empresas com licença em outros países. Agora, com a proibição, a H2 avalia que essas empresas podem deixar o país e o fluxo do dinheiro com apostas iria para operadores que não conseguiram ou não quiseram cumprir as exigências de licenciamento.

A H2 se baseia em uma pesquisa feita com 2.451 apostadores brasileiros, feita em novembro de 2025. Mesmo após a regulamentação, 39% dos entrevistados ainda usavam sites sem licença, e esse grupo respondia por cerca de 60% do gasto declarado.

"Para esses jogadores, a proibição elimina apenas a opção licenciada; suas contas em plataformas offshore e rotas de pagamento já existem", afirma a H2.

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A consultoria também compara o caso brasileiro com o da Holanda. Quando o país elevou impostos e impôs limites obrigatórios de depósitos no fim de 2024, cerca de metade da queda no mercado regulado reapareceu em sites estrangeiros.

Para a H2, existe uma relação direta com o caso brasileiro: os limites holandeses permitiram que parte dos jogadores apenas gastasse menos, enquanto a proibição total deixa só duas saídas.

"Um jogador que não pode apostar em território nacional ou migra para o exterior ou para de jogar, e aqueles que migram levam consigo seus gastos habituais."