PS não responde sobre sentido de voto na moção: "Terça-feira falaremos"
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, recusou responder, esta terça-feira, sobre o sentido de voto do seu partido na moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo, na sequência das várias polémicas que têm envolvido o nome do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
"Falar desse tema hoje é fazer a vontade àqueles que querem contaminar o debate mediático", começou por responder, em declarações no início da visita à 12.ª AgroSemana – Feira Agrícola do Norte, em Vila do Conde, distrito do Porto.
José Luís Carneiro, que antes já tinha garantido que não será pelos socialistas que haverá uma "crise política" em Portugal, não adiantou sobre se já decidiu se votará a favor ou contra a moção.
Em vez disso, insistiu no aumento do custo de vida, no mesmo dia em que foi anunciada a previsão de uma subida recorde nos preços dos combustíveis, à qual o Governo promete responder com o aumento do desconto no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP). Carneiro revelou ainda ter entregado na quinta-feira, no Parlamento, uma proposta de redução do IVA para os combustíveis e alimentos.
"O PS voltou a entregar na Assembleia da República, no dia de ontem [quinta-feira], uma proposta para a redução do IVA sobre os combustíveis e também sobre o custo com os bens alimentares essenciais. É já a terceira vez que vamos a este tema, que tem sido chumbado, quer pela AD, quer também pela Iniciativa Liberal e pelo próprio Chega", começou por dizer o líder socialista.
"O Governo está a ganhar dinheiro com os impostos sobre os combustíveis à custa dos portugueses", sublinhou. "O Governo está a ganhar dinheiro à custa do sacrifício das pessoas, à custa dos agricultores, à custa dos pescadores. Está a ganhar mais nove cêntimos por cada litro de gasóleo e mais seis cêntimos por cada litro de gasolina. E as propostas que o PS deu entrada pela terceira vez na Assembleia da República, do nosso ponto de vista, devem ter o apoio dos partidos."
Continuando na apresentação dos números, José Luís Carneiro assinalou que "entre [20]24 e [20]25, o Governo ganhou, com os impostos sobre os combustíveis, 1.048 milhões de euros", acrescentando que "entre janeiro e julho, o Governo teve de aumento de receita só de IVA, por força da inflação, mais 1.070 milhões de euros".
"O salto do custo com os combustíveis na próxima segunda-feira vai fazer com que as pessoas vivam ainda mais asfixiadas na sua vida e no seu quotidiano e, portanto, é disso que nós estamos a falar. Afeta milhões de portuguesas e de portugueses", sublinha.
Segundo a estimativa do Automóvel Club de Portugal (ACP), o preço por litro do gasóleo deverá aumentar 15 cêntimos e o da gasolina avançar 12 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha.
A minutos de iniciar a visita à feira agrícola, o secretário-geral socialista assinalou que o pedido de redução do IVA visa também apoiar os agricultores, lembrando que, tal como eles, o setor das pescas, dos transportes, a logística e a distribuição "estão a viver momentos muito difíceis".
"Responder ao custo de vida das portuguesas e dos portugueses é um dever do primeiro-ministro e do Governo", enfatizou o dirigente do PS "surpreendido com a incapacidade, a incompetência, a insensibilidade do primeiro-ministro do Governo para responder ao custo de vida".
Insistindo ser esta a terceira vez que o PS avança com o pedido de redução do IVA no hemiciclo, o deputado lembrou que o "Chega, que veio há uns tempos dizer que ia apresentar propostas dessa natureza, chumbou as propostas na Assembleia da República apresentadas pelo PS, para reduzir o custo com os combustíveis".
Quanto às polémicas que envolvem Luís Neves, Carneiro frisou que "esse é um tema suficientemente importante".
"Nessa altura, terça-feira, falaremos sobre esse tema", reiterou. "Não queimemos etapas, terça-feira terão todas as respostas."
Da última vez que tinha tocado no assunto, ainda antes da confirmação de que o Chega avançaria mesmo com a moção, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, assegurou que não será pelo seu partido que haverá uma "crise política" em Portugal. No entanto, insistiu que o primeiro-ministro "tem de assumir" a "responsabilidade" na polémica em torno do ministro da Administração Interna.
"Nós contribuiremos para a estabilidade política do país e não será pelo PS que haverá crise política em Portugal", disse na altura, em Maputo, quando foi questionado pela Lusa sobre a possibilidade de a moção de censura ao Governo admitida pelo Chega avançar, numa altura em que Ventura ainda não tinha falado.
[Notícia atualizada às 19h54]

Luís Neves é ouvido no Parlamento 3.ª-feira (antes da discussão da moção)
A audição está marcada para as 10h00, enquanto que o debate da moção de censura apresentada pelo Chega arranca nessa tarde, às 15h00.
Tomásia Sousa | 17:27 - 04/09/2026