PS/Odemira acusa Chega de protagonismo mediático sobre obras do MAI

🗓️ 2026-07-31 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Em comunicado, a concelhia do PS de Odemira, no distrito de Beja, defendeu que a câmara municipal e o seu executivo, de maioria socialista, "têm atuado - e continuarão a atuar - com a seriedade, rigor, transparência" e a "tranquilidade que a gestão da causa pública exige".

A posição dos socialistas surge depois de o vereador do Chega, Manuel Matias, ter considerado "inaceitável" a recusa de uma reunião extraordinária por si solicitada e defendido que uma eventual reunião entre a autarquia e Luís Neves decorra na presença de todos os eleitos municipais. 

Em conferência de imprensa, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, assegurou que não sabia que a sua propriedade no Alentejo, com um tanque transformado em piscina, se situa em área protegida e revelou que já tinha pedido à autarquia uma reunião para regularizar a situação. 

No comunicado, enviado hoje à agência Lusa, o Partido Socialista lembrou que, em causa, está "um processo urbanístico como qualquer outro" que respeita "escrupulosamente a lei e os regulamentos em vigor". 

E reiterou que "o município de Odemira não concede privilégios nem promove perseguições".

"Atende o cidadão Luís Neves como atenderia qualquer outro cidadão com interesses no concelho, independentemente do cargo público ou político que este ocupe", lê-se na mesma nota.

Considerando que a exigência de Manuel Matias está "desprovida de fundamento", os socialistas lamentaram a "recorrente e inaceitável desconfiança de um vereador relativamente às equipas técnicas municipais".

A "cereja no topo do bolo é querer estar presencialmente numa reunião técnica para fiscalizar a atuação dos técnicos municipais", criticaram.

"O trabalho dos técnicos do município de Odemira rege-se pela isenção e pela legalidade, não necessitando de ser "tutelado" ou "fiscalizado" no terreno por quem procura apenas protagonismo mediático", argumentaram.

No documento, o PS questionou "a real intenção e conhecimento de causa" do eleito do Chega: "será para ver as plantas com a localização de um local que não conhece, numa freguesia que nunca visitou e num concelho que só se lembra existir de 15 em 15 dias?".

Além de considerar que o debate em torno deste processo deve ficar longe de "chicanas políticas e exibições demagógicas", os socialistas exigiram "responsabilidade política e respeito pelas instituições".

O PS assegurou ainda que "continuará empenhado em garantir que a ação autárquica pauta os seus atos pelo princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a lei, pela valorização dos trabalhadores municipais e pela defesa intransigente dos interesses" dos odemirenses.

Em comunicado, a concelhia do PS de Odemira, no distrito de Beja, defendeu que a câmara municipal e o seu executivo, de maioria socialista, "têm atuado - e continuarão a atuar - com a seriedade, rigor, transparência" e a "tranquilidade que a gestão da causa pública exige".

O jornal Nascer do Sol noticiou que o antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ) construiu num monte (quinta) no concelho de Odemira, integrado em área de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional, uma piscina, inicialmente classificada por Luís Neves como um tanque, sem licenciamento.

Na quarta-feira, Luís Neves defendeu, exibindo na conferência da imprensa uma fotografia antiga da propriedade, que a construção inicial era um "tanque acima do solo", que "depois acabou por ser transformado em piscina", obra para a qual admitiu não ter pedido licenciamento.

O governante acrescentou que desconhecia que a propriedade está situada em área protegida.

"Com humildade, já solicitei à Câmara Municipal de Odemira uma reunião com caráter de urgência para esclarecer e regularizar a situação. Se algo tiver de ser regularizado, será", afirmou, no Ministério da Administração Interna, em Lisboa.

A obra foi feita pela Construbarcelos, uma empresa que realizou várias empreitadas em edifícios da PJ enquanto o ministro foi diretor nacional desta instituição, entre junho de 2018 e fevereiro de 2026.

"Escolha arriscada". Carneiro "não teria convidado" Luís Neves para MAI

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou que não "teria convidado" Luís Neves para ministro da Administração Interna, "tendo em conta o trabalho que estava a fazer na PJ" e considerou que a sua nomeação foi "uma escolha arriscada".

Márcia Guímaro Rodrigues | 12:17 - 31/07/2026