"Publicidade enganosa". Fabricante do Ozempic processa fabricante do Mounjaro
"Os anúncios são maliciosa e enganosamente falsos, pois a Lilly cita conscientemente estudos clínicos desatualizados que comparam as doses mais altas dos medicamentos da Lilly com doses mais baixas dos medicamentos da Novo Nordisk", lê-se na petição judicial
A Novo Nordisk interpôs, esta terça-feira, um processo judicial contra a rival Eli Lilly num tribunal federal dos EUA, acusando a farmacêutica norte-americana de fazer “publicidade enganosa” ao afirmar que os seus medicamentos para perda de peso têm desempenho superior aos seus.
Na ação iniciada hoje no Tribunal Distrital dos EUA em Nova Jérsia, a empresa dinamarquesa alega que a Lilly violou as leis federais e estatais dos EUA contra publicidade enganosa e concorrência desleal por via de campanhas publicitárias de âmbito nacional para o medicamento contra a obesidade Zepbound e as canetas injetáveis para diabetes Mounjaro, também usadas para perder peso.
A Novo alega que a Lilly comparou as doses mais altas aprovadas dos seus dois medicamentos com doses mais baixas do Wegovy e do Ozempic, os dois fármacos concorrentes da Novo, omitindo versões mais recentes e de dosagem mais elevada que, segundo a empresa queixosa, proporcionam maior perda de peso.
Contactada pela Reuters, a Eli Lilly, sediada em Indianápolis, no estado de Indiana, não respondeu a um pedido de comentário.
"Os anúncios são maliciosa e enganosamente falsos, pois a Lilly cita conscientemente estudos clínicos desatualizados que comparam as doses mais altas dos medicamentos da Lilly com doses mais baixas dos medicamentos da Novo Nordisk", lê-se na petição judicial.
A Novo e a Lilly têm travado uma batalha acirrada pela liderança no mercado norte-americano de medicamentos de combate à obesidade, que os analistas estimam que venha a movimentar mais de 100 mil milhões de dólares (cerca de 87 mil milhões de euros) até 2030.
A Novo foi a primeira a lançar o medicamento injetável para perda de peso Wegovy, mas posteriormente perdeu a liderança para o Zepbound, da rival Lilly. Após substituir o seu CEO e emitir vários alertas sobre lucros em 2025, a Novo reagiu com a versão oral do Wegovy, cuja forte procura se manteve firme apesar do lançamento do comprimido concorrente da Lilly.
Na sua ação judicial, a Novo pede que seja emitida uma ordem judicial para obrigar a Lilly a retirar os anúncios e realizar uma campanha publicitária a corrigir as alegações iniciais. A empresa adianta que planeia solicitar uma providência cautelar caso a Lilly não remova os seus anúncios de forma voluntária para impedir que continuem a ser transmitidos, e pede ainda reparação por danos, incluindo os lucros que a Lilly possa ter obtido por via dos anúncios.