Pureza defende que processos do MAI provam intenção da moção do Chega
O procurador-geral da República (PGR), Amadeu Guerra, revelou hoje estarem em curso três inquéritos, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação de natureza administrativa sobre casos que envolvem o ministro Luís Neves.
"Havendo estas cinco investigações, havendo uma comissão parlamentar de inquérito criada para este efeito, creio que a apresentação de uma moção de censura [pelo Chega] não serve para outra coisa senão para diminuir o espaço de investigação que é devido ao país", afirmou o líder bloquista em declarações à margem da visita à Feira do Livro do Porto.
Para José Manuel Pureza, a moção, cuja discussão foi hoje agendada para terça-feira, "não só é um jogo político artificioso, como é um instrumento que diminui as efetivas capacidades de fiscalização por parte do Parlamento e dos órgãos competentes".
"Da nossa parte, a única vontade que temos é que, efetivamente, haja investigação, haja esclarecimento, haja clarificação destas situações, porque elas são, enfim, demasiadamente enoveladas para que se possa continuar a aguentar esta situação", insistiu o dirigente partidário.
O coordenador bloquista comentou ainda as afirmações do primeiro-ministro Luís Montenegro, hoje em São Tomé, quando afirmou que Luís Neves tem mostrado aptidão para resolver os problemas nos seus setores de responsabilidade.
O primeiro-ministro, ao falar da situação do ministro da Administração Interna (MAI), veio hoje dizer que era uma questão de aptidão, de aptidão pessoal.
"Convém lembrar a Luís Montenegro que ele escolheu mal a palavra, porque se formos falar de aptidão, não há ministro do seu governo que tenha aptidão para ser ministro. Basta ver que na Saúde, na Justiça, na Habitação, enfim, em todos os setores do governo, o que nós temos é caos, o que nós temos é crise, o que nós temos é a vida das pessoas a ficar sempre mais difícil", disse José Manuel Pureza.
O dirigente usou depois da ironia para apontar "a exceção que é o ministro da Educação", afirmando que Fernando Alexandre "tem aptidão para criar caos", exemplificando-o com "os exames nacionais e a digitalização".
"O que o Bloco diz é que a aptidão dos ministros não é uma característica pessoal, não é algo que existe pela personalidade da pessoa. A aptidão de um ministro é resolver os problemas das pessoas. A aptidão de um chefe de governo é ter políticas que sejam justas e sejam decentes para o país", continuou o dirigente bloquista.
Para o líder do BE, o primeiro-ministro está numa "situação de completa incapacidade de demonstrar, de justificar aquilo que até agora não foi justificado".
"Na verdade, o país espera por esclarecimentos do ministro da Administração Interna e, de cada vez que o ministro da Administração Interna fala para dizer que vai esclarecer, complica", disse.
Neste contexto, prosseguiu o líder bloquista, "o primeiro-ministro, ao falar da questão da aptidão, não faz outra coisa senão acrescentar confusão à confusão. Isso, creio que é a única consequência a tirar daqui".
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