Publicação sobre urubus surpreende estudante de veterinária | G1

🗓️ 2026-08-20 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Aluno do 6º semestre do Centro Universitário Padre Anchieta, em Jundiaí (SP), Marquesim conta que não esperava tamanha repercussão ao compartilhar informações sobre essas aves. O estudante tem forte ligação com a área de animais silvestres e exóticos e pretende se especializar no segmento.

"Escolhi a medicina veterinária porque sempre tive interesse pelos animais, mas durante a graduação fui descobrindo uma identificação cada vez maior com a fauna silvestre, especialmente com as aves. Também tive experiências práticas que contribuíram para esse interesse e, atualmente, procuro ampliar meus conhecimentos através de pesquisas, projetos acadêmicos e atividades relacionadas à conservação", explica Jean Marquesim.

Com base em pesquisas bibliográficas, artigos científicos e diferentes fontes especializadas sobre aves brasileiras, o estudante reuniu informações sobre as espécies de urubus, como nomes popular e científico, estado de conservação e distribuição geográfica.

"A proposta da minha publicação foi trazer um conteúdo mais simplificado e acessível, justamente porque o meu público é bastante diverso. Então, procurei não entrar em um nível de aprofundamento muito técnico, mas focar principalmente em apresentar a diversidade de espécies de urubus que habitam o território brasileiro, suas características e seus respectivos status de conservação", aponta Marquesim.

O principal objetivo era apresentar ao público a variedade de espécies existentes no Brasil. Mais do que compartilhar informações científicas, a publicação buscou despertar a curiosidade e mostrar que os urubus possuem diferentes características, comportamentos e relações com o ambiente.

"Os urubus são aves que muitas pessoas desprezam ou simplesmente não têm interesse em conhecer. E, quando comecei a pesquisar mais sobre eles, descobri que temos diferentes espécies de urubus que habitam o território brasileiro e que muita gente nem sequer sabe que elas existem. Além disso, descobri que temos urubus que fogem completamente daquele estereótipo do "urubu todo preto". Algumas espécies possuem colorações muito diferentes e características bastante interessantes, como o urubu-rei, que apresenta uma cabeça extremamente colorida", pontua o estudante de veterinária.

Urubu-de-Cabeça-Amarela (Cathartes burrovianus) — Foto: dosvenadas / iNaturalist

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Cinco espécies de urubus no Brasil

Os urubus são aves importantes para o funcionamento dos ecossistemas. Associados à necrofagia, alimentam-se principalmente de carcaças e restos de animais mortos e estão entre os únicos vertebrados terrestres estritamente necrófagos.

Por meio desse hábito alimentar, aceleram a decomposição das carcaças e contribuem para a reciclagem de nutrientes. Também ajudam a reduzir a matéria orgânica disponível para determinados agentes infecciosos.

Urubu-de-Cabeça-Vermelha (Cathartes aura) — Foto: panza_rayada / iNaturalist

No levantamento, Jean Marquesim identificou cinco espécies de urubus presentes no Brasil:

  • Urubu-preto — Coragyps atratus
  • Urubu-de-cabeça-vermelha — Cathartes aura
  • Urubu-de-cabeça-amarela — Cathartes burrovianus
  • Urubu-da-mata — Cathartes melambrotus
  • Urubu-rei — Sarcoramphus papa

De acordo com o levantamento feito pelo estudante, as espécies possuem características em comum, principalmente o hábito de se alimentar de carcaças, mas também apresentam diferenças.

O urubu-preto, por exemplo, é extremamente adaptável e pode ser encontrado em áreas rurais e urbanas, inclusive próximo às casas, onde aproveita restos de alimentos e animais.

Urubu-Preto (Coragyps atratus) — Foto: trekman / iNaturalist

Já o urubu-da-mata está mais relacionado aos ambientes florestais. Ocorre principalmente na região amazônica, em matas de terra firme, várzeas e matas ribeirinhas.

O urubu-de-cabeça-amarela está associado a ambientes como beiras de rios e lagoas, áreas pantanosas e campos. O urubu-rei, por sua vez, está relacionado principalmente a florestas com clareiras e áreas de cerrado, sendo mais comum nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Apesar de compartilharem características, portanto, cada espécie possui uma relação diferente com o ambiente.

"Encontrei muitas coisas interessantes. Uma delas é o olfato extremamente desenvolvido de algumas espécies. O urubu-de-cabeça-vermelha, por exemplo, consegue localizar carcaças pelo cheiro e muitas vezes é um dos primeiros urubus a chegar ao alimento. Outra curiosidade é que os urubus não vocalizam.

Também achei muito interessante o comportamento do urubu-rei. Ele geralmente é solitário ou vive aos pares, mas pode aparecer junto a outras espécies durante a alimentação. Em algumas situações, ele utiliza a presença de outros urubus como uma espécie de indicação da localização de uma carcaça. E existe ainda uma diferença muito interessante entre as espécies relacionada ao voo e ao habitat. O urubu-da-mata, por exemplo, costuma voar sobre o dossel da floresta para procurar odores de carcaças", detalha Marquesim.

Urubu-da-Mata (Cathartes melambrotus) — Foto: alanvannorman / iNaturalist

Alimentação vai além das carcaças

O levantamento do estudante também mostra que a alimentação dos urubus não se restringe às carcaças.

O urubu-de-cabeça-amarela pode consumir carniça, mas também captura pequenos vertebrados durante voos rasantes.

Já o urubu-preto é bastante oportunista e, além de carcaças, pode consumir pequenos vertebrados, ovos e até animais vivos que estejam impossibilitados de fugir.

Embora todas as espécies tenham forte relação com a necrofagia, existem diferenças na maneira como cada uma obtém alimento.

Urubu-Rei (Sarcoramphus papa) — Foto: lily89328 / iNaturalist

"Quando pensamos em conservação, normalmente lembramos de animais como onças, araras, micos-leões e outros animais considerados carismáticos. Mas a natureza não funciona apenas através dessas espécies.

E talvez essa seja a principal mensagem que eu gostaria de deixar, conservar a biodiversidade significa proteger também aquelas espécies que não são consideradas bonitas ou carismáticas, mas que possuem funções indispensáveis na natureza", conclui Jean Marquesim.

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