Quase 200 prisões em França relacionadas com incêndios desde o início do verão
Cerca de 200 pessoas foram detidas em França desde o início da época de incêndios florestais por acusações relacionadas com fogos, informou hoje o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez.
“Desde o início do verão, as forças de segurança detiveram 184 pessoas”, afirmou o ministro numa mensagem na rede social X.
Laurent Nuñez assegurou que as autoridades estão “totalmente decididas a encontrar todos e cada um dos piromaníacos” e avisou que “não haverá qualquer indulgência com quem coloca em perigo vidas humanas”, expõe os bombeiros a riscos e destrói património.
Estes são comportamentos “incompreensíveis e inaceitáveis”, sublinhou, especialmente quando a França vive um recorde histórico de incêndios, com 116.000 hectares queimados até à data, muito acima dos números do pior ano até agora, 2022, quando arderam ao longo de toda a época cerca de 70.000 hectares.
Nuñez publicou esta mensagem num momento que coincide com o de uma detenção efetuada no departamento de Var (sudeste), onde ainda se luta contra um fogo, ainda não controlado, que nos últimos dias percorreu 4.500 hectares e destruiu cerca de trinta casas.
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Ali, a Gendarmaria intercetou um indivíduo de 23 anos por suspeita de responsabilidade em vários incêndios detetados entre 19 e 24 de julho em Brignoles, Cabasse e Vins-sur-Caramy.
O homem foi identificado graças a imagens de vigilância e foi colocado sob prisão preventiva no dia 25, antes de ser apresentado a um juiz de instrução a 27 de julho, segundo anunciou hoje a Gendarmaria num comunicado.
O homem foi acusado de um crime de destruição por incêndio de florestas, pinhais, urzal, mato ou plantações pertencentes a terceiros com danos irreversíveis para o ambiente, um delito punível com até 15 anos de prisão e multa de até 150.000 euros.
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Depois da acusação, o alegado incendiário foi enviado para prisão preventiva no estabelecimento prisional de Draguignan e será submetido a exames psiquiátricos.
Quanto à evolução dos fogos ativos, todos os olhares continuam voltados para o departamento da Gironda, com capital em Bordéus (sudoeste), num dia marcado pelo início da quarta vaga de calor deste verão em França, com temperaturas máximas de até 40 graus na quarta-feira justamente naquela zona.
As equipas de combate a incêndios conseguiram estabilizar o fogo de forma que a superfície queimada mantém-se em 42.000 hectares, embora isso não signifique que não continue a avançar, segundo explicou numa conferência de imprensa a presidente da câmara (delegada do Governo) da Gironda, Sophie Brocas, já que durante o dia foi necessário combater 14 reacendimentos em zonas já percorridas pelo fogo.
Também se mantém por agora a maior parte dos 220.000 desalojados preventivamente na área do incêndio, que teve origem na quarta-feira passada na zona da turística baía de Arcachon, mas Brocas anunciou que, após uma “análise de riscos”, vai propor às autoridades que os de três localidades possam voltar às suas casas se quiserem.
Os que poderão voltar são os dos municípios de Haillan, Mérignac e Eysines, os três situados nos arredores de Bordéus, que não foram atingidos pelo fogo.
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