Quatro mulheres mortas nas últimas 24 horas em Espanha

🗓️ 2026-07-21 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Quatro mulheres foram encontradas mortas ao longo das últimas 24 horas em diferentes cidades de Espanha. Do total de casos, três já estão a ser investigados como crimes de violência doméstica, enquanto o mais recente, ocorrido durante a manhã desta terça-feira, ainda está numa fase inicial da investigação. 

Um dos alertas foi dado às 23h00 locais de segunda-feira (22h00 em Lisboa), quando a Guardia Civil foi alertada para a descoberta de um corpo de uma mulher de 56 anos, "que aparentemente morreu num acidente doméstico", em Almoradí, na província de Alicante.

Posteriormente, uma inspeção ao local concluiu que havia indícios de crime na morte da mulher, identificada como Marí Carmen, o que levou à detenção do seu marido, um homem de 61 anos, já na manhã desta terça-feira. 

Os dois viviam na mesma casa, onde alegadamente ocorreram os factos, e estavam registados na base de dados do Sistema VioGén - o sistema espanhol de acompanhamento e proteção de vítimas de violência de género. No entanto, o processo estava inativo desde 2009.

A delegada do Governo na Comunidade Valenciana, Pilar Bernabé, explicou que o suspeito "foi incluído no Sistema VioGén na sequência de uma denúncia", tendo sido detido em 2008. O processo foi desativado em 2009 por "falta de medidas judiciais" e, desde então, não voltou a ser reativado.

Também María, de 30 anos, foi encontrada morta numa habitação na segunda-feira, em Antequera, Málaga, com ferimentos de arma branca. Terá sido morta pelo namorado, um homem de 35 anos, que colocou termo à própria vida após o crime. 

O casal tinha dois filhos em comum, de 4 e 7 anos, e constava no sistema VioGen. O homem tinha uma ordem de afastamento da vítima, mas o processo de violência doméstica acabou por ser arquivado por "mútuo acordo".

O suspeito foi encontrado morto na muralha de Alcabaza por volta das 11h50 locais e, poucas horas depois, pelas 14h00, os serviços de emergência receberam um alerta sobre uma mulher encontrada morta numa habitação. O corpo apresentava sinais de violência, nomeadamente ferimentos provocados por arma branca, que apontam para uma morte violenta por esfaqueamento.

Já esta terça-feira, uma outra mulher, de 45 anos, foi encontrada morta com ferimentos de arma branca, em Alameda de la Sagra, na província de Toledo. O suspeito, marido da vítima, foi detido pela Guardia Civil.

As autoridades já indicaram que a vítima não constava no sistema Viogen e que o homem, de 48 anos, não tinha antecedentes criminais por factos semelhantes. 

O homem foi transferido para a Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Geral Universitário de Toledo sob custódia policial, após ter tentado colocar termo à própria vida. 

De acordo com a Telecinco, a mulher é de nacionalidade equatoriana e o suspeito de nacionalidade espanhola mas de origem equatoriana. Terá sido um dos filhos do casal a alertar os serviços de emergência, indicando que o pai tinha matado a mãe. 

Na habitação, no momento do homicídio, encontravam-se três dos filhos do casal, um deles menor de idade, que ficou ao cuidado dos Serviços Sociais da Junta de Comunidades.

Durante a manhã desta terça-feira, foi encontrada outra mulher morta com sinais de violência numa habitação na localidade de Benahavís, em Málaga. 

Fontes da investigação, citadas pela agência de notícias Efe, indicaram que o corpo que a vítima apresentava, à primeira vista, um corte no pescoço causado por arma branca. 

O alerta às autoridades foi dado por uma testemunha que disse ter ouvido um grito muito alto e que havia muito sangue na habitação. O suspeito fugiu do local num carro em alta velocidade. 

Sublinhe-se que, segundo a Efe, um total de 46 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros ou ex-companheiros em Espanha em 2025, o número mais baixo da série histórica iniciada em 2003.

Como consequência destes crimes, 35 crianças ficaram órfãs, enquanto três menores foram vítimas mortais de violência doméstica.

Em 10 dos 46 casos existiam denúncias anteriores por maus-tratos no contexto de violência doméstica, sete das quais apresentadas pelas próprias vítimas e as outras três por terceiros.

Em quatro dos casos, as mulheres tinham medidas de proteção em vigor que, no entanto, se revelaram insuficientes para as proteger dos agressores.

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