Queixas sobre ações de "recall" dispararam 459% até junho

🗓️ 2026-07-21 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Só na primeira metade do ano, as reclamações relativas a ações de "recall" em Portugal dispararam 459 por cento face ao mesmo período de 2025. É o que mostram os dados recentemente divulgados em comunicado pelo Portal da Queixa. Estas acontecem quando as marcas chamam carros à oficina para reparações de defeitos, num processo gratuito.

Este aumento pode justificar-se, em boa medida, pela "maior visibilidade do tema" e pelas novas regras. De recordar que, desde 1 de março, a lei impõe chumbo automático em inspeção periódica obrigatória se existir uma recolha pendente sobre a viatura.

No primeiro semestre, foram registadas 123 reclamações relacionadas com este tema, contra as 22 do mesmo período de 2025. Significa isto um aumento de 459 por cento e até já mais 10,34 por cento do que o total do ano passado (58).

Do que se queixam os automobilistas?

Quase um terço de reclamações (32,5 por cento) incide na inspeção periódica obrigatória - e, em cerca de dez por cento das situações, o proprietário só soube do "recall" ativo no momento da inspeção.

A categoria Produto e Reparação lidera as reclamações (62,02 por cento), sendo relativa a reparações inadequadas, defeitos ou peças indisponíveis. Surge depois a rubrica Serviço e Atendimento, que compõe 24,03 por cento do total e abrange falhas ao nível do apoio e da comunicação, tal como tempos de espera prolongados.

Quanto à Segurança e Conformidade Legal, representa 10,08 por cento das queixas (diz respeito a incumprimento de normas e riscos para os utilizadores. Também existem situações relacionadas a Garantias e Obrigações Contratuais (3,88 por cento) - respeitantes a prazos não cumpridos e falhas na cobertura.

Já por género, os homens constituem a grande maioria dos queixosos (72,09 por cento), em especial entre os 35 e os 54 anos. Já por distrito, Lisboa e Porto têm o maior número dos casos reportados - 22,48 e 18,60 por cento, respetivamente.

Serviços piores? Não necessariamente

Estes números mostram um forte aumento das reclamações relativas a ações de recolha de automóveis à oficina. Mas não significam um piorar da qualidade dos serviços, refletindo antes as novas regras e o maior mediatismo do tema, tal como a maior facilidade de acesso a informações sobre "recalls" - isto graças à plataforma Recall lançada em finais do ano passado. Lá, basta introduzir a matrícula ou o número de identificação do veículo (VIN) para saber se há uma chamada a reparações pendente e é só contactar a marca.

As ações de "recall" devem ser comunicadas pelas marcas diretamente aos proprietários por um meio eficaz. São, também, obrigadas a divulgar publicamente. As reparações são gratuitas. Pode, porém, haver dificuldade de contacto quando o proprietário já mudou e não há contactos atualizados.

O fundador do Portal da Queixa, Pedro Lourenço, disse em comunicado que podem ser corrigidas falhas, mas também há limitações: "Mais do que apontar responsabilidades de forma automática, é fundamental olhar para o ecossistema como um todo. Há, naturalmente, falhas que devem ser corrigidas, nomeadamente quando há falta de resposta, indisponibilidade de peças ou atrasos na reparação. Mas também existem limitações reais, como a dificuldade em contactar os atuais proprietários quando os veículos mudam de titular e os dados não estão atualizados. O desafio passa por reforçar a eficácia dos processos, garantindo uma comunicação clara, respostas atempadas e capacidade de execução adequada - elementos críticos para a segurança rodoviária e para a confiança dos cidadãos".

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Bernardo Matias | 13:02 - 09/06/2026