Quem é o nome por trás dos quadrinhos na Bienal do Livro e na CCXP

🗓️ 2026-08-23 📁 entertainment 📝 ⏱️ 👁️ : -
Homem barbudo de óculos e camisa cinza segura uma máscara preta do Batman, com sua sombra projetada na parede iluminada por um foco de luz circular
Ivan Costa e uma das peças de sua coleção: apaixonado pelos quadrinhos - (CCXP/Divulgação)

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Ivan Freitas da Costa é apaixonado por quadrinhos desde a infância. Antes de deixar o mercado corporativo pela cultura pop, em 2013, participava da organização do FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte e reunia uma coleção de arte premiada com quatro troféus HQMIX.

Naquele ano, tornou-se um dos fundadores da CCXP, onde responde pela curadoria de quadrinhos — da seleção de artistas do Artists’ Valley ao relacionamento com editoras e convidados. Cofundou também a Chiaroscuro Studios, agência que conecta mais de mil artistas a grandes marcas e representa quadrinistas na venda de artes originais.

Este ano, Costa assume em 2026 um desafio inédito: a curadoria de quadrinhos da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi. Nesta entrevista, ele detalha a nova Alameda dos Artistas e revela os nomes confirmados para o Artist’s Valley, na CCXP 2026, de 3 a 6 de dezembro, no São Paulo Expo.

Como surgiu a Alameda dos Artistas na Bienal, e como funcionará esse novo espaço? A organização da Bienal me procurou há alguns meses com a proposta de criar um espaço inédito dentro do evento, dedicado especificamente à produção de quadrinhos. Batizamos essa área de Alameda dos Artistas, que vai funcionar nos moldes das grandes convenções de cultura pop, com 30 mesas perfiladas no pavilhão. Fui convidado para curar esse espaço e toda a programação de quadrinhos da Bienal. Diferente de outros formatos de seleção aberta, os 30 artistas foram escolhidos diretamente por mim, por convite.

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E qual foi o critério de seleção? Que perfil de artista o público vai encontrar no pavilhão? Minha preocupação foi trazer um recorte diverso do cenário nacional, para que o público não saísse com a impressão de que os quadrinhos brasileiros se resumem a um único estilo. Teremos um mix de gerações, de lendas vivas, como Laerte, e o editor histórico Franco de Rosa, até fenômenos modernos, como Gabriel Picolo — que desenha para a DC Comics e reúne mais de 3,6 milhões de seguidores — e Lucas Meyer, que hoje brilha na DC. Também garanti forte presença feminina, com Elodângelo, Germana Viana, Lark e Helena Cunha. Será um retrato fiel do nosso ecossistema.

Mudando o foco para a CCXP 2026: quem são os grandes nomes internacionais já confirmados? Já temos mais de 40 convidados confirmados, entre nacionais e internacionais. Vamos trazer lendas inéditas no Brasil, como o criador do Spawn, Todd McFarlane, com quem negociávamos havia anos, e o roteirista de Batman e Demolidor, Mark Simpson, o Jock. Teremos o retorno de Mark Waid para comemorar os 30 anos de O Reino do Amanhã (Kingdom Come), obra seminal desenhada por Alex Ross. Outro grande retorno é o de John Romita Jr., que vem pela quarta vez e comemora 50 anos de carreira — faremos homenagens especiais a ele. Confirmamos também o argentino Liniers, autor de Macanudo, em sua primeira vinda ao evento, além do roteirista franco-belga Zidrou e do ilustrador argentino Enrique Breccia.

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Um dos grandes destaques é a delegação ligada ao novo Universo Absolute da DC Comics. O que o público pode esperar? O Universo Absolute é um dos maiores fenômenos editoriais recentes, e minha estratégia foi trazer o maior número possível de talentos envolvidos nele: o espanhol Rafa Sandoval e o colorista Carmine Di Giandomenico, de Absolute Superman; o brasileiro Rafael Albuquerque e o colorista Marcelo Maiolo, dupla à frente de Absolute Green Arrow; Frank Martin, que colore Absolute Batman; além dos ilustradores Mateus Manini e Juan Ferreyra. Por ser um projeto de grande impacto, sugeri organizar uma coletiva exclusiva reunindo todos esses artistas numa mesma mesa — uma oportunidade de ouro para o público conversar com os criadores que estão revolucionando os quadrinhos de super-heróis hoje.

Os fãs brasileiros consomem massivamente mangás, mas mangakás raramente aparecem em eventos ocidentais. O que já está garantido para 2026? É um dos maiores desafios de curadoria da indústria, porque no Japão toda negociação precisa ser triangulada com as editoras que detêm os direitos das obras, e o interesse delas em liberar um autor lucrativo para viajar é praticamente zero. Mesmo assim, temos novidades: já confirmamos Shintaro Kago, em parceria com a Tábula, e Shang Sheng, renomado artista de Taiwan, em parceria com a Comic Zone. Há ainda um terceiro nome fechado com outra editora, que por questões contratuais ainda não posso revelar, mas que será anunciado em breve.

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