Quem era "Falling Man"? Mistério mantém-se 25 anos após o 11 de Setembro

🗓️ 2026-09-11 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A fotografia captada por Richard Drew continua, para muitos, a ser representativa dos atentados de 11 de Setembro, que ocorreram há 25 anos, nos Estados Unidos. É que, tal como o "Falling Man", foram várias as pessoas a fazer uma escolha impossível, saltando das janelas das Torres Gémeas, em Nova Iorque, numa tentativa de escapar ao terror à sua volta. Contudo, e ao fim de um quarto de século, a identidade do homem cujos últimos momentos de vida ficaram eternizados em fotografia, atualmente exposta no Memorial e Museu do 11 de Setembro, permanece um mistério por desvendar.

Richard Drew, que foi um dos quatro profissionais presentes no assassinato de Robert F. Kennedy, em 1968, tirou a fotografia antes do colapso da Torre Sul, às 9h41 (hora local). O fotógrafo da Associated Press (AP) estava em serviço nos desfiles de moda de Nova Iorque, antes de ser contactado pela agência de notícias. Fixou-se na West Street, perto da Torre Norte, e colocou a sua câmara DSLR da Nikon, com uma lente de 80-200 milímetros, em posição. Foi através do aparelho que acompanhou a queda de dezenas de pessoas que saltaram. Uma delas foi um homem de casaco branco, que envergava umas calças e uns sapatos pretos. Alinhado com o edifício, o sujeito parecia até relaxado. Se não estivesse a cair, poderia dizer-se que voava, como descreveu o jornalista Tom Junod, anos depois.

Naquela altura, a publicação da imagem do indivíduo anónimo, suspenso no ar, teve repercussões negativas para a imprensa, que foi acusada de sensacionalizar a tragédia e de desrespeitar as vítimas e as suas famílias. Ainda que tenha ressalvado compreender o debate em torno da fotografia, Drew rejeitou ter explorado a morte do homem.

"Nós registamos a história. Esta foi a história daquele dia. Não fotografei a sua morte. Fotografei parte da sua vida", defendeu, citado pelo USA Today.

Aliás, Tom Junod, que comprou uma pilha de jornais no dia seguinte ao ataque, decidiu que tinha de escrever sobre a fotografia assim que a viu. A 22 de setembro de 2001, o jornal canadiano Globe and Mail publicou uma reportagem sobre a identidade do homem, que dizia ser Norberto Hernandez, o pasteleiro do restaurante Windows on the World. Junod decidiu, em 2003, investigar.

Ao contactar os familiares de Hernandez, o jornalista da Esquire apurou que nem todos concordavam com aquela tese, defendendo que o pasteleiro nunca escolheria saltar para a morte, uma vez que a sua religião encarava o suicídio como um pecado. Ao analisar as fotografias descartadas por Drew, Junod notou que o homem envergava também uma camisola interior laranja. Hernandez não tinha uma camisola interior daquela cor, de acordo com a esposa. Eventualmente, as pistas conduziram-no até Jonathan Briley, um engenheiro de som no Windows on the World. A descrição batia certo com a da família, mas havia outro detalhe: como o homem de 43 anos tinha asma, o fumo teria sido insuportável.

Nos dias que se seguiram aos atentados, Gwendolyn Briley-Strand juntou-se à família para afixar panfletos com a fotografia do irmão, que adorava chegar cedo ao trabalho para ver o nascer do sol a partir do 106.º andar. O pai, que era pastor, rezou para que o filho fosse encontrado. Um dia depois, a família foi informada de que os restos mortais de Briley tinham sido identificados, e estavam intactos. O irmão mais novo reconheceu o corpo, tendo a família recuperado uma aliança de casamento, um documento de identificação, um pager e uns ténis pretos. A pergunta veio à tona: seria Briley o "Falling Man"?

A reportagem de Junod, que foi inicialmente publicada em 2003, admitiu essa possibilidade. No entanto, o seu maior argumento era que, ao fim e ao cabo, "a única certeza que temos é a certeza que tínhamos no início".

"Quinze segundos depois das 9h41 da manhã, a 11 de setembro de 2001, um fotógrafo chamado Richard Drew tirou uma fotografia de um homem a cair pelo céu – a cair tanto no tempo como no espaço. A fotografia deu a volta ao mundo e depois desapareceu, como se a tivéssemos feito desaparecer por vontade própria. Uma das fotografias mais famosas da história da humanidade tornou-se uma sepultura sem nome, e o homem enterrado no seu enquadramento – o 'Falling Man' – tornou-se o 'Soldado Desconhecido' numa guerra cujo fim ainda não vislumbramos", escreveu o jornalista.

Volvidos 25 anos, Briley-Strand também admitiu preferir homenagear as vítimas, independentemente da escolha que tenham feito naquele dia.

"Quer fosse o Jonathan ou não, este homem em particular tomou a decisão de colocar a sua vida nas próprias mãos e lançar-se para os braços de Deus", disse.

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