Quem são os quatro denunciados por monitorar promotor Lincoln Gakiya e coordenador de presídios para o PCC | G1

🗓️ 2026-07-28 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas para coletar e repassar informações que poderiam subsidiar atentados contra as autoridades.

De acordo com a denúncia, os quatro integravam, desde pelo menos junho de 2025, uma estrutura do PCC voltada ao levantamento de endereços, rotinas, trajetos, fotografias, vídeos e informações sobre agentes públicos.

O material seria encaminhado à chamada "Sintonia Restrita", setor da facção apontado pelo Ministério Público como responsável por coordenar ações estratégicas, incluindo atentados contra autoridades.

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Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão", e Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado", respondem em liberdade. Na denúncia, o MP-SP pediu a prisão preventiva dos dois, sob o argumento de que eles poderiam continuar atuando em favor da organização criminosa.

O g1 não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos denunciados até a última atualização desta reportagem.

Veja abaixo quem são os denunciados e qual o papel atribuído a cada um deles pela investigação:

Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão"

Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão". — Foto: Reprodução

De acordo com os promotores, Victor Hugo utilizava o codinome "Falcão" nas conversas interceptadas e enviava as informações coletadas em campo para outro integrante da organização, identificado como "Maurício", posteriormente reconhecido como Wellison Rodrigo Bispo de Almeida.

Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício"

Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício". — Foto: Reprodução

Preso em outro processo por tráfico de drogas, ele seria o destinatário das informações produzidas por Victor Hugo e o responsável por centralizar esse material antes de encaminhá-lo à "Sintonia Restrita" do PCC.

A investigação aponta que arquivos encontrados no celular de Wellison eram idênticos aos localizados no aparelho de Victor indicando que ele recebia e armazenava os registros do monitoramento.

O Ministério Público também afirma que Wellison era uma pessoa de confiança da facção e que Sérgio Garcia da Silva atuava diretamente sob sua coordenação.

Sérgio Garcia da Silva, o "Messi"

Sérgio Garcia da Silva, o "Messi". — Foto: Reprodução

Segundo a denúncia, ele realizava levantamentos sobre os deslocamentos e hábitos do promotor e mantinha contato frequente com Wellison.

Sérgio foi preso em outro processo por tráfico de drogas. Na ocasião, policiais apreenderam três celulares. Em um deles, segundo o MP-SP, havia registros relacionados ao monitoramento de autoridades públicas.

Os promotores afirmam ainda que ele negou ser o proprietário do aparelho, mas a perícia concluiu que o telefone armazenava informações relevantes para a investigação.

Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado"

Segundo o Ministério Público, ele foi identificado após a análise de mensagens encontradas no celular de Sérgio e de uma carta apreendida durante as investigações.

Para os promotores, Adilson orientava a exclusão de conversas, auxiliava na ocultação de conteúdos considerados comprometedores e atuava como interlocutor em tratativas sensíveis da organização criminosa.

Como funcionava o grupo

Segundo o Gaeco, a investigação identificou uma divisão de tarefas entre os quatro denunciados.

Victor Hugo seria responsável por levantar informações sobre Roberto Medina em Presidente Venceslau. Wellison receberia e centralizaria esses dados antes de repassá-los à estrutura superior da facção.

Sérgio monitoraria a rotina do promotor Lincoln Gakiya em Presidente Prudente. Já Adilson daria apoio às comunicações do grupo e ajudaria a apagar vestígios digitais.

Para o Ministério Público, esse fluxo estruturado demonstra que os denunciados atuavam de forma coordenada para abastecer a "Sintonia Restrita", incluindo atentados contra autoridades públicas.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo

Plano

De acordo com as investigações, os criminosos alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro do condomínio onde vive o promotor e usaram até drones para monitorar por meses a rotina dele e de Medina.

As ordens para os ataques partiram de dentro de presídios federais e seriam executadas por integrantes da facção em liberdade.

Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do interior paulista.