Rajoy ataca e mercado nacional ferve: quem escapa ao caos?
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Muito boa tarde. Seja bem-vindo à edição de segunda-feira, 13 de julho, de "E o Campeão É". Eu sou o Nelson Ferreira, comigo para os comentários da atualidade esportiva tenho hoje Mariana Fernandes, Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Bem-vindos, campeões. A primeira meia-final deste mundial de futebol é já amanhã, entre Espanha e França, e até tivemos ex-primeiro ministro espanhol a querer antecipar esta partida, o que está a gerar muita celeuma pela internet e não só. Mariano Rajoy diz que a França joga sem franceses. Críticas de racismo e ódio sobre este ex-governante são muitas e de vários quadrantes, mas vamos deixar essa primeira meia-final como prato forte para a edição de amanhã de "E o Campeão É" e hoje dediquemo-nos um bocadinho aqui também ao futebol interno. Temos Carlos Carvalhal a assumir o Famalicão depois da saída de Hugo Oliveira, que vai treinar o Estrasburgo. As movimentações de mercado de Benfica e Sporting também em análise aqui hoje com a Mariana Fernandes. Mariana, começo por ti para perceber que Benfica será este. Já tivemos ensaio durante o fim de semana e temos muitas notícias de vários interesses em Schjelderup. Poderá ser dos jogadores que mais se valorizaram, pelo menos dos que jogam em Portugal neste mundial, através da participação com a Noruega, onde até começou um bocadinho como suplente e chega aqui em grande. Marco Silva pediu reforços, mas se calhar para isso o Benfica tem de vender.
Sim, deixa-me só fazer um ponto prévio em relação ao Hugo Oliveira.
Força. Já iria a esse assunto também.
Sim, muito rapidamente. O Hugo Oliveira ir para o Estrasburgo não é ir para um clube qualquer. O Estrasburgo é parte da BlueCo, que é a dona do Chelsea, ou seja, o Estrasburgo é do Todd Boehly, do empresário norte-americano que comprou o Chelsea. Portanto, ir para o Estrasburgo é ir para um clube que tem sido satélite do Chelsea. Aliás, viu-se nesta temporada, o Liam Rosenior, que era treinador do Estrasburgo, foi ser treinador do Chelsea. Não correu muito bem, é certo.
Pode o Hugo Oliveira estar na calha para o Chelsea daqui a um ano.
Não é isso que eu estou a dizer, mas entrar obviamente num universo do tamanho da BlueCo e de uma empresa obviamente gigante mundial, que é dona de um clube como o Chelsea, é obviamente um excelente passo para a carreira do Hugo Oliveira.
Parece que batem a cláusula, o que deixa também financeiramente um bom negócio para o Famalicão.
Mais um bom negócio para o Famalicão. Ou seja, é mais um bom negócio nos últimos anos do Famalicão. Acho que o Gustavo Sá vai ser, eventualmente, o melhor negócio da história do Famalicão, mas é mais um bom negócio do Famalicão, que tem vindo a fazer um trabalho extraordinário nos últimos anos. Sobre a questão do Schjelderup, eu acho que o Benfica sempre quis, sempre achou e sempre teve essa noção, e acho que bem, que a questão do Schjelderup seria um assunto e um dossiê para resolver no final do Campeonato do Mundo. Ou seja, independentemente dessa proposta de renovação que existe e a que o Schjelderup ainda não respondeu, o Benfica sempre teve noção de que o jogador nunca iria responder sobre uma renovação de contrato antes do final do Campeonato do Mundo, onde poderia obviamente valorizar-se, algo que aconteceu. Não nesse início, mas depois a partir do momento, essencialmente, em que arrancaram os jogos a eliminar, com as assistências para os dois gols do Haaland, com o gol também que marca, apesar da eliminação agora contra a Inglaterra nos quartos de final. Eu acho que aqui o grande entrave do Benfica, ou o grande obstáculo do Benfica, será sempre a relação frágil que existe com o entorno do Schjelderup. Ou seja, não necessariamente com o jogador, mas com o pai do jogador, com o empresário do jogador. Desde que o Schjelderup está no Benfica, que temos visto repetidamente ou eles próprios a falar, ou muitas notícias a aparecerem nos jornais sobre o fato de o Schjelderup estar descontente com os poucos minutos, descontente com as poucas oportunidades, descontente com o fato de não ser aposta de praticamente todos os treinadores que foram passando pelo Benfica. Portanto, existe uma relação muito frágil e muito partida entre as duas pessoas, neste caso, o pai e o empresário, que controlam ou que têm uma palavra a dizer sobre a carreira do jogador. Eu acho que esse pode ser o grande entrave do Benfica neste objetivo de renovar com o Schjelderup. Ainda assim, é preciso não esquecer e olhando para aquele que está do lado do Benfica, o Schjelderup não tem uma temporada extraordinária. Tem quatro meses extraordinários, cinco meses extraordinários, ou seja, é principalmente na segunda metade da temporada e é principalmente com José Mourinho que o Schjelderup explode nesta última época que terminou. Não é propriamente uma enorme temporada do Schjelderup. Não, são quatro ou cinco meses. E eu acho que isso pode estar do lado do Benfica, ou seja, essa ideia do jogador ou tentar convencer o jogador de que precisa de uma temporada, é certo, para tentar dar este salto. Agora, que será sempre um desafio difícil para o Benfica segurar um jogador, obviamente com esta qualidade, que acabou de se expor desta maneira no Campeonato do Mundo, isso sim. Mas o Benfica também já acautelou, de alguma maneira, esse assunto com a contratação do Jakub Kaminski.
Augusto, queria o teu comentário também sobre Carlos Carvalhal no Famalicão e a saída de Hugo Oliveira, mas também pedir a tua opinião sobre o momento do Sporting. Ülmen já apresentado no Atlético, a confirmação também da saída de Trincão. Pote poderá ser o próximo. É uma revolução esta que está a acontecer no Sporting para a próxima temporada?
Boa tarde a todos. Antes de responder à tua pergunta, deixa-me dar os sentimentos à família do Manu, que faleceu tragicamente este fim de semana num acidente de viação. Em relação ao Carlos Carvalhal, isso é a vida dos treinadores. De um momento para o outro, parece que está tudo certo. Podes ter cinco, seis, três, quatro anos de contrato, mas nunca sabes se os vais cumprir ou não. Umas vezes sais porque querem te interromper isso, outras é porque há outras oportunidades. E nesse sentido, houve esta oportunidade e a Mariana explicou bem aí, não é o Estrasburgo, é realmente a multinacional que está por trás disso, que faz pagar quatro milhões ao Famalicão, mais um grande negócio, e que leva Hugo Oliveira e abriu-se ali uma porta para um outro treinador, neste caso, Carlos Carvalhal, que vai ter uma missão muito complicada, muito difícil. Ele pode saber como é que se regem as normas naquele clube, que é valorizar, que é jogar bom futebol, que é vender jogadores, que é ter boas classificações, mas o Hugo Oliveira neste ano e meio fez realmente um excelente trabalho. E é natural que agora a pressão calhe em Carlos Carvalhal, porque tem que manter o nível Porque se não mantiver o nível, as coisas podem se complicar. E oxalá que ele tenha sorte e sucesso, que é aquilo que eu desejo. Em relação ao Sporting, o Sporting está a ficar cheio de dinheiro, mas poucas certezas em relação àquilo que vai ser a próxima época. Ou seja, sai Trincão, parece que sim, por 45 milhões. Não se pode dizer que não é um grande negócio, porque o é. Parece que o Sporting o quer vender, seja de qualquer maneira dentro daqueles valores, mas que o quer vender, não o quer ter no plantel. Yeoman já saiu, já está no Atlético de Madrid. Morita também já saiu. Ou seja, o Sporting tem ali uma sangria de jogadores importantes, que foram corpo da equipa em outras épocas, que fez do Sporting realmente bicampeão e neste caso três vezes campeão. O Sporting contratou jogadores, é verdade, mas vai ter aquela incerteza de que os jogadores se incorporem o mais rapidamente possível dentro da dinâmica daquilo que o Ramos pode querer. Isso pode demorar o seu tempo e nesse seu tempo, pode perder alguns pontos. E se nós nos lembrarmos daquilo como o Sporting acabou a época e daquilo que vai iniciar agora esta época, se as coisas não começarem a correr bem, e depois as coisas podem só não cair para o lado dos jogadores, mas também podem cair para o lado do treinador.
Gabriel Alves, queria também saber o que pensas desta primeira meia-final que vamos ter amanhã. Será o prato forte do "E o Campeão é" de amanhã, depois da 13h30. Mas queria já um vislumbre do muito que se tem falado. Por um lado, com este ex-primeiro-ministro espanhol, com estas declarações mais infelizes e também, pelo que percebi, se calhar aqui alguma celeuma que poderá estar a nascer no balneário de Inglaterra entre o treinador e Bellingham, outra meia-final que vamos ter a envolver a Inglaterra e a Argentina, este um duelo que será um pouco mais revestido de história.
Boa tarde a todos. Em relação ao jogo de amanhã, em relação ao que foi escrito, acho que este senhor não olha bem para aquilo que são as nações hoje. Ele inclusivamente teve cargos importantes a nível da nação espanhola. Hoje todas as seleções, dado aquilo que é a nova sociedade, e bem, têm jogadores que são dos seus países, oriundos de outros. Olha a Inglaterra, tem jogadores oriundos da Irlanda, olha, por exemplo, o Bellingham, tem oriundos da Escócia. Isso não é só oriundos dali e dali. Não, é de todo lado. É algo com que naturalmente hoje vivemos, convivemos, no futebol e noutras áreas da atividade económica, social, financeira, técnica, etc. Vamos ali e já volto. Acho que tem havido muito falatório disso, até nas redes sociais, põem fotografias da seleção de 1978 e depois fotografias da seleção atual e de outras situações, que naturalmente pra mim são questões que me passam. Lamento que elas venham, mas acho que é daquelas que é pra tirar pro lado. Aquilo que está em causa é o valor, é a situação, é aquilo que é, são aquilo que vivemos, são os valores que hoje temos. Quanto ao jogo de amanhã, obviamente que é um jogo em que, para mim, vão estar se calhar as duas melhores seleções, talvez daquelas que pudessem chegar ao melhor ser final. Vamos ver, vamos ter Mbappé face a Lamine. Espera-se que haja um Lamine que ainda não foi visto nesta competição. Embora, pronto, ele esteja lá e denote. Vamos ter ali duelos interessantes. Eu acho que poderemos ter um bom espetáculo, bom futebol, em que ambos os treinadores, independentemente do naipe, da matéria-prima, de que desfrutam, de que dispõem e que têm que saber trabalhar, também têm que ser jogadores do banco. Como diz o Maldini, que está agora a organizar a estrutura diretiva do futuro do futebol italiano ao nível de seleção, que precisa ter um grande jogador no banco de suplentes. E portanto anda a namorar o Guardiola. Já lá irei. É preciso ter dois treinadores que sejam treinadores de banco e que saibam entrar no jogo, que tenham toda a projeção daquilo que querem para o jogo, mas que saibam, em função daquilo que o jogo der, saibam também intervir com qualidade e capacidade. Quanto à Inglaterra com a Argentina, é um despique a outra dimensão, um despique grande, que está apaixonado. Há muitas coisas que estão a fazer, esperemos que não se entorne o caldo. Em relação à questão das origens, eu queria dar aqui uma noção gira, que me parece interessante. Estamos a falar da Noruega, que foi uma equipa interessante neste campeonato. Reparem numa coisa: o Nusa é oriundo da Nigéria, o Bob é oriundo do Gabão. Reparem, quando eles os dois entraram na equipa da Noruega, o futebol força, fantástico.
E o Bob fala português.
Exatamente. Repara bem que a equipa teve outro perfume. Teve o perfume daquilo que eu chamo a força da técnica. Houve ali uma mudança de regime. Esse treinador soube mexer. Pronto, não deu, não resultou, paciência. Mas a verdade é isto. Isto é bonito de ver, é bonito de apreciar e de viver. São excelentes sensações.
Pedro Henriques, temos de avançar. Queria também um pequeno comentário teu ao facto de João Pinheiro se manter neste mundial. Tem hipótese ainda de arbitrar alguns jogos, inclusive está no grupo de onde poderá sair o árbitro que vai apitar a final de 19 de julho
Só faltam quatro jogos, também já não há muitos jogos.
Claro.
Faltam as duas meias-finais de terceiro e quarto lugar e a grande final. O fato desta redução de 50 árbitros iniciais para 13, e relembrar que a nível da UEFA foram 15 e o João Pinheiro se mantém, é sempre bom sinal, mesmo que ele provavelmente até possa vir só a fazer um quarto árbitro ou estar inserido numa equipa de arbitragem. Se não for árbitro, só pode fazer quarto árbitro, porque os VARs são especializados também, são específicos. Mas são sinais de que, afinal, aplicou bem o protocolo, afinal, todo este barulho que os suíços andaram a fazer, porque nós normalmente fazemos um bocadinho estes filmes que é: "Se o árbitro não tivesse se enganado a mostrar o cartão amarelo ao Paredes, o Embolou não era expulso". Não, o engano do árbitro foi não ter mostrado logo direto amarelo ao jogador que simulou e mandou-se para o chão. E com esta alteração do protocolo, amigos que simulam e que levam os árbitros a enganarem-se e a mostrar cartões amarelos aos outros, vai mudar a coisa. Eu tinha dito que este era o mundial da arbitragem, por todas estas mudanças. Portanto, estou feliz pelo João Pinheiro ficar, já atingir o patamar que atingiu, ter feito quatro jogos, três como árbitro principal e um como quarto árbitro, muito bem e por isso estou bastante feliz. Só uma última nota relativamente a esta questão que se fala de quem nasceu onde quer que seja e não nasceu. Marrocos também tem uma seleção em que nenhum deles tinha nascido lá e a maior parte das seleções tem jogadores que nem sequer jogam nos próprios países, embora aqui estejamos a falar de outra coisa. Relembro só também que o Eusébio, um dos nossos símbolos, não nasceu em Portugal, o Richard Dewory não nasceu em Portugal. É como diz o Gabriel Alves, são sinais dos tempos, os tempos mudaram. Estar a fazer comparações de fotografias dos anos 60 ou 70 com fotos atuais das seleções. O mundo tornou-se globalizado. Não sei se isso é melhor ou é pior, sei que é diferente. E portanto, não faz sentido nenhum esse tipo de conversa e discussão, que para mim nem é uma questão de ideologia, é uma questão de estupidez. Estamos no tempo do IA, da inteligência artificial, e eu repito aquilo que digo muitas vezes, estamos também no tempo da EN, que ainda é pior que a IA, que é estupidez natural. A estupidez natural, neste momento, é maior que a inteligência artificial. E esse senhor nem tem inteligência artificial e tem muita estupidez natural quando falam-se nessas coisas. O mundo globalizou-se, é totalmente diferente, não faz absolutamente sentido nenhum. O que importa é a atitude, o comportamento e a maneira como as pessoas estão e o sentir a seleção.
Pedro, avançamos com o teu campeão desta segunda-feira.
É para João Pinheiro, porque há aqui várias notas que podiam ser dadas. Podia ter falado do jogo do Benfica com o Flamengo, que foi um jogo em modo wrestling. A malta do Brasil veio aqui mesmo para dar porradinha, mas não vou falar dessas coisas. Deixo isso para o João Pinto quando vier cá falar da lesão do jogador de três meses, o jovem, quando o João Pinto estiver conosco. Vou dar nota ao João Pinheiro, porque depois de três mais uma participações, uma quarto árbitro e três como árbitro principal, todas elas com nota positiva, independentemente dos zunzuns e das coisas que se dizem e daquilo que são as desculpas dos selecionadores e da internet. O fato é que ele continuou lá, teve três notas, três avaliações positivas e mesmo que não faça mais nenhum jogo, porque são 13 árbitros para quatro jogos, o fato de lá estar mostra toda a confiança que, neste caso, a FIFA tem em relação ao árbitro.
No árbitro João Pinheiro. Mariana Fernandes, o teu campeão de hoje?
Olha, um descampeão e vai para o Mariano Rajoy. Muito rapidamente e antes de grandes considerações. Eu fui ver, dentro destes 26 convocados de França, quantos é que não nasceram em França. São quatro, sendo que eu acho que há aqui um que nem conta, que é o Mike Mayan, que nasceu na Guiana Francesa, portanto, em território francês. O Marcus Thuram é filho do Lilian Thuram, nasceu em Itália porque o pai jogava no Parma na altura. O Michael Olise nasceu em Inglaterra, a mãe é francesa. O único que de fato nasceu noutro país e que é filho de imigrantes é o guarda-redes do Rennes, é o Brice Samba, que nasceu no Congo e os pais emigraram para a França. São quatro, sendo que eu acho que estes três nem sequer conta. Portanto, na verdade, é um. Tudo isto diz respeito à cor da pele e isso tem um nome, chama-se racismo.
Chama-se racismo. Augusto Inácio, estamos a ficar sem tempo, apelo à vossa brevidade.
Nota 20 para um treinador português que está a vencer lá fora. Já o ano passado tinha ganho o campeonato e a taça e agora ganhou a Supertaça. Estou a falar de Filipe Coelho, que ganhou à Universidade de Cluj ontem e ganhou mais um troféu para a sua equipa, por isso 20 para Filipe Coelho. E nota 17 para Julián Álvarez. Aquele gol que ele marcou à Suíça é ver e rever. Parabéns, Julián Álvarez.
Gabriel, a tua nota de campeão.
Um descampeão, também em países civilizados como a Noruega, existem pessoas chamadas de energúmenos, porque aquilo que se está a fazer em relação à família Sorloth e ao próprio Sorloth, porque não fez um passe, fez um remate, com ameaças graves a nível das redes sociais, é lamentável que aconteça no futebol. Uma grande nota para a arbitragem da marca AS. Diz-se: "Arbitragem mundial, tensão. A tecnologia em cima da mesa incomoda." Pois incomoda, principalmente aqueles que perdem. Queriam tanto, mas a tecnologia é para todos, não é só para uns. E vou terminar com uma nota de pesar para o jogador que faleceu.
Manu.
Manu.
Amanhã, depois de uma nova edição de "E o Campeão É".