Rebeldes do Iémen reivindicam ataques contra a Arábia Saudita
"As forças armadas iemenitas realizaram uma operação militar de grande escala e alcance", visando instalações da petrolífera Aramco e a base aérea King Khalid, declarou o porta-voz militar dos rebeldes, Yayha Saree.
Na operação, os rebeles utilizaram "dezenas de mísseis balísticos e drones", disse Saree num comunicado, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
A operação constituiu uma resposta a 121 ataques aéreos que os rebeldes atribuíram à Arábia Saudita nos últimos três dias contra as províncias iemenitas de Marib, Al Baida, Al Hudeida, Taiz e Al Yauf.
Os huthis acusaram Riade de uma "escalada importante e generalizada" e destacaram o bombardeamento de uma prisão em Al Yauf, com um balanço de 11 mortos e 20 desaparecidos, de acordo com as autoridades locais.
Na segunda-feira, os rebeldes tinham divulgado um balanço de sete mortos e sete feridos no ataque à prisão, atribuído à coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que não comentou as acusações.
A nova ofensiva dos huthis ocorreu pouco depois de fontes oficiais e militares sauditas terem relatado ataques contra instalações civis e económicas nas províncias de Abha, Khamis Mushait, Jizan e Najran.
A Arábia Saudita anunciou que os bombardeamentos dos huthis provocaram 73 feridos, incluindo mulheres e crianças, e causaram incêndios em instalações do setor energético e interrupções temporárias de algumas operações.
O porta-voz militar saudita, Turki al Maliki, prometeu adotar "todas as medidas operacionais necessárias" para dissuadir os huthis, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita acusou os rebeldes apoiados pelo Irão de ameaçarem a segurança regional e a navegação internacional no mar Vermelho.
Os huthis advertiram que responderão a qualquer novo ataque e garantiram que continuarão as operações dentro da Arábia Saudita até que a agressão termine e o bloqueio ao Iémen seja levantado.
O agravamento da tensão ameaça reativar totalmente uma guerra que permanecia parcialmente congelada desde 2022, quando expirou uma trégua mediada pelas Nações Unidas que tinha reduzido significativamente os combates e permitido a troca de prisioneiros.
O conflito começou no final de 2014, quando os huthis tomaram a capital iemenita, Sana, e grandes áreas do norte e centro do país.
A Arábia Saudita interveio militarmente no ano seguinte em apoio ao Governo internacionalmente reconhecido.
Nas últimas semanas, os combates intensificaram-se especialmente em Marib, uma região rica em petróleo, e em zonas da costa do mar Vermelho, com as forças governamentais e os huthis a reivindicarem avanços em diferentes frentes.
Os huthis tentaram na semana passada avançar para zonas da margem do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do mar Vermelho e do canal do Suez.
O estreito ganhou importância fundamental desde o início da guerra no Médio Oriente e do bloqueio pelo Irão do estreito de Ormuz, do outro lado da península Arábica.
O Iémen é o último país a ser arrastado para o conflito regional desencadeado pela ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão no final de fevereiro.
A guerra no Iémen causou centenas de milhares de mortos e mergulhou o país, o mais pobre da península Arábica, numa grave crise humanitária.
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