Reforma: maioria está preocupada mas não prepara

🗓️ 2026-09-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Boa moeda, má moeda. Hoje começamos por uma boa moeda, não vamos falar de combustíveis.

Já vamos ver se é assim tão boa, mas vamos lá.

Não, a primeira não é boa.

Fala de combustíveis, não.

A primeira é boa.

Sim.

Não?

Pode ser boa.

Os salários devem subir mais de 3% no próximo ano. Isto não é uma boa?

Pode ser.

Depende da inflação.

Pronto.

Carla, vai para casa.

Fechamos já aqui o moeda, está feito.

Já que insistes.

A Carla leva a taça. Mas é verdade.

Eu sou otimista.

É isso mesmo. E aqui estamos a olhar para um estudo anual, chama-se o Total Compensation, que é da Marsh Portugal, é feito todos os anos, mas incide mais sobre a área dos serviços, das pessoas dos escritórios, digamos assim, e de gestores. E de facto diz-nos que os salários em Portugal devem subir 3,3% no próximo ano. Lá está, Maria João, se a inflação for abaixo, temos aqui um ganho real. Se o valor for este e a inflação for acima, temos uma perda real de poder de compra. Já agora, a Marsh é uma empresa líder na área da consultoria de risco e de recursos humanos e faz uma sondagem às empresas para perceber quais são as perspetivas, neste caso, para o próximo ano. Depois este estudo também diz que o crescimento de salário está a acontecer a duas velocidades. Primeiro, os cargos operacionais, que devem subir 6,5%, enquanto as restantes funções não operacionais, digamos mais de gestão, devem subir apenas 1,3%. Isto significa que está a haver aqui um achatamento salarial entre estes dois níveis da hierarquia. Por um lado, é bom, está a haver uma convergência. A diferença salarial entre cargos mais de gestão e mais operacionais está a esbater-se, o que significa que provavelmente também há falta de recursos com perfil mais operacional e, portanto, as empresas têm que pagar mais para os contratar. Sobre o emprego, perspetivas de emprego, mantêm-se maioritariamente positivas. 22% das empresas prevê aumentar o número de trabalhadores no próximo ano e 58% diz que vai manter o número de colaboradores. Portanto, temos aqui uma larga maioria que ou mantém ou aumenta. O restante que falta aqui, obviamente, são empresas que preveem que possam reduzir o número de trabalhadores. Sobre os benefícios, ou seja, tudo aquilo que compensações que são dadas aos trabalhadores extra salário, Portugal continua a ter essa prática forte. 70% das empresas concede, por exemplo, mais dias de férias do que é exigido por lei. A média nacional prática está agora nos 25 dias de férias por ano. Depois temos os clássicos seguro de saúde. Seguro de saúde já é um clássico em muitas empresas, o carro de empresa para algumas funções, o subsídio de refeição, este porque tem um benefício fiscal, continuam a ser as regalias mais atribuídas. Na maioria dos planos de saúde, as empresas cobrem totalmente os custos e alargam a proteção à família dos trabalhadores.

Sim, são os benefícios mais clássicos.

Os mais clássicos.

Mais habituais.

Mas este é um retrato muito rápido deste estudo.

E são poucos aqueles que preparam a reforma.

Este é mais um estudo, desta vez da Consumer Choice, sobre o envelhecimento da população e as consequências, se quisermos, em termos financeiros. De facto, 94% dos inquiridos com mais de 45 anos reconhecem o envelhecimento como uma preocupação em termos financeiros e de saúde também, mas sobretudo financeiros, é aquilo que nos importa aqui. Mas apesar destes 94% estarem preocupados, apenas 20% dos consumidores que está em idade ativa, portanto, que está a trabalhar, se quisermos, afirma que está atualmente a preparar-se financeiramente para a reforma, para além daquilo que são as contribuições obrigatórias da Segurança Social. A perceção de que o sistema público de Segurança Social pode não ser suficiente é generalizada. 80% dos entrevistados dizem que a pensão pública não é, nem será suficiente para assegurar uma boa qualidade de vida durante a reforma. No fundo, é toda a discussão que temos tido em termos políticos. A questão não está em saber se vai ou não haver reformas no futuro. A questão está em saber que nível é que vão ter essas reformas e até que ponto é que garantem, de facto, alguma qualidade de vida. E quando pensam no próprio envelhecimento, o que é que aparece como principais preocupações? A saúde com 90%, a segurança financeira para 61% das pessoas e a autonomia para 58%, são de facto aqui as principais causas que as pessoas identificam para garantir qualidade de vida. Os resultados mostram, de facto, este paradoxo. As pessoas estão preocupadas com a forma como vão envelhecer, mas uma grande maioria não está a fazer nada para tentar preparar-se para isso.

Porque vai correr tudo bem.

É sempre, vamos fazer aquele coraçãozinho com as mãos e pôr muitos arco-íris.