Reino Unido regista recorde de denúncias relacionadas com radicalização
Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, o programa Prevent recebeu 10.293 sinalizações, mais 39% do que nos 12 meses anteriores e o valor mais elevado desde que estas estatísticas começaram a ser publicadas, em abril de 2015.
O relatório refere que o aumento das sinalizações tem sido contínuo desde o ataque de Southport, em julho de 2024, no qual três raparigas, incluindo uma menina portuguesa de 9 anos, foram esfaqueadas mortalmente.
O autor do ataque, Axel Rudakubana, então com 17 anos e posteriormente condenado a 52 anos de prisão, tinha sido sinalizado várias vezes ao Prevent, mas não foi encaminhado para acompanhamento especializado por não ter sido identificada uma ideologia específica associada ao seu comportamento.
No período analisado no relatório hoje conhecido, 20% das sinalizações estavam relacionadas com posições de extrema-direita, contra 8% associadas ao extremismo islamista.
As sinalizações relacionadas com a extrema-direita aumentaram mais de 40% face ao período anterior, num contexto de maior visibilidade pública de movimentos e figuras dessa área política no Reino Unido.
Apesar da diminuição das sinalizações associadas ao extremismo islamista, aumentou a proporção dos casos considerados suficientemente graves para serem encaminhados para o Channel, programa destinado a acompanhar pessoas consideradas vulneráveis à radicalização.
"O terrorismo islamista continua a ser a principal ameaça terrorista no Reino Unido", indica o relatório, recordando que o nível oficial de ameaça terrorista permanece em "grave", o segundo mais elevado numa escala de cinco níveis.
Mais de metade das sinalizações (56%) não foi associada a qualquer ideologia específica, circunstância que as autoridades consideram refletir "um panorama ideológico cada vez mais fragmentado".
Os casos relacionados com uma "fascinação pela violência extrema" registaram também um aumento, atingindo 286 sinalizações entre abril e junho de 2025.
O setor da educação continua a ser a principal origem das sinalizações, com 3.496 casos, aproximadamente um terço do total, seguindo-se a polícia e os serviços de saúde.
Os menores entre os 11 e os 15 anos representam mais de um terço das pessoas sinalizadas, constituindo a faixa etária mais representada, enquanto os jovens entre os 16 e os 17 anos correspondem a 13% dos casos.
Segundo os dados oficiais, 68% das pessoas sinalizadas foram classificadas como caucasianas.
Criado em 2003, o Prevent constitui a vertente preventiva da estratégia antiterrorista britânica e estabelece mecanismos para que profissionais de áreas como educação, saúde e segurança sinalizem pessoas consideradas vulneráveis a processos de radicalização.
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