Represas: AM Lisboa manifesta pesar ao som das "Memórias de um beijo"

🗓️ 2026-07-28 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Apresentado pelo presidente da AML, André Moz Caldas (PS), enquanto se via no fundo uma fotografia de Luís Represas, o voto de pesar foi aprovado por unanimidade, prestando homenagem à vida, obra e legado do músico e guardado um minuto de escuta, em silêncio, em sua memória.

"Lembras-me uma marcha de Lisboa / Num desfile singular / Quem disse / Que há hora e momento p'ra se amar?", ouviram os deputados municipais, escutando a "Memórias de um beijo", e endereçando condolências à família e aos camaradas do Trovante.

"Morreu um dos nossos melhores talentos. Um homem, um cidadão e um músico implicado: com o nosso tempo, com a nossa terra, com a nossa cultura e o nosso povo. Morreu o homem que nos juntou em canções capazes de dizer muito mais do que cada um de nós saberia", afirmou o presidente da AML ao ler o voto de pesar.

O músico morreu na passada quarta-feira, aos 69 anos, vítima de doença prolongada.

Nascido em Lisboa a 24 de novembro de 1956, Luís Represas "é um dos mais sonantes nomes de uma era da música portuguesa que viu nascer muitas das suas mais bem sucedidas bandas e projetos individuais", enalteceu o voto da AML, referindo que o músico construiu "um trajeto ímpar" que se confunde com a própria história da música popular portuguesa das últimas cinco décadas.

"Para Lisboa representa também a memória de uma fase da vida da cidade com intensa atividade cultural e criativa, que moldou para sempre a sua história e identidade", realçou a AML, destacando a fundação da banda Trovante e afirmando que "a sua voz inconfundível" deu vida a canções que são "verdadeiros hinos" de várias gerações, como "125 Azul", "Saudade", "Perdidamente" ou "Outono".

No voto, os deputados municipais destacaram ainda a dimensão cívica e humanista de Luís Represas, que "foi um ativista pela liberdade, pela democracia e pelo desenvolvimento", tendo-se envolvido em diversas causas e combates políticos, em que "usou a música e a sua voz para iluminar injustiças, para denunciar a pobreza e clamar pelos direitos humanos".

"Lisboa, Portugal e Timor jamais esquecerão a sua interpretação do tema 'Timor', que se tornou o hino da solidariedade portuguesa para com o povo timorense na sua luta pela autodeterminação", expôs o voto, lembrando que a força da sua voz embalou as históricas manifestações que encheram as ruas da capital portuguesa no final da década de 90, "demonstrando o poder da arte como instrumento de mobilização e de defesa dos direitos humanos".

Para a AML, a morte de Luís Represas "espoletou uma comoção que não admite deixar calar a sua voz", por representar a voz coletiva de Lisboa: "Há uma cidade inteira disposta a eternizá-lo."

O voto de pesar chegou a incluir uma recomendação para que a Câmara de Lisboa atribuísse o nome de Luís Represas "ao largo em frente ao seu bar de sempre, Xafarix", na Avenida D. Carlos l, mas a IL avisou que iria abster-se nesse ponto, por discordar do local proposto, ressalvando que concorda que deve ser feita uma homenagem toponímica ao músico.

Por isso, o presidente da AML decidiu retirar esse ponto, acrescentando que, regra geral, a atribuição de toponímia exige que passem cinco anos sobre a morte da personalidade que se pretende homenagear.

Também por unanimidade, a AML aprovou um voto do PCP pela morte da obstetra e ginecologista Purificação Araújo, considerada a "mãe do planeamento familiar", e um do Chega pelo falecimento do padre Delfim Borges da Silva.

Por proposta do CDS-PP, aprovada com a abstenção do PCP, os deputados manifestaram pesar pelas vítimas do atentado terrorista em Berlim, que ocorreu no âmbito das comemorações do Dia do Orgulho LGBT.

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