Desmobilizada manifestação pela habitação no Porto após "infiltração"

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O porta-voz da organização da manifestação pela habitação ordenou hoje a desmobilização "imediata" do grupo que se mantinha na Praça D. João I, no Porto, denunciando uma "infiltração" de outros grupos na concentração.
"Juntos, em grupo, desmobilizar imediatamente para casa. Foi revertida a decisão", explicou aos manifestantes Pedro Manuel, pela 01h20.
À Lusa, o porta-voz explicou que houve uma "infiltração" de outros grupos na manifestação com o intuito de criar problemas, tendo sido registada uma pessoa transportada de ambulância após ter sido atingida por um soco.
A Acampada do Porto denunciou mesmo ao Público que os elementos seriam de extrema-direita, "alguns dos quais terão sido vistos com facas", tendo considerado dessa forma não estarem reunidas as condições de segurança para prosseguir com os protestos.
Pedro Manuel afirmou que, inicialmente, "a equipa de segurança" da Acampada suspeitava da presença de cinco ou seis militantes de extrema-direita e que, mais tarde, terá confirmado visualmente a presença de cerca de 11 pessoas, algumas das quais na posse de armas brancas. Comunicaram a situação às forças policiais presentes, mas afirmam não ter recebido garantias de segurança para os participantes que permaneciam na Praça D. João I.
Os manifestantes, que tinham votado permanecer e pernoitar no local, começaram a desmobilizar, apelando Pedro Manuel à mobilização para sábado, estando a organização a "avaliar" um regresso já hoje, sexta-feira.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto denunciou uma carga policial, na madrugada de quinta-feira, que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave. De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.

Duas pessoas em estado grave e uma com deficiência entre feridos no Porto
O Movimento pela Habitação denunciou que a intervenção policial, no Porto, causou ferimentos em 37 participantes, sendo um deles uma pessoa com deficiência. Dois dos manifestantes estão em estado grave.
Notícias ao Minuto com Lusa | 13:53 - 15/10/2026
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I".
O movimento apresenta seis reivindicações principais: "abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas".
Na nota, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a "comportamentos de resistência".

PSP confirma feridos e fala em "resistência" de manifestantes no Porto
A Polícia de Segurança Pública (PSP) confirmou que houve feridos, entre os quais vários manifestantes e um agente, durante a madrugada no Porto. O auto de notícia será entregue ao MP, assim como as imagens do momento. Autoridades garantem que manifestantes "resistiram".
Natacha Nunes Costa | 10:35 - 15/10/2026
O presidente da Câmara do Porto disse hoje que a PSP se viu "forçada" a atuar, perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.

"Uma coisa é o direito ao protesto, outra é o desrespeito da lei"
Declarações do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, sobre a ação policial que teve lugar esta madrugada, na cidade, contra os manifestantes que estão em protesto pelo direito à habitação.
Natacha Nunes Costa | 11:40 - 15/10/2026
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.

Feridos e pedido de demissão no Porto: "Abram casas, não cabeças"
Os manifestantes que desde sábado protestam pela habitação voltaram hoje à Praça D. João I, no Porto, com muitas críticas ao presidente da Câmara do Porto, tendo protestado em frente da sede do município por "menos bastão, mais habitação".
Lusa | 22:38 - 15/10/2026