Salles já afirmou que ninguém decente apoiaria André Prado - 28/09/2026 - Política - Folha
Antes de desistir da candidatura e apoiar Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado em São Paulo, Ricardo Salles (Novo) descartou a possibilidade de renunciar à corrida eleitoral de 2026 e fez discurso acirrado contra André do Prado, que tentou distanciar da direita.
Nesta segunda-feira (28), porém, o político do Novo anunciou a retirada da candidatura ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição. Salles declarou o apoio a Prado e Derrite, que têm 12% da intenção de voto no último Datafolha, em empate técnico com Marina Silva (Rede), com 15%, e Simone Tebet (PSB), com 14%.
Salles tinha 4% de intenção de voto. O levantamento, divulgado na quinta-feira (24), tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Na manifestação desta segunda, Salles afirmou que "o momento é tão grave que diferenças têm que ser deixadas de lado". Ele disse que a reeleição de Lula seria "uma catástrofe".
Antes da desistência, a principal crítica de Salles a André do Prado era que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo não seria um verdadeiro representante da direita.
A disputa entre os candidatos foi uma das principais tônicas do debate Folha/Uol do dia 21 de setembro, quando Salles tentou ligar o opositor ao centrão. André do Prado, por sua vez, afirmou a jornalistas, depois do debate, que a candidatura de Salles "atrapalhava" a direita e que o eleitor que fizesse uma escolha pelo ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) estaria ajudando Tebet e Marina Silva.
Salles também criticava Prado chamando-o de "filhote de Valdemar [da Costa Neto]", o presidente nacional do PL, a quem busca vincular à corrupção.
Em julho, em entrevista à Folha, o concorrente do Novo já dizia ter sido aconselhado a desistir da candidatura, em razão de haver três nomes da direita disputando duas cadeiras ao Senado.
"Vários comentaram que eu precisava desistir, mas por que eu que tenho que desistir? Eu me lancei candidato antes de todos, tenho uma história na direita muito mais sólida do que qualquer outro e estou na frente deles [André do Prado e Derrite] nas pesquisas", afirmou na época.
Ele também havia negado que o governador de São Paulo tivesse falado sobre desistência. "O Tarcísio nunca tocou nesse assunto de desistência comigo. Algumas pessoas, em conversa com o Fernando Meira [presidente do Novo em SP], insinuaram se não era o caso de eu ir para deputado federal, que obviamente eu teria uma votação significativa. Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir".
Em entrevista à Gazeta do Povo, em maio, Salles também afirmou não haver "a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado".
O candidato do PL, por sua vez, chamou Salles de ingrato. Segundo ele, as acusações sobre não ser um verdadeiro representante da direita partiam do fato de Salles não ter sido escolhido por Tarcísio e pela família Bolsonaro para o Senado.
"Sempre fui de direita, conservador. Ser de direita é querer um Estado mais enxuto para sobrar mais dinheiro para investimento, ter uma economia mais liberal para poder fazer o que temos feito em São Paulo, com parcerias público-privadas", afirmou em entrevista à Folha de agosto.
Já Derrite era poupado de críticas por Salles. Embora afirmasse apoiar André do Prado pelo fato de os dois estarem juntos no time de Tarcísio, Derrite afirmou, no dia 21 de setembro, que "votaria no Ricardo Salles um milhão de vezes" não fosse a lealdade ao grupo.