Ruído. Padre comenta sketch sobre Igreja. Bruno Nogueira fala de reações
A nova temporada de "Ruído" está a deixar a sua marca e no primeiro episódio lançado houve um sketch em particular que, como seria de esperar, deu muito que falar na Internet.
Uma sátira à Igreja e, sobretudo, aos casos de pedofilia, que levou o padre famoso na Internet, Pedro Figueiredo, a manifestar-se entre as muitas reações que o tema suscitou nas redes sociais.
"Será que os padres são todos pedófilos? O Bruno Nogueira, no «Ruído» com o RTP, fez um sketch a distribuir a Sagrada Comunhão, gozando com uma das coisas, ou brincando com uma das coisas que é mais sagrada para nós católicos, que nos pôs muitos de nós a pensar e a reagir imenso", começou por introduzir.
"E o padre é pintado com o cabelo todo lambidinho, dá a comunhão e parece ter sempre um olhar de quem é um depravado, para as mulheres especialmente. Tem alguma malícia - aquela parte das crianças [...]. No fundo, no fundo eu achei alguma graça. Achei alguma graça, a nossa liberdade de expressão deve ir, conseguir rir, mas há aqui uma questão que devemos todos pensar, para mim é a mais importante. Mas será que nenhum dos atores da RTP e do «Ruído» sabe comungar?", comentou de seguida.
"Então, a Sagrada Comunhão deve ser recebida de joelhos ou em pé. Se for na mão, é a mão esquerda sobre a mão direita e depois pegas. Não é assim. Há cada pessoa a comungar de cada maneira, tipo pinça, que é isto? Aprendam a comungar", acrescentou.
"Reparem, para nós cristãos portugueses, estamos a gozar com uma das coisas que é mais sagrada, que é a Sagrada Comunhão, porque Jesus está verdadeiramente presente. Reparem, a mensagem de Fátima, aquilo que o Anjo de Portugal diz aos pastorinhos, é que rezem pelos ultrajes sacrilégios e indiferenças com que Jesus é ofendido na Eucaristia", continuou o padre Pedro Figueiredo.
"Por isso, compreendo perfeitamente comentários até de ódio que eles possam ter recebido, mas também não é preciso isso, malta, calma. Agora, também acho que os padres não são todos pedófilos. Aliás, os episódios de pedofilia que aconteceram na Igreja são absolutamente deploráveis e temos que rasgar as vestes e fazer de tudo para que não volte a acontecer, e acho que estamos nesse caminho, mas os padres não são todos pedófilos", destacou de seguida.
"Não estou com isto a querer atacar o Bruno e a equipa do «Ruído». Acho que está com graça, acho que está inteligente, não estava à espera de achar essa graça, mas malta do «Ruído», aprendam a comungar seus analfabetos religiosos. Que Deus vos abençoe e vos guarde. Bruno Nogueira, continua", completou.
De referir ainda que Bruno Nogueira esteve na "Grande Entrevista" da RTP, com Vítor Gonçalves, para falar precisamente sobre o "Ruído" e acabou por mencionar este sketch em questão, abordando os limites (ou não) do humor.
"[...] Fizemos umas apostas entre os argumentistas sobre que sketches iriam dar problema. Há alguns que vão provocar isso: «Será que me devia estar a rir disto?». Como já provocou este da Igreja", comentou o humorista.
"[...] É curioso sempre, e não deixa de ser fascinante, que quando as pessoas se insurgem, principalmente as associações relacionadas com a Igreja, que se insurgiram contra este sketch, não tem a mesma energia a insurgirem-se contra a realidade, que são os casos de abuso na Igreja e o que aconteceu às vítimas. E por algum motivo, a comédia suscita essa camada de não ser possível brincar com isto, mas as pessoas não conseguem ou não lhes interessa chegar à outra camada, que é: «Antes de eles terem feito isto, o que é que aconteceu? Aconteceu isto na Igreja. Devíamos gastar a energia nisto ou num sketch que está a falar sobre uma coisa que aconteceu?»", comentou.
"Esse mecanismo - que está mais apurado a cada dia que passa - é aquilo que leva as pessoas a dizer que hoje em dia já não se pode falar de nada, que é uma frase que condeno Porque acho que hoje em dia pode falar-se mais do que nunca de tudo. Temos é que estar disponíveis para perceber que há mais meios de comunicação, há mais redes sociais de pessoas que são mais vocais e que antes estavam numa tasca ou num sítio qualquer e hoje em dia estão nas redes e fazem muito barulho. Daí até não se poder falar...", disse ainda.
Ainda durante a entrevista, Bruno Nogueira comentou também: "A comédia para mim é: eu gosto desse desconforto, precisamente porque põe em causa todos esse dogmas que nos tentam impingir daquilo com que se pode ou não brincar. Há sempre a famosa pergunta se há limites para o humor. Diria que sim. E os limites são: cada humorista antes de ser humorista é pessoa, portanto, há coisas que para mim não me fazem rir. E esse são os meus limites. Isso é diferente de eu dizer: eu acho que toda a gente devia ter os mesmo limites que eu."
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