Rússia condena "coligação de belicistas" europeus reunida em Paris
"Eu diria que é uma coligação de belicistas, é um grupo de países que não querem a paz, mas sim a continuação da guerra", afirmou o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, na conferência de imprensa diária.
Peskov disse que os países presentes na cimeira de Paris "se enganam profundamente sobre a possibilidade de infligir uma derrota estratégica" à Rússia.
"São uma coligação de ingénuos e de instigadores da guerra", acusou, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Apesar das críticas, disse que Moscovo vai seguir "muito atentamente" o que acontecer na capital francesa.
"Trata-se de países que cometem ações hostis contra nós", justificou o porta-voz do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O líder francês, Emmanuel Macron, preside hoje à tarde em Paris, juntamente com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, a uma cimeira da Coligação dos Voluntários.
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai participar no encontro.
A coligação lançada em 2025 reúne três dezenas de países dispostos a fornecer garantias de segurança à Ucrânia para impedir uma nova agressão russa após o fim do atual conflito.
Vão participar representantes de países, incluindo 25 chefes de Estado e de governo, de instituições europeias e da NATO.
Portugal está representado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
A reunião, centrada em impulsionar um cessar-fogo e a retoma das negociações de paz estagnadas desde fevereiro, vai abordar o fortalecimento da defesa antiaérea e antibalística da Ucrânia.
A cimeira deverá também permitir avançar na organização da Força Multinacional para a Ucrânia (MNFU, na sigla em inglês), sob liderança franco-britânica, cujo destacamento é rejeitado categoricamente por Moscovo.
O encontro terminará com uma declaração conjunta à imprensa de Macron, Zelensky, Starmer e Merz, antes de um jantar oferecido pelo Presidente francês no Palácio do Eliseu.
A Rússia já rejeitou a declaração conjunta emitida em 07 de junho pelos quatro líderes, que apelaram a Putin para que aceitasse um cessar-fogo imediato e total.
Pediram também o início de negociações a partir da atual linha de contacto e a concessão de garantias de segurança para Kiev, o que incluiria o destacamento de tropas multinacionais.
Advertiram ainda que os ativos russos no Ocidente vão continuar congelados até que Moscovo cesse definitivamente as ações militares na Ucrânia e pague reparações de guerra a Kiev.
Exigiram igualmente o respeito pelos interesses de segurança europeus em caso de um futuro acordo de paz.
Segundo a imprensa independente russa e ocidental, Putin não renuncia a conquistar pela força todo o Donbass, apesar das grandes perdas em vidas humanas nas fileiras russas e ao alto custo para a economia nacional dos ataques ucranianos.
O Donbass, uma vasta zona rica em minérios, integra as regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk, que a Rússia declarou como anexadas depois de ter invadido a Ucrânia em fevereiro de 2022.
A Rússia tenta conquistar o Donbass desde 2014, através de movimentos separatistas por si patrocinados e cujo pedido de auxílio após uma declaração unilateral de independência foi um dos argumentos para a invasão de 2022.
Desde a invasão, Moscovo também declarou como anexadas as regiões ucranianas de Zaporijia e Kherson, depois de ter feito o mesmo à península ucraniana da Crimeia em 2014.
Kiev exige a Moscovo a reposição das fronteiras de 1991, quando a Ucrânia se tornou independente da União Soviética, o bloco comunista russo que se dissolveu na altura.
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