Rússia disponível para ajudar a estabilizar situação no Estreito de Ormuz
"Precisamos de confiança nas relações entre os Estados do Golfo, os Estados árabes e o Irão. Precisamos de uma arquitetura regional estável", afirmou o ministro, manifestando a disponibilidade da Rússia para ajudar a estabilizar a situação.
A posição russa foi transmitida por Sergei Lavrov durante a 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, a decorrer em Nova Iorque, pouco tempo depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado que rejeitou o plano apresentado pelo Irão para reabrir a passagem marítima pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueada pela guerra.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, tinha anunciado, em Nova Iorque, que Teerão apresentou a Washington um plano de sete dias para restabelecer o tráfego marítimo normal através do Estreito de Ormuz.
O plano incluía, entre outras medidas, um cessar-fogo de sete dias no Médio Oriente, o levantamento do bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irão, o fim das sanções ao petróleo iraniano e a libertação de bens iranianos congelados.
Posteriormente, o Irão aceitaria reabrir o Estreito de Ormuz e, ao sétimo dia, Teerão e Washington retomariam as negociações para um acordo final, que incluiria o programa nuclear iraniano.
Na sua intervenção perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Sergei Lavrov afirmou ainda que a Rússia alcançará os seus objetivos militares na Ucrânia, "independentemente das circunstâncias".
"Os objetivos da operação militar especial serão alcançados, a ameaça à segurança da Rússia será eliminada e a vida pacífica regressará. Isso acontecerá independentemente das circunstâncias", declarou o ministro.
A propósito deste conflito, Lavrov acusou a Europa de se opor sistematicamente aos esforços de paz na Ucrânia, em contraste com a posição dos Estados Unidos.
Antes do seu discurso, o ministro tinha-se reunido com o seu homólogo alemão, Johann Wadephul, naquele que foi o primeiro encontro deste género desde o início da invasão russa da Ucrânia, sendo a Alemanha um dos principais apoiantes de Kiev.
O encontro decorreu num clima de fortes tensões, depois de a Alemanha ter acusado Moscovo de enviar, no início de agosto, um 'drone' carregado de explosivos contra o aeroporto de Leipzig. Desde então, a Alemanha e a Rússia encerraram os respetivos consulados nos dois países.
De acordo com fontes da delegação alemã, citadas pela AFP, Johann Wadephul instou Moscovo "a abandonar a perigosa via da escalada em relação à Alemanha, à Europa e à NATO" e condenou a "agressão persistente e cada vez mais direcionada da Rússia contra a população civil ucraniana.
"Esta tentativa de aumentar a pressão em nada altera a situação insustentável da Rússia: todos os meses, dezenas de milhares de soldados russos morrem numa guerra de posições sem saída, enquanto a economia russa continua a afundar-se", afirmou a diplomacia alemã.
Sergei Lavrov tinha-se reunido pela última vez com um ministro dos Negócios Estrangeiros alemão em janeiro de 2022, quando se encontrou com Annalena Baerbock, menos de um mês antes do início da invasão da Ucrânia.
Na tribuna das Nações Unidas, Lavrov foi particularmente crítico de Berlim, defendendo que "uma reforma do Conselho de Segurança da ONU não pode incluir lugares adicionais atribuídos a países ocidentais, particularmente à Alemanha e ao Japão, que se encontram agora no caminho do militarismo".
[Notícia atualizada às 18h29]

Reabrir Ormuz? Trump confirma: "Fizeram uma proposta, mas rejeitei-a"
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje que rejeitou o plano de sete dias apresentado pelo Irão para reabrir a passagem marítima pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueada pela guerra.
Lusa | 15:53 - 26/09/2026