Sangue e pânico a bordo: segunda equipe de pilotos que viajava como passageiros estabilizou avião | G1

🗓️ 2026-10-01 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Ninguém entre os passageiros sabia ainda o que estava acontecendo dentro da cabine, mas o avião já começava a despencar das alturas. O Boeing 737 Max 8 da FlyDubai decolou dos Emirados Árabes Unidos com destino a Tel Aviv, Israel, às 7h05, hora local. Levava 174 passageiros e seis tripulantes.

O avião atingiu a altura de cruzeiro, 34 mil pés. No meio do voo, sobre a Jordânia, ele despencou até 15 mil pés em 30 segundos. Durante a emergência, o avião transmitiu dois alertas. O segundo indicou possível interferência ilícita a bordo. A rota, então, mudou. O destino passou a ser Tabuk, na Arábia Saudita, um país que não mantém relações diplomáticas oficiais com Israel. O avião pousou em segurança.

Sangue e pânico a bordo: segunda equipe de pilotos que viajava como passageiros estabilizou avião — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Na cabine, segundo contariam depois os passageiros, o copiloto teria esfaqueado o comandante e tentado derrubar o avião. As imagens gravadas a bordo e verificadas pela agência Reuters mostram dois homens feridos no chão da aeronave. Um passageiro chama os pilotos feridos de terroristas.

“Estamos aqui no avião agora. Nós dominamos os terroristas. Quem estiver me ouvindo, precisamos de ajuda. Estamos na região de Tabuk, na Arábia Saudita, que não conhecemos. Todos os passageiros estão bem, mas o piloto não. Precisamos de ajuda”.

No meio do caos, uma coincidência pode ter salvado o voo. Uma segunda equipe de pilotos viajava como passageiros. Foi ela que conseguiu estabilizar o avião. Quando a situação já estava sob controle, um passageiro gravou uma mensagem para os filhos:

“Agora, seu pai e os outros passageiros são heróis. Nós conseguimos assumir o controle do voo depois que um dos pilotos foi esfaqueado”.

O aeroporto saudita confirmou que o comandante foi levado para o hospital. O suspeito do ataque foi preso e está sendo interrogado pelas autoridades sauditas. Ele trabalhava na empresa há um ano e nasceu em Omã.

Um outro avião da FlyDubai buscou os passageiros e os levou a Tel Aviv, para o reencontro com as famílias. No aeroporto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se encontrou com um dos passageiros, ainda com a camisa ensanguentada.

Sangue e pânico a bordo: segunda equipe de pilotos que viajava como passageiros estabilizou avião — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Yaniv contou que a mulher dele e uma das filhas tinham ido ao banheiro quando ouviram a confusão e deram o alarme. Ele e outros passageiros tentaram entrar na cabine. O piloto, mesmo ferido, conseguiu abrir a porta. Yaniv viu o agressor na cadeira do piloto, tentando danificar os controles e derrubar o avião. O israelense disse que deu uma gravata no homem. Yaniv e mais dois passageiros usaram, então, os fios de headphones para amarrar o copiloto. O próprio Yaniv, então, puxou os controles para estabilizar o avião até que outro piloto assumisse a posição.

Netanyahu identificou o comandante como o indiano Smit Machcar e elogiou a bravura dele ao resistir ao ataque e permitir que os passageiros entrassem na cabine para dominar o copiloto. Agora, cabe à investigação explicar o que levou um tripulante a possuir uma faca em um voo comercial e se o que houve foi um confronto entre eles ou um atentado.

Os chanceleres de Israel e dos Emirados Árabes se comprometeram a colaborar para combater o extremismo. O governo israelense informou que vai reforçar a checagem das identidades e do histórico de todos os pilotos escalados para voos com destino a Israel.

LEIA TAMBÉM