Santos Silva: "Trump está num estado que considero quase demencial"

🗓️ 2026-07-30 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva criticou a atuação da administração Trump face aos conflitos internacionais, nomeadamente, em relação ao Irão. Considerando que o presidente dos EUA "está num estado demencial" e que a "maior potência do mundo” está na mão de “corruptos, ineptos e moralmente desqualificados", o ex-governante defendeu que era necessário haver união.

Questionado, na antena da CNN Portugal, acerca da atual abordagem de Washington, com Trump a ter, ainda a semana passada, prometido que por cada ataque iraniano em Ormuz os Estados Unidos iriam bombardear "uma ponte ou central elétrica", Santos Silva considerou que isso revela que "o Departamento de Estado foi liquidado" pela "administração".

"Revela que à frente do Pentágono está um louco [Pete Hegseth]. Um homem que diz que a coisa mais importante é assegurar que os soldados têm um nível suficiente de testosterona só pode ser classificado como um louco", acrescentou.

Mas não é só ao secretário de Estado da Defesa, Pete Hegseth, que o também antigo presidente da Assembleia da República apontou o dedo: "O presidente Trump está num estado que considero quase demencial. Esse é um risco maior: temos hoje a maior potência do mundo e o nosso maior aliado nas mãos de um círculo dirigente corrupto, inepto e moralmente desqualificado. Esse é o principal drama que está a ocorrer".

E Santos Silva considerou que há, de facto, ameaças à segurança - quer no que diz respeito à Rússia ou mesmo ao Irão, diretamente e através Hezbollah, do Hamas e dos rebeldes houthis no Iémen. "Para enfrentar tudo isto, considero essencial que a União Europeia, o Reino Unido, o Canadá e os Estados Unidos estejam unidos. É por isso que critico tanto Donald Trump. Donald Trump é um inimigo desta aliança", justificou.

Mas, falando ainda sobre os ataques de Washington contra o Irão no ano passado, Santos Silva referiu que "o grau de enriquecimento do urânio que os iranianos estavam a acumular, acima dos 60%, estava muito para além daquilo de que precisariam para fins civis de produção de energia nuclear" - e que por isso tudo deve ser feito "do ponto de vista diplomático e também, se necessário, do ponto de vista militar, para impedir o Irão de ter uma arma nuclear". Mas, sublinha, esta é uma linha de pensamento que valerá para o Irão, mas também para outros países, como a Arábia Saudita.

O antigo governante foi ainda assertivo nas suas considerações, considerando que o que os EUA fizeram foi, sem dúvida, uma "agressão". "Uma agressão contra um país soberano, não mandatada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e que não resultava da iminência de qualquer ataque do Irão contra os Estados Unidos. Portanto, não há outra leitura possível à luz do direito internacional", apontou.

Santos Silva sublinhou, no entanto, que a sua opinião acima "não significa nem que o Irão tenha passado a ter legitimidade para responder atacando países terceiros, como fez, nem que a ilegitimidade dessa resposta venha legitimar a agressão inicial a posteriori. A resposta do Irão é também absolutamente ilegítima à luz do direito internacional".

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